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Beleza mais jovem, digital e menos fiel redefine consumo global

Do fenômeno das “Sephora kids” à cultura dos “dupes”, indústria enfrenta nova lógica de desejo e acesso

Lisa Sequino, presidente da divisão de maquiagem Estée Lauder Companies (Divulgação/Divulgação)

Lisa Sequino, presidente da divisão de maquiagem Estée Lauder Companies (Divulgação/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 7 de maio de 2026 às 16h14.

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A indústria de beleza vive uma mudança geracional que redefine padrões de consumo, acesso e construção de desejo. Consumidores mais jovens entram mais cedo no mercado, impulsionados por redes sociais e plataformas digitais, criando um cenário em que informação, tendência e compra acontecem simultaneamente.

O fenômeno das chamadas Sephora kids, crianças e pré-adolescentes consumindo produtos de beleza, ilustra essa transformação. Segundo Lisa Sequino, presidente da divisão de maquiagem Estée Lauder Companies, isso reflete maior acesso à informação, mas também impõe uma nova responsabilidade às marcas. Não se trata apenas de vender produtos, mas de mediar expectativas de autoestima e bem-estar em um público ainda em formação. "Isso mostra que jovens querem se cuidar, o que é positivo. A indústria deve atender a todas as idades, algo que a MAC sempre defendeu. Mas hoje temos ainda mais responsabilidade: não só oferecer produtos, mas também promover confiança, autoestima e bem-estar. É importante incentivar um uso saudável da beleza, sem pressão", diz.

Outro vetor relevante é a popularização dos chamados dupes, produtos similares a itens de luxo com preço reduzido. A prática, observada globalmente, desafia o conceito tradicional de exclusividade e pressiona marcas a reforçar diferenciação por inovação, não apenas por branding.

No Brasil, esse cenário ganha contornos próprios. O consumidor é descrito como altamente digital, curioso e aberto a experimentação, características que favorecem tanto marcas premium quanto alternativas acessíveis. A baixa fidelidade amplia a competição e reduz o ciclo de relevância dos produtos.

Entre status e acessibilidade: o novo equilíbrio do luxo

A expansão digital e o acesso ampliado criam uma tensão estrutural no setor: como sustentar o posicionamento de luxo em um ambiente de alta replicabilidade e circulação de tendências. Se antes o status era construído pela escassez, hoje ele também depende de velocidade, presença cultural e capacidade de engajamento.

Nesse contexto, marcas precisam operar em múltiplas frentes, com inovação constante, narrativa consistente e adaptação local. O Brasil, com sua diversidade e intensidade de consumo, surge como um dos mercados mais complexos e estratégicos para testar esse equilíbrio.

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