Mendoza: o roteiro para fazer além do vinho (Anderson Areias)
Repórter de Casual
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 07h02.
Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 10h44.
Visitar Mendoza para provar vinhos é um clássico do turismo na América do Sul. Mas a região, que abriga alguns dos terroirs mais reconhecidos do mundo, oferece muito mais que visitas aos vinhedos — e pode ser uma opção de viagem mais ecológica.
Fundada em 1561 por Pedro del Castillo, Mendoza foi vítima de um terremoto em 1861 que destruiu a maior parte da cidade colonial. Apesar da tragédia, na hora de reconstruir o local, urbanistas criaram um layout de "cidade-oásis" que transformou região: ruas largas e arborizadas para maior segurança sísmica, e irrigação a partir do degelo dos Andes. Hoje, a cidade é a quarta maior área metropolitana da Argentina, com cerca de 1 milhão de habitantes.
Distante da cidade, entre montanhas, vales e rios, o coração dos Andes também revela experiências diversas que unem natureza, aventura e cultura ancestral. A EXAME conversou com Paula Bertotto, gerente de experiências do Grupo Awasi, que opera um hotel de luxo na região, para um roteiro que explora Mendoza além dos vinhos. Confira:
Amanhecer nos Andes (Anderson Areias/ Awasi Mendoza)
Para começar, a dica da especialista é o contato com a Cordilheira dos Andes — que começa cedo para os visitantes mais dispostos. Caminhadas leves até mirantes naturais permitem observar o nascer do sol sobre os vales, habitat de diversas aves nativas. A região tem algumas das paisagens mais bonitas da América do Sul, um lugar ideal para tirar fotos.
Rafting no Rio Mendoza ( Anderson Areias/ Awasi Mendoza)
Já quem busca mais adrenalina pode gostar da prática de esportes no Rio Mendoza. As águas descem diretamente do degelo das montanhas e criam corredeiras perfeitas para a prática do rafting, que mescla esforço físico com vistas panorâmicas.

Na mesma linha esportiva, Bertotto explica que a trilha rumo ao Parque Provincial Aconcágua é uma das experiências mais marcantes da Argentina. A rota leva o viajante a pontos de observação do pico mais alto das Américas e, durante o trajeto, é possível encontrar rios de montanha e uma vegetação típica de altitude que muda conforme a estação.
Cavalgadas em Mendoza (Anderson Areias/ Awasi Mendoza)
O cavalo, explica Bertotto, é peça central na identidade do campo argentino. Uma experiência para colocar no roteiro são as cavalgadas pelos vales, a maneira tradicional de percorrer o território — passando por pequenas propriedades rurais e vilarejos. O ideal é que o roteiro tenha acompanhamento de guias locais, que compartilham histórias sobre a ocupação da região e o vínculo das comunidades com a terra.
Gastronomia local de Mendoza (Anderson Areias/ Awasi Mendoza)
No campo da gastronomia, o foco se volta para a cozinha regional e suas raízes. Participar de oficinas de empanadas ou cozinhar com famílias locais revela tradições que os restaurantes de luxo nem sempre alcançam. Além disso, os encontros culturais com comunidades que mantêm práticas ancestrais permitem aprender sobre o uso de plantas nativas e rituais cotidianos ligados ao ciclo da natureza.
Noites nos Andes (Anderson Areias/ Awasi Mendoza)
Ao cair da noite, longe das luzes urbanas, Mendoza revela um campo de estrelas impressionante. Bertotto recomenda a observação do céu noturno, que costuma ter o acompanhamento de música local e refeições preparadas em fogões a lenha ou churrasqueiras ao ar livre. É o momento de pausa necessário para absorver a imensidão do cenário andino antes de seguir viagem.