Donald Trump: presidente faz 'brincadeira' fora de tom em cúpula com líderes americanos (Casa Branca/Divulgação/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 7 de março de 2026 às 18h58.
O presidente Donald Trump lançou oficialmente neste sábado, 7, a iniciativa Shield of the Americas (Escudo das Américas), durante uma cúpula em Miami que reuniu líderes de 12 nações latino-americanas, incluindo Argentina, Panamá e República Dominicana. No evento, disse: "não vou aprender a sua maldita língua. Não tenho tempo".
A fala foi direcionada aos líderes da América Latina que falam espanhol e foi posicionada em um contexto de brincadeira. O presidente admitiu que, embora tenha se saído bem aprendendo idiomas na época da escola, hoje prefere confiar em intérpretes. A postura se constrastou com a do Secretário de Estado, Marco Rubio, que fala espanhol fluentemente.
A iniciativa Shield of the Americas é vista por analistas como uma tentativa de trazer a América Latina definitivamente para a esfera de influência direta de Washington e afastar investimentos chineses e russos da região. O objetivo central do projeto, segundo Trump, é a erradicação dos cartéis criminosos que assolam a região através do uso de "força militar letal". O presidente ofereceu suporte militar em troca de alinhamento político e comercial.
A cúpula também serviu para consolidar a nova função de Kristi Noem. Após ser afastada do Departamento de Segurança Interna, Noem foi nomeada por Trump como enviada especial para a comissão do Shield of the Americas.
A escolha reforça a intenção da Casa Branca de militarizar o combate ao tráfico de drogas, mantendo a política polêmica de destruição de embarcações suspeitas em águas internacionais, medida que já atraiu críticas de organismos de direitos humanos por possíveis crimes de guerra.
Para o mercado, a intensificação das operações militares contra cartéis pode significar um aumento nos gastos de defesa e novos contratos para empresas do setor aeroespacial e de vigilância.
Por outro lado, a retórica agressiva de Trump pode gerar instabilidade em rotas comerciais marítimas, caso o uso de força letal resulte em incidentes diplomáticos com embarcações civis.