Carlos Alcaraz e Jannck Sinner no US Open: respeito e rivalidade (Matthew Stockman/Getty Images)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 06h30.
Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 07h11.
Entre comentaristas e torcedores, virou lugar-comum dizer que o tênis hoje é dominado por dois tenistas, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. Números comprovam essa afirmação. Os últimos oito torneios de Grand Slam foram divididos entre os dois, quatro para cada. No ano passado, eles foram os tenistas que mais venceram torneios, oito para o espanhol, seis para o italiano.
A diferença de pontuação de Jannik Sinner, número dois do mundo, para Alexander Zverev, o número 3, é de mais de 5 mil pontos. Ou seja, para que o alemão ultrapasse Sinner, ele precisaria ganhar o equivalente a dois torneios de Grand Slam e um Masters 1000. E Sinner não vencer mais nenhum jogo enquanto isso.
Neste Australian Open, nas três rodadas disputadas até agora, Alcaraz e Sinner avançaram com certa facilidade. Sinner só perdeu um set até agora. O que indica favoritismo para que um dos dois leve o primeiro Grand Slam da temporada.
Daí a dizer que o circuito masculino anda sem graça existe uma distância grande.
Virou também um clichê entre os tenistas dizer que o tênis vem sendo dominado pela dupla Sinalcaraz. E que, para enfrentá-los, eles precisam melhorar. É o que vem acontecendo.
Daniil Medvedev chegou a ser número um do mundo, em 2022, após vencer 20 títulos, mas depois entrou em decadência. De maio de 2023 até o final do ano passado, ele venceu apenas um torneio, e sem muita expressão, o ATP 250 de Almaty.
Este ano, no entanto, vem reagindo. Neste mês, já conquistou o ATP 250 de Brisbane. No Australian Open, ele venceu as três rodadas iniciais, a última de virada após perder os dois primeiros sets e ter uma quebra de desvantagem no terceiro, contra Fabian Marozsan. É uma das apostas para voltar ao top 10 este ano.
Nas oitavas de final, Medvedev iria enfrentar Learner Tien, jovem de 19 anos, atualmente em 29º lugar do ranking, uma das boas surpresas recentes do circuito. Learner mantém uma rivalidade com o brasileiro João Fonseca desde os tempos de juvenil. Fonseca venceu os três confrontos com Tien até agora. É a atual sensação do tênis brasileiro, e mesmo mundial. Segundo comentaristas internacionais mais otimistas, é candidato a entrar no top 5 do ranking ainda neste ano.
Uma das maiores zebras do ano passado foi Valentin Vacherot, de Mônaco. Em outubro, ele foi campeão do Rolex Xangai Masters, um Masters 1000, depois de passar pelo qualifying. Com um estilo mais solto, sem a elegância usualmente associada ao tênis, ganhou uma legião de torcedores. No Australian Open, só parou na terceira rodada frente a Ben Shelton, jovem americano de saque poderoso e enorme potencial.
Ben Shelton ocupava a sétima posição do ranking da ATP até o começo do Australian Open. Entre os top ten, o italiano Lorenzo Musetti, em quinto lugar, perdeu cinco finais consecutivas, mas não deve demorar a vencer um torneio de expressão. Na sexta posição, o australiano Alex de Minaur, conhecido pela velocidade, vem evoluindo a cada temporada. E o veterano Novak Djokovic, o maior vencedor da história do tênis aberto, em invejável forma, já mostrou que não deve parar tão cedo.
Mas a maior surpresa recente talvez tenha sido a do cazaque Alexander Bublik, hoje na décima posição. No começo do ano passado ele chegou a ficar abaixo dos 80 primeiros colocados e pensou em se retirar das quadras. Após umas aparentemente divertidas férias em Las Vegas, venceu quatro torneios e foi um dos únicos três tenistas a derrotar Sinner. Com seu jeito divertido, muito talento, costuma ter a torcida a seu favor.
O tênis está sem graça? Não me parece.