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Uso de IA generativa já aparece em mais de 80% das ocupações analisadas nos EUA, embora a adoção permaneça concentrada em determinadas tarefas (Autor - Imagem gerada por IA/Exame)
Redação Exame
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 06h03.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 14h09.
Duas pessoas com a mesma profissão podem executar tarefas semelhantes e, ainda assim, ter relações muito diferentes com a inteligência artificial. Uma pode recorrer à tecnologia diariamente; outra, nunca.
Essa diferença ajuda a explicar um retrato do mercado de trabalho americano que parece contraditório à primeira vista: a IA generativa já aparece em mais de 80% das ocupações pesquisadas, mas seu uso ainda é limitado dentro de boa parte delas.
Os dados são de um estudo divulgado pelo Federal Reserve Bank de St. Louis, baseado em quase 14 mil trabalhadores entrevistados em quatro rodadas entre agosto de 2025 e maio de 2026.
A pesquisa considera que a IA está presente em uma ocupação quando ao menos 20% de seus profissionais dizem utilizá-la no trabalho. Sob esse critério, mais de oito em cada dez ocupações já registram adoção.
O alcance da tecnologia não significa que a maioria dos trabalhadores esteja recorrendo a ela o tempo todo. Apenas 40% das ocupações apresentam adoção superior a 50%.
Quando o recorte passa das profissões para atividades específicas, a diferença fica ainda maior: menos de 3% das tarefas analisadas têm uso de IA por mais da metade das pessoas que as executam.
Os pesquisadores descrevem esse cenário como uma adoção ampla, porém pouco profunda. Mesmo nas profissões com índices elevados, os trabalhadores podem recorrer à IA para partes diferentes da rotina.
Já tarefas físicas ou que exigem interação presencial, como dirigir caminhões, coletar amostras biológicas de pacientes e preparar áreas de tratamento, não tiveram uso reportado no levantamento.
A adoção é particularmente alta em funções ligadas à computação e ao trabalho intelectual.
Cientistas de pesquisa em computação e informação lideram, com 87,3%, seguidos por analistas de segurança da informação, com 85,4%, e administradores de redes e sistemas, com 82,4%.
Na outra ponta estão funções em que grande parte do trabalho depende da presença física. Cuidadores de animais registram 5,3% de adoção, recepcionistas e funcionários de informação, 7,6%, e profissionais de enfermagem prática e vocacional licenciados, 10,4%.
Há, porém, resultados que escapam dessa divisão. Professores de educação especial chegam a 70,9% de adoção, enquanto trabalhadores de lavanderias e lavagem a seco aparecem com 49%.
Segundo os autores, profissões predominantemente presenciais também incluem atividades de pesquisa, planejamento e comunicação nas quais a IA pode ser usada.
O estudo não demonstra que 80% das profissões serão automatizadas ou substituídas. Ele mede uso, não eliminação de postos de trabalho. Essa distinção é central para interpretar os números.
Outro resultado aponta para uma mudança menos visível: experiência parece importar. Trabalhadores que utilizam IA generativa há pelo menos seis meses tendem a incorporá-la em um número maior de tarefas. Idade, escolaridade e sexo, por outro lado, explicaram pouco das diferenças individuais de adoção encontradas pelos pesquisadores.
O próximo estágio pode, portanto, ocorrer dentro das próprias ocupações. À medida que trabalhadores aprendem onde a IA funciona e onde não funciona, seu uso pode avançar sobre novas parcelas da rotina.
Para acompanhar os efeitos sobre produtividade, salários e emprego, será necessário observar não só quais profissões adotam a tecnologia, mas exatamente quais tarefas estão sendo transferidas, auxiliadas ou preservadas.