Ciência

Alternativa ao Ozempic? IA descobre nova molécula contra obesidade

Molécula descoberta pela Universidade de Stanford conseguiu reduzir peso de camundongos em testes iniciais

Obesidade: inteligência artificial foi usada para identificar novos compostos contra a condição (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Obesidade: inteligência artificial foi usada para identificar novos compostos contra a condição (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h09.

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Uma molécula supressora de apetite descoberta por inteligência artificial (IA) em 2025 pode abrir uma nova frente de pesquisa contra a obesidade. O composto foi identificado por uma equipe da Universidade de Stanford, na Califórnia.

A molécula é um peptídeo chamado BRP, que reúne 12 aminoácidos e age diretamente no hipotálamo, região do cérebro ligada ao controle do apetite.

Em testes com animais, camundongos obesos que receberam injeções diárias do composto perderam peso. Os animais não tratados ganharam peso no mesmo período.

O BRP passou a ser discutido como possível alternativa aos medicamentos que imitam o hormônio GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Esses medicamentos transformaram os tratamentos para perda de peso, mas são associados a efeitos colaterais como náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal, constipação e perda muscular.

Segundo Katrin Svensson, autora do estudo, os receptores atingidos por medicamentos do tipo GLP-1 também estão no intestino, no pâncreas e em outros tecidos. Essa ação fora do cérebro pode gerar efeitos indesejáveis. Já o BRP parece atuar por outra via. Nos testes descritos, o composto afetou apenas o hipotálamo. Os camundongos tratados aparentaram perder gordura, mas não músculo.

Como a molécula foi identificada?

Os pesquisadores criaram uma ferramenta de inteligência artificial chamada Peptide Predictor para buscar alternativas aos imitadores do GLP-1. A tecnologia analisou cerca de 20 mil genes humanos e identificou 2.683 peptídeos potenciais semelhantes a hormônios.

Depois da triagem, os cientistas reduziram o número de candidatos e testaram cerca de uma centena deles. O BRP foi o composto que mais se destacou nos experimentos.

O que falta para virar tratamento?

A próxima etapa citada no estudo é testar o BRP em humanos. Svensson cofundou uma empresa que planeja iniciar testes clínicos em um futuro próximo.

O resultado em camundongos ainda não confirma a eficácia em pessoas. Segundo os pesquisadores, é difícil prever se o desempenho observado em animais será reproduzido em humanos.

A segurança é outro ponto central. Como a obesidade é uma condição crônica, um eventual medicamento baseado no BRP teria de ser seguro para uso contínuo e por longo prazo.

O BRP também poderia ser modificado para durar mais tempo no corpo, como ocorre com medicamentos do tipo GLP-1, que são versões adaptadas de um hormônio natural.

Mesmo que o composto avance nos testes clínicos e se torne um tratamento comercializável, os imitadores de GLP-1 ainda podem manter seu valor clínico. O texto cita que esses medicamentos oferecem benefícios além da perda de peso, como redução de risco cardiovascular.

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