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Por que Milão foi a cidade escolhida pela Rolex para o novo Padellone

A marca suíça apresentou o relógio, batizado com o apelido que colecionadores italianos deram a um antigo calendário triplo dos anos 1940, na cidade que se firma como um dos points da relojoaria internacional

Novo Padellone, da Rolex, em ouro Everose de 18 quilates, com calendário anual e fase da lua em meteorito (Divulgação)

Novo Padellone, da Rolex, em ouro Everose de 18 quilates, com calendário anual e fase da lua em meteorito (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 11h26.

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Para o lançamento do calendário anual Padellone, a Rolex escolheu o Palazzo Serbelloni, construído no fim do século 18 e que recebeu Napoleão Bonaparte como morador por algumas semanas em 1796. O prédio, que teve parte da biblioteca destruída em bombardeios durante a Segunda Guerra, serviu de cenário em Milão para apresentar o que pode ser considerado o relógio mais relevante da marca neste ano, ainda que tenha o nome inspirado em um utensílio de cozinha.

A escolha da cidade italiana chama atenção porque a Patek Philippe também vai abrir sua Grand Exhibition em Milão no mês que vem, evento que já passou por Londres, Nova York, Singapura e Tóquio em edições anteriores. Outras marcas do setor têm mirado a capital da Lombardia com a mesma intenção. A LVMH promoveu sua semana de relógios na cidade no início do ano, e a Jaeger-LeCoultre organizou uma exposição por lá na primavera europeia.

Um apelido que virou nome oficial

O Padellone é uma homenagem a um relógio triplo calendário com fase da lua fabricado pela Rolex entre o fim dos anos 1940 e o início dos anos 1950, a referência 8171. Colecionadores e revendedores italianos deram à peça o apelido de padellone, "panelão" em italiano, por causa do formato arredondado da caixa. O apelido pegou e hoje é o nome oficial e registrado da linha, mesmo que o desenho não lembre em nada o utensílio doméstico.

"Escolhemos Milão porque o nome do relógio é Padellone, que foi inventado por colecionadores italianos", disse Jean-Frédéric Dufour, CEO da Rolex, sobre o lançamento que chega às lojas em novembro. Segundo ele, em entrevista ao Financial Times, a ligação da marca com o país é histórica, e nas décadas de 1970 e 1980 um relógio que fazia sucesso na Itália também emplacava no resto do mundo.

A nova versão tem caixa de 39 milímetros, disponível em ouro Everose de 18 quilates ou platina 950, com preços que variam de £ 49.150 a £ 60.700, o equivalente a cerca de R$ 340.600 a R$ 420.650 na cotação atual. O modelo se junta à linha 1908, lançada em 2023, formando a coleção Perpetual, voltada a um público que não se identifica necessariamente com o visual esportivo mais associado à marca.

Técnica avançada sob um visual clássico

Perpetual Padellone: inspiração vintage e inovações tecnológicas (Rolex/Divulgação)

No mostrador, dia e mês ficam posicionados às 12 horas, enquanto um ponteiro azul fino com a ponta em formato de lua percorre um anel periférico com a data. Às 6 horas, um disco esmaltado em azul traz a fase lunar, com as luas cheias e nova recortadas em meteorito, material que a Rolex reserva para peças mais raras do catálogo. Cada lua ganhou um rosto desenhado com humor, detalhe que remete ao mostrador original da referência 8171.

A novidade técnica está no calibre 7190, evolução do 7135 apresentado no ano passado. Dois componentes adicionais no mecanismo de data, chamados de sistema Haplos, permitem que o relógio diferencie meses de 30 e 31 dias sozinho, exigindo ajuste manual apenas uma vez por ano, no fim de fevereiro. O modelo em platina custa £ 55.300, cerca de R$ 383.200.

Milão disputa espaço com Londres e Dubai

A movimentação das marcas na cidade tem relação direta com mudanças fiscais que atraíram novos moradores estrangeiros de alta renda para a Itália nos últimos anos. O regime de tributação fixa sobre rendimentos externos, que passou de € 100 mil para € 300 mil, o equivalente a cerca de R$ 593 mil e R$ 1,78 milhão, segue vantajoso para quem tem grande patrimônio e é apontado como um dos principais motivos da transformação recente da cidade. Em contraste, mudanças nas regras para não domiciliados no Reino Unido têm sido citadas como fator que reduziu o apelo de Londres para esse público.

Jérôme Lambert, CEO da Jaeger-LeCoultre, contou ao Financial Times que a marca organiza há dois anos uma exposição de design em Milão durante a Salone del Mobile, feira de móveis e design da cidade. Nesta edição, o destaque foi o trabalho do designer Marc Newson para a marca. Segundo Lambert, o evento reúne entre 15 mil e 20 mil visitantes em uma semana, número que considera expressivo para os padrões da cidade. O negócio da Jaeger-LeCoultre em Milão está cerca de 50% maior do que no período anterior à pandemia, impulsionado pelo turismo e pelo calendário de moda e design local.

Público mais sofisticado atrai grifes de luxo

Arnault também destacou o nível de conhecimento dos colecionadores milaneses, que segundo ele identificam detalhes técnicos como o redesenho de uma lugueta ou um erro na tipografia do mostrador, sofisticação que compara à de Singapura. Max Bernardini, revendedor de relógios vintage e itens de decoração há mais de quatro décadas, afirmou à Financial Times, notar um público inédito nas negociações da cidade, formado por armênios, franceses, londrinos e pessoas que se mudaram recentemente do exterior e nunca haviam comprado um relógio vintage antes.

Milão tem sua própria feira do setor, a Milano Watch Week, que chega à segunda edição neste ano, coincidindo com o período da exposição da Patek Philippe. O evento também anunciou parceria com a Dubai Watch Week, ampliando a conexão entre as duas praças do mercado de luxo. Arnault comparou o volume de negócios da cidade ao de Dubai, mas destacou um comportamento mais discreto em relação à ostentação entre os compradores milaneses.

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