Economia

Durigan diz que tarifa dos EUA tenta retomar ‘na marra’ cobrança derrubada pela Suprema Corte

Nova alíquota de 12,5% entra em vigor nesta sexta-feira e pode elevar para 37,5% a sobretaxa aplicada a parte dos produtos brasileiros

Dario Durigan: ministro da Fazenda no governo Lula

Dario Durigan: ministro da Fazenda no governo Lula

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 24 de julho de 2026 às 06h21.

Última atualização em 24 de julho de 2026 às 06h23.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreTarifas
Saiba mais

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa uma tentativa do governo Donald Trump de retomar as chamadas “tarifas recíprocas”, derrubadas pela Suprema Corte americana.

A nova alíquota entra em vigor nesta sexta-feira, 24, no mesmo dia em que termina a vigência das tarifas anteriores. Governo Lula diz que iniciará trâmite da Lei de Reciprocidade contra novo tarifaço dos EUA

Segundo Durigan, a medida alcança praticamente todas as importações dos Estados Unidos e funciona, na avaliação do ministro, como substituta do mecanismo tarifário anterior. A nova tarifa foi anunciada após a derrubada das cobranças anteriores pela Suprema Corte dos EUA.

"Essa tarifa pega 99% das importações para os Estados Unidos (considerando todos os países), que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa. Nesse caso a todas as grandes economias do mundo, inclusive ao Brasil — disse o ministro em entrevista à BandNews TV.

A sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e outros 59 países falham em impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Do grupo de 60 países atingidos, 54 receberam uma tarifa de 12,5%, enquanto outros seis foram submetidos a uma alíquota de 10%. A decisão alcança 99,4% das importações americanas.

No caso brasileiro, a tarifa de 12,5% deve ser somada à alíquota de 25% anunciada na semana passada, sob o argumento de que o país adota “práticas desleais” que prejudicam o comércio dos Estados Unidos. Com a sobreposição das medidas, parte dos produtores brasileiros ficará sujeita a uma sobretaxa total de 37,5%.

"O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e tem déficit em relação aos EUA".

EUA deixam café e carne bovina do Brasil fora de tarifa de 12,5%; veja a lista

Governo prevê crédito e mantém negociações com os EUA

Durigan classificou a medida como "injustificada e unilateral". Segundo o ministro, o governo brasileiro manteve conversas com a administração de Donald Trump e conduziu as tratativas com "boa-vontade".

O ministro afirmou que o governo pretende manter o apoio aos empresários afetados pelas tarifas. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito destinadas a capital de giro e investimentos, dentro do programa Brasil Soberano.

Segundo Durigan, o governo também pretende dar continuidade às negociações com a administração americana enquanto mantém os mecanismos de apoio às empresas prejudicadas pelas novas tarifas.
Acompanhe tudo sobre:TarifasEstados Unidos (EUA)Governo LulaDario DuriganDonald Trump

Mais de Economia

Avanço ou litígio? Reforma tributária gera discussão sobre responsabilidade de contadores

CPI: inflação dos EUA acelera para 0,4% em agosto com alta da gasolina

IPCA tem deflação de 0,32% em agosto; veja o que ficou mais barato

Conferência em SP reúne investidores globais em mercado de US$ 234 bi