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Emmys 2016 vs 2026: a televisão está mais cara?

Uma década atrás, a série com maior número de vitórias e indicações era necessariamente de drama. Hoje, não é bem assim

Emmy 2026: o que mudou na TV nos últimos 10 anos? (HBO Max/Divulgação)

Emmy 2026: o que mudou na TV nos últimos 10 anos? (HBO Max/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 9 de julho de 2026 às 15h19.

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A lista de indicados ao Emmy 2026, divulgada nesta quarta-feira, 8, foi dominada por séries como The PittHacksO Urso, uma seleção de dramas e comédias cotidianas bastante distinta da televisão "épica" da última década.

Em 2016, Game of Thrones liderava as indicações da premiação. A fantasia de grandes proporções e alto refinamento técnico dominou as manchetes da época por gastar cerca de US$ 10 milhões por episódio. Dez anos atrás, o streaming ainda consolidava seu espaço, temporadas de TV eram mais longas e os maiores orçamentos permaneciam concentrados em poucos títulos excepcionais, como o megahit da HBO.

À primeira vista, pode parecer que essa televisão ambiciosa seria mais cara que uma produção de ficção científica mais discreta, como Pluribus, da Apple TV. No entanto, a série estrelada por Rhea Seehorn teve um orçamento 50% maior que Game of Thrones, de acordo com dados divulgados pela mídia hollywoodiana. A disputa mudou de patamar. Plataformas passaram a tratar suas produções mais prestigiadas como ativos estratégicos para atrair assinantes, fortalecer suas marcas e disputar relevância cultural.

A comparação entre as indicadas ao Emmy de 2016 e de 2026 mostra, porém, que essa escalada não ocorreu de forma uniforme.

Enquanto um grupo restrito de séries passou a operar com orçamentos que superam com folga o antigo teto da televisão, boa parte das produções continua em faixas de investimento semelhantes às de uma década atrás. O resultado é uma indústria mais polarizada, em que poucas obras concentram apostas cada vez maiores e se tornam peças centrais na estratégia das plataformas.

Melhor Drama: 2026 x 2016

Os valores abaixo combinam três tipos de informação: reportagem direta sobre o título, benchmark setorial e estimativas de formato. As estimativas de formato foram compiladas a partir das referências gerais do setor reunidas pela C&I Studios e devem ser lidas com menor grau de precisão.

Indicadas ao Emmy 2016

SérieEmissoraCusto por episódioTipo de dadoFonte
Game of ThronesHBOUS$ 10 milhõesReportagem diretaForbes / Entertainment Weekly (temporada 6)
House of CardsNetflixUS$ 4 milhões a US$ 4,5 milhõesReportagem diretaDigital Spy (painel CAA/Variety)
HomelandShowtime≈ US$ 3,5 milhõesBenchmark setorialLos Angeles Times
Better Call SaulAMC≈ US$ 3 milhõesBenchmark setorialLos Angeles Times
Mr. RobotUSA≈ US$ 3 milhõesBenchmark setorialLos Angeles Times
The AmericansFX≈ US$ 3 milhõesBenchmark setorialLos Angeles Times

Indicadas ao Emmy 2016

SériePlataformaCusto por episódioTipo de dadoFonte
Slow HorsesApple TV+≈ US$ 16,9 milhõesReportagem direta / cálculo a partir de gasto divulgadoForbes
PluribusApple TV+≈ US$ 15 milhõesReportagem diretaRolling Stone
The Gilded AgeHBOUS$ 10 milhões a US$ 12 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Your Friends & NeighborsApple TV+US$ 7 milhões a US$ 10 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
The DiplomatNetflixUS$ 6 milhões a US$ 9 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
ParadiseHulu/20th TVUS$ 6 milhões a US$ 9 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
A Knight of the Seven KingdomsHBOUS$ 6 milhõesReportagemRevista Veja
The PittMaxUS$ 4 milhões a US$ 5 milhõesReportagem diretaIndieWire

Melhor Comédia: 2026 x 2016

Na categoria de comédia, há menos dados públicos de orçamento por episódio do que no drama. O único valor específico disponível para uma indicada de 2016 é o de Veep, baseado em despesas qualificadas registradas pelo crédito fiscal da Califórnia. O número não representa necessariamente o orçamento total da temporada.

Em 2026, também há poucos orçamentos oficiais divulgados. A principal exceção é Only Murders in the Building, cuja faixa aparece como estimativa de mercado. Outros dados disponíveis dizem respeito a cachês de elenco, que não correspondem ao orçamento total da série.

No entanto, a diferença principal é na presença de alguns orçamentos mais altos nas comédias em 2026. A "comédia de pretígio", como Hacks ou The Bear se tornou uma presença comum nas premiações.

Indicadas ao Emmy 2016

SérieEmissoraCusto por episódioTipo de dadoFonte
VeepHBO≈ US$ 2,7 milhõesDado fiscal parcialCrédito fiscal da Califórnia (temporada 5)
Silicon ValleyHBOUS$ 2,5 milhões a US$ 4 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Master of NoneNetflixUS$ 2,5 milhões a US$ 4 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
TransparentAmazonUS$ 2,5 milhões a US$ 4 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Unbreakable Kimmy SchmidtNetflixUS$ 2,5 milhões a US$ 4 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Modern FamilyABCUS$ 2 milhões a US$ 3,5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Black-ishABCUS$ 2 milhões a US$ 3,5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios

Melhor comédia — Emmy 2026

SériePlataformaCusto por episódioTipo de dadoFonte
Only Murders in the BuildingHuluUS$ 5,5 milhões a US$ 7 milhõesEstimativa de mercadoEstimativas citadas por veículos do setor
The BearFX/HuluUS$ 4 milhões a US$ 6 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
HacksMaxUS$ 4 milhões a US$ 6 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Nobody Wants ThisNetflixUS$ 3,5 milhões a US$ 5,5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
ShrinkingApple TV+US$ 3,5 milhões a US$ 5,5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Margo's Got Money TroublesApple TV+US$ 3 milhões a US$ 5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Abbott ElementaryABCUS$ 2,5 milhões a US$ 4 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios
Widow's BayUS$ 2,5 milhões a US$ 4,5 milhõesEstimativa de formatoC&I Studios

O topo da televisão ficou mais caro

O principal contraste aparece entre as produções mais caras de cada período. Em 2016, o teto da categoria de drama era representado por Game of Thrones, com cerca de US$ 10 milhões por episódio. Em 2026, esse valor deixou de ser uma exceção: Pluribus e Slow Horses ultrapassam essa marca, chegando a aproximadamente US$ 15 milhões e US$ 16,9 milhões por episódio, respectivamente.

A diferença não significa que todas as séries passaram a custar esse valor. O que mudou foi o tamanho das apostas máximas da indústria.

A base da indústria não mudou na mesma velocidade

A comparação mostra que a explosão de custos aconteceu principalmente no topo. Em 2016, a diferença entre uma produção como Game of Thrones e as demais indicadas era enorme. Em 2026, várias séries passaram a operar em uma faixa próxima ou superior ao antigo teto da categoria.

Ao mesmo tempo, produções de entrada continuam próximas dos valores anteriores. House of Cards, em 2016, custava cerca de US$ 4 milhões a US$ 4,5 milhões por episódio. The Pitt, em 2026, aparece em uma faixa estimada de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões.

O dinheiro mudou de lugar

A mudança mais importante não foi apenas o aumento dos orçamentos, mas a forma como eles são usados.

Na era de Game of Thrones, grandes investimentos estavam associados principalmente a escala visual: cenários, batalhas e efeitos especiais. Em 2026, parte dos maiores orçamentos está ligada a criadores renomados, elencos de prestígio e ao valor estratégico de uma série para uma plataforma.

Pluribus e Slow Horses mostram essa mudança: são produções caras não apenas pelo que aparece na tela, mas pelo peso de seus nomes, equipes e capacidade de fortalecer uma marca.

A comparação entre os Emmys de 2016 e 2026 não mostra uma indústria em que todas as séries ficaram muito mais caras. Ela revela uma televisão mais polarizada.

O topo da produção premium aumentou de escala: US$ 10 milhões por episódio, antes uma exceção, passou a dividir espaço com projetos acima de US$ 15 milhões. Mas a base da categoria permaneceu relativamente próxima dos valores de uma década atrás.

A televisão de 2026 não é apenas uma televisão mais cara, é um ecossistema em que poucas séries recebem investimentos cada vez maiores. Afinal, para as plataformas, esses títulos deixaram de ser apenas programas e passaram a ser peças centrais na disputa por audiência, prestígio e assinantes.

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