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O que muda com a nova direção da Moët Hennessy no Brasil

Julian Quintero assume a operação brasileira do grupo e diz que desafio é levar champanhes e destilados para além dos brindes.

Julian Quintero: primeira missão no Brasil será aprender português (Moët Hennessy/Divulgação)

Julian Quintero: primeira missão no Brasil será aprender português (Moët Hennessy/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 24 de julho de 2026 às 06h30.

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O primeiro compromisso de Julian Quintero na nova posição de managing diretor no Brasil da Moët Henessy, do grupo LVMH, foi um jantar harmonizado no TUJU, em São Paulo, no começo de julho. O motivo foi celebrar a nomeação do restaurante, de três estrelas Michelin e eleito o melhor do Brasil no ranking da Casual EXAME, como nova embaixada do champanhe Krug.

A Krug faz parte do portfólio da Moët Hennesy, assim como os champanhes Moët & Chandon, Veuve Clicquot, Dom Pérignon e Ruinart, o conhaque Hennessy, a vodca Belvedere, o single malt Glenmorangie e vinhos renomados como Terrazas de los Andes, Cloudy Bay, Numanthia, Whispering Angel e Minuty.

Executivo colombiano com 17 anos de carreira no grupo e passagens por Japão, Reino Unido e Singapura, Quintero acaba de assumir a operação brasileira do grupo. Ao mesmo tempo, Delphine Vazquez passa a comandar a Chandon Brasil como estate director, liderando a operação da vinícola em Garibaldi (RS).

Em entrevista à Casual EXAME, a primeira a um veículo brasileiro na nova posição, Quintero fala sobre os planos para o mercado brasileiro, o potencial de crescimento de marcas como Chandon e Hennessy e explica por que acredita que o maior desafio da companhia é fazer com que champanhes e destilados deixem de ser consumidos apenas em celebrações e passem a fazer parte do dia a dia dos consumidores.

Que peculiaridade vê no portfólio do grupo no país?

No Brasil, temos uma vantagem única porque estamos profundamente enraizados no terroir local, ao mesmo tempo em que representamos o que há de mais alto no luxo global. De um lado, somos responsáveis pelos champanhes franceses mais icônicos do mundo. Mas o que torna o Brasil realmente especial para nós é a Chandon Brasil, que foi fundada em 1973, nas belas colinas subtropicais da Serra Gaúcha, em Garibaldi. Temos orgulho de sermos, ao mesmo tempo, uma das principais casas internacionais de luxo e um autêntico produtor brasileiro.

Você passou mais de 15 anos no Japão e três em Singapura. Como são os hábitos de consumo de bebidas na Ásia e qual foi seu maior desafio por lá?

A Ásia é uma região vibrante, em rápida transformação, com um profundo respeito por rituais, artesanato e atenção aos detalhes. No Japão, por exemplo, o consumo está fortemente ligado à arte da hospitalidade e da gastronomia. Existe um apreço muito cuidadoso pela harmonização entre bebida e comida, pela forma de servir e pela história por trás de cada garrafa. Se há uma lição que aprendi no Japão é que uma das melhores harmonizações que existem é sushi com champanhe. Em Singapura, o mercado é altamente cosmopolita, dinâmico e guiado por tendências, funcionando como um centro global de coquetelaria de alto nível e vida noturna premium. Meu maior desafio — e também minha maior recompensa — foi aprender a navegar pelas sutilezas culturais envolvidas na construção de marcas de luxo em mercados tão diferentes. Na Ásia, relações e confiança são construídas ao longo de muitos anos, com proximidade e consistência. Aprender esse ritmo de negócios me ensinou o verdadeiro significado de paciência e precisão na gestão de marcas de luxo.

O que você aprendeu até agora sobre os hábitos de consumo dos brasileiros e a relação deles com o portfólio da Moët Hennessy?

O calor humano, a energia e a alegria de viver dos brasileiros são profundamente contagiosos. O que mais me encanta é que os brasileiros enxergam naturalmente nosso portfólio pela ótica da celebração e dos momentos compartilhados. Existe aqui uma valorização espontânea da vida. Historicamente, champanhes e destilados premium estiveram associados a grandes celebrações e ocasiões formais. Mas percebo uma mudança muito interessante: o consumidor brasileiro está cada vez mais sofisticado e curioso. Ele caminha para o conceito de 'luxo cotidiano', apreciando, por exemplo, uma taça de Veuve Clicquot Rich ou de Chandon Passion em uma tarde ensolarada, ou explorando a coquetelaria contemporânea com Hennessy. A relação com essas bebidas está deixando de ser apenas comemorativa para se tornar cada vez mais ligada à experiência.

O mercado de espumantes vem estimulando o consumo além dos brindes, incentivando harmonizações com refeições. O grupo também trabalha essa mensagem?

Com certeza. Esse é um foco estratégico tanto globalmente quanto no Brasil. A harmonização entre vinho e comida é um enorme campo de oportunidades para nossas marcas. Moët & Chandon e Veuve Clicquot, por exemplo, possuem estrutura e acidez capazes de equilibrar perfeitamente pratos mais ricos e intensos. Com a Chandon Brasil, promovemos ativamente esse estilo de vida. Nossos espumantes harmonizam muito bem tanto com frutos do mar brasileiros quanto com a gastronomia internacional contemporânea. Estamos mudando a narrativa: em vez de 'abrir uma garrafa porque é um dia especial', queremos incentivar as pessoas a 'abrirem uma garrafa para tornar o dia especial'."

Qual é seu principal desafio no Brasil? Quais marcas têm maior potencial de crescimento?

O principal desafio — que, na verdade, considero nossa maior oportunidade — é ampliar as ocasiões de consumo do luxo. Queremos mostrar que nossas marcas pertencem não apenas aos brindes em grandes celebrações, mas também à mesa durante as refeições, aos encontros em terraços e às reuniões mais íntimas. Em termos de potencial de crescimento, a Chandon tem muito espaço para avançar à medida que continuamos inovando com propostas refrescantes e relevantes para o mercado local, como o Chandon Garden Spritz. No segmento dos champanhes de prestígio, Dom Pérignon e Krug seguem registrando uma demanda crescente entre consumidores em busca de experiências ultraluxuosas. Além disso, Hennessy possui um enorme potencial no Brasil. Para além de ser um conhaque premium, trata-se de uma marca com forte influência cultural global, que acredito que combinará perfeitamente com a música, as celebrações e a cena de coquetelaria brasileira.

Você trabalha muito próximo dos clientes privados. Como esse relacionamento é desenvolvido e qual sua importância?

O relacionamento com clientes privados é o coração do mercado de luxo. É um trabalho totalmente personalizado, baseado em confiança absoluta, valores compartilhados e paixões em comum. Não vendemos apenas garrafas. Oferecemos acesso a experiências, seja uma safra exclusiva diretamente de nossas caves na França, uma degustação privada com um chef de cave ou uma experiência gastronômica cuidadosamente planejada. Manter essa comunidade é essencial porque esses clientes são nossos maiores embaixadores. Eles não apenas apreciam o luxo — eles vivem o luxo. Cultivar essas relações pessoais nos permite compreender como seus estilos de vida evoluem e garantir que a Moët Hennessy continue fazendo parte dos momentos mais marcantes de suas vidas.

Você aprendeu japonês enquanto morava no Japão e tem interesse por diferentes culturas. O que pretende fazer durante sua passagem pelo Brasil?

Sempre digo que, quando você aprende um novo idioma e mergulha em outra cultura, ganha uma nova alma. Depois de aprender japonês, sei que uma conexão cultural verdadeira começa pela comunicação. Por isso, minha prioridade absoluta é aprender português. Além disso, minha esposa, Momo, que é japonesa, e eu estamos muito animados para explorar toda a riqueza cultural do Brasil. Do ponto de vista profissional e pessoal, quero viajar para o Sul para conhecer nossos vinhedos em Garibaldi e vivenciar de perto essa tradição vitivinícola. Também quero mergulhar na cena gastronômica e artística de São Paulo, conhecer as paisagens extraordinárias do país e aprender, de verdade, a celebrar a vida do jeito brasileiro.

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