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Redatora
Publicado em 28 de abril de 2026 às 12h01.
A capacidade de fazer e apreciar música tem base biológica e faz parte da natureza humana, de acordo com um estudo publicado na revista Current Biology. Pesquisas com bebês reforçam essa hipótese ao mostrar que recém-nascidos já apresentam percepção de ritmo, antes mesmo de qualquer contato com aprendizado musical.
O trabalho reúne cerca de duas décadas de pesquisas em áreas como psicologia, neurociência, genética e cognição animal. Segundo o autor, Henkjan Honing, da Universidade de Amsterdã, a capacidade sonora não depende apenas de aprendizado ou treinamento cultural.
A presença da música em todas as culturas é apontada como evidência de que essa habilidade faz parte da espécie. Mesmo com variações entre sociedades, há padrões comuns, como estruturas rítmicas e melódicas semelhantes.
Apesar da base biológica, especialistas destacam que a musicalidade não se desenvolve de forma isolada. O ambiente cultural e social influencia diretamente o desenvolvimento dessa habilidade.
Segundo pesquisadores, a capacidade sonora deve ser entendida como resultado da interação entre predisposição biológica e experiências culturais, o que explica as diferenças na forma como a música é vivenciada em diferentes contextos.
Embora a musicalidade completa seja considerada característica humana, outros animais apresentam capacidades relacionadas. Algumas espécies demonstram percepção de ritmo, sincronização e resposta a sons.
Pesquisas com primatas indicam que macacos conseguem acompanhar batidas musicais. Aves também já demonstraram essa capacidade — o caso mais famoso é o da cacatua Snowball, que, em estudo publicado após seu vídeo viral de 2007, mostrou sincronizar diferentes movimentos ao ritmo das músicas.
A função evolutiva da música ainda não é consenso entre cientistas. Algumas hipóteses sugerem que ela surgiu para atrair parceiros, enquanto outras apontam seu papel na coesão social e na comunicação emocional.
Estudos recentes indicam que a expressão sonora pode ser formada por diferentes habilidades, com origens distintas ao longo da evolução, o que explicaria sua complexidade.
Pesquisas mostram que música e linguagem utilizam áreas diferentes do cérebro. Há evidências de que essas capacidades podem ter se desenvolvido de forma independente ao longo da evolução.
É possível que as expressões musicais, na verdade, tenha precedido a linguagem. Casos em que pessoas apresentam dificuldades na linguagem, mas mantêm habilidades musicais, reforçam a ideia de que essas funções não dependem uma da outra.