Bad Bunny: visual minimalista criado pela Zara (Kindell Buchanan/PA Images/Getty Images)
Repórter de Casual
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 09h51.
Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 09h57.
O Super Bowl deixou de ser apenas o maior espetáculo esportivo dos Estados Unidos para se consolidar como um dos momentos culturais mais importantes também para a moda. Em 2026, esse movimento ficou ainda mais evidente com marcas, criadores e celebridades disputando a atenção em um palco que vem atraindo um público mais jovem e mais diverso, impulsionado pela era do streaming e pelos cruzamentos cada vez mais fortes com a cultura pop.
Com a transmissão no Peacock, da NBC, e novas oportunidades publicitárias além dos tradicionais comerciais milionários, o evento se tornou um terreno fértil para marcas de moda e beleza que buscam relevância. Tecovas, Oakley e E.l.f. estão entre os nomes que investiram em anúncios, enquanto ativações presenciais em San Francisco reforçaram o Super Bowl como um hub de entretenimento e marketing.
Thom Browne, por exemplo, apresentou sua coleção de outono no GQ Bowl, e a Abercrombie realizou um evento como parceira oficial de moda da NFL.Mas foi no show do intervalo que um dos gestos mais simbólicos dessa interseção entre moda e esporte aconteceu.
Bad Bunny, estrela porto-riquenha e recordista do Grammy, comandou o show do intervalo de 2026 no Levi’s Stadium, em Santa Clara, em uma apresentação histórica. O porto-riquenho foi o primeiro artista a liderar o espetáculo inteiramente em espanhol, transformando o palco em uma celebração cultural. Ao lado de convidados como Ricky Martin e Lady Gaga, o cantor dominou a noite, e também o debate fashion.
Conhecido por escolhas ousadas, Bad Bunny surpreendeu ao adotar um visual minimalista criado pela Zara. O cantor apareceu em um look creme da cabeça aos pés, composto por camisa com colarinho e gravata, calça chino e uma camisa esportiva com o nome “Ocasio” e o número 64. Em possível referência ao ano de nascimento de sua mãe.
A escolha, inesperadamente contida para um palco tão grandioso, parecia carregada de intenção, apesar de poder vestir qualquer maison de luxo, ou até mesmo um designer latino americano, ele optou por uma fast fashion espanhola, sem qualquer discurso por trás.
O contraste se tornou ainda mais evidente quando lembramos que, apenas uma semana antes, Bad Bunny esteve no Grammy usando a primeira criação masculina da Schiaparelli no tapete vermelho.
Nos pés, o cantor usou um par do modelo BadBo 1.0, tênis desenvolvido em colaboração com a Adidas e com lançamento previsto para hoje, 9. Já os acessórios trouxeram o toque de luxo com luvas creme e um relógio Royal Oak, da Audemars Piguet, com caixa de ouro amarelo 18 quilates e mostrador de malaquita. A própria marca suíça descreve a malaquita como uma pedra valorizada por sua cor verde intensa e padrões únicos, formados durante o processo de cristalização — o que faz cada mostrador ser visualmente exclusivo.
Audemars Piguet: Royal Oak, modelo usado por Bad Bunny na apresentação no Super Bowl 2026 (Audemars Piguet/Divulgação)
Mais tarde, Bad Bunny adicionou um blazer creme de abotoamento duplo, também da Zara.
Em um Super Bowl cada vez mais disputado por marcas e narrativas, a escolha do artista sintetiza o novo momento do evento como um espaço onde moda, esporte e cultura pop se misturam, e onde a força de uma imagem pode estar tanto na alta-costura quanto no varejo. “Eu não gosto quando não sinto que fui eu mesmo quem se vestiu”, disse Bad Bunny à Vogue americana.