A Sir Turtle's Sky Brew, cerveja artesanal da Cayman Airways desenvolvida com a Caybrew, é servida exclusivamente a bordo dos voos internacionais da companhia a partir da altitude de cruzeiro (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 24 de junho de 2026 às 14h23.
A Cayman Airways levou executivos a bordo de um avião para provar cerveja como parte do processo de desenvolvimento da Sir Turtle's Sky Brew, uma IPA criada especificamente para ser consumida a 30 mil pés de altitude. A cerveja entrou em voo em 22 de maio de 2025, depois de meses de sessões de teste no chão e durante os trajetos, em parceria com a Caybrew, cervejaria local das Ilhas Cayman.
O produto final tem 5% de teor alcoólico, acabamento suave e notas cítricas calibradas para o ambiente pressurizado de uma cabine.
O princípio técnico por trás disso não é novo, levando em conta que o ar seco e a pressão reduzida em altitude afetam o olfato e o paladar e atenuam percepções de sabor e aroma. A mudança agora está na disposição das companhias de encarar esse problema como um projeto de produto, não apenas como uma limitação operacional.
Paul Tibbetts, CFO da Cayman Airways, resumiu a lógica da iniciativa em entrevista à imprensa americana: "Somos uma extensão das Ilhas Cayman. Se vamos colocar nosso nome em uma cerveja, ela precisa ser exatamente a certa."
A Sky Brew se junta ao rum punch Seven Fathoms já servido a bordo, outra parceria com produtor local, e está disponível de graça para passageiros acima de 18 anos em voos internacionais com mais de 90 minutos, por prazo limitado. Unidades adicionais custam US$ 6,00 (cerca de R$ 34,00).
A Air New Zealand seguiu caminho parecido com bebidas, mas no segmento de vinhos. Em março de 2025, a companhia lançou o rótulo Thirteen Forty Five, nome em homenagem à primeira rota internacional da empresa, um voo Auckland-Sydney em 1940 que cobriu 1.345 milhas.
A linha estreou com dois varietais desenvolvidos com a Villa Maria: um sauvignon blanc com notas de maracujá, capim-limão e ervas e um pinot noir com perfil de cereja, ameixa e violeta, ambos formulados para manter suas características organolépticas durante o voo.
O rótulo Thirteen Forty Five, da Air New Zealand em colaboração com a Villa Maria (Divulgação)
Alisha Armstrong, gerente-geral de experiência do cliente da companhia, disse que a equipe visitou vinícolas em Marlborough para entender as diferenças entre sub-regiões antes de participar ativamente do processo de blending. Os rótulos estão disponíveis na cabine premium economy em voos internacionais e nos lounges da companhia na Nova Zelândia.
A Cloud Cruiser, IPA desenvolvida pela Alaska Airlines em parceria com a Fremont Brewing, de Seattle, foi testada a 30 mil pés antes de chegar ao cardápio dos voos (Divulgação)
A Alaska Airlines foi uma das pioneiras nesse movimento. Em fevereiro de 2024, a companhia lançou a Cloud Cruiser, uma IPA de 6,5% ABV desenvolvida com a Fremont Brewing, cervejaria de Seattle. O processo envolveu testes de múltiplos blends a 30 mil pés até chegar no perfil final, com notas de laranja, melão e frutas tropicais. A cerveja é servida de graça nas classes executiva e premium e custa US$ 8,50 (cerca de R$ 48,00) na classe econômica.
Para a Cayman Airways, o projeto teve uma camada a mais: além de funcionar em altitude, a cerveja precisava representar as ilhas. Mark Haring, gerente de marca da Caybrew, descreveu o resultado como "uma prova de casa antes de você pousar". A bebida está disponível apenas durante o serviço de bordo em altitude de cruzeiro, o que a torna, por definição, impossível de provar em terra.