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A geração Z está ditando novos rumos para o mercado de luxo na Índia

Entre protestos estudantis e a chegada de grifes internacionais, a geração Z indiana reorganiza o consumo de luxo do país em torno de propósito, autenticidade e durabilidade

A atriz indiana Ananya Panday em conjunto oncinha da Chanel, marca que disputa a atenção da geração Z indiana

A atriz indiana Ananya Panday em conjunto oncinha da Chanel, marca que disputa a atenção da geração Z indiana

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 10h36.

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A Índia tem hoje cerca de 377 milhões de consumidores da geração Z, o equivalente a 27% da população do país. Esse grupo já responde por 43% dos gastos domésticos indianos, uma fatia de US$ 860 bilhões, cerca de R$ 4,44 trilhões, segundo relatório do Boston Consulting Group em parceria com o Snapchat. A projeção da consultoria é que esse valor chegue a US$ 2 trilhões, cerca de R$ 10,32 trilhões, até 2035.

Em julho, estudantes indianos tomaram as ruas contra vazamentos de provas e a falta de oportunidades no mercado de trabalho, movimento que terminou na renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em 25 de julho. No dia seguinte, o estilista Tarun Tahiliani abriu sua apresentação na semana de alta-costura de Nova Délhi comentando o episódio, dizendo ter acordado com a sensação de que a Índia havia se reinventado.

Segunda mão vira desejo

Le Mill Mumbai

O interior da Le Mill em Mumbai, loja conceito fundada em 2011 e comprada neste ano pela Burgundy Brand Collective

Um pouco mais ao sul, em Mumbai, a Le Mill construiu ao longo de 15 anos uma reputação como uma das lojas conceito mais influentes do país, apresentando marcas como Saint Laurent, Loewe e Chloé lado a lado com nomes locais. Fundada em 2011 por Cecilia Morelli e Julie Leymarie, a loja foi comprada pela Burgundy Brand Collective no início deste ano, e segue agora apoiada pelo ecossistema do grupo que assumiu o controle da operação.

O mercado de peças usadas de luxo também ganha força no país. Segundo a consultoria TechSci Research, o segmento movimentou cerca de US$ 670 milhões, algo como R$ 3,45 bilhões, em 2025, com crescimento anual projetado de 7% até 2031. A Tata CLiQ Luxury registrou quase o dobro do volume de vendas de bolsas transversais usadas em relação ao ano anterior, enquanto cidades fora das capitais já respondem por 45% das vendas de relógios usados na plataforma.

Punit Anand, fundadora da LuxuryPop em 2015, uma das pioneiras do setor no país, afirmou ao Business Standard que a autenticidade sustenta a confiança do comprador. Toda peça passa por checagem rigorosa de estado e procedência antes de entrar no catálogo, e são os consumidores mais jovens que hoje puxam o crescimento do negócio, atraídos pela chance de ter marcas de grife a um preço mais acessível.

A americana Poshmark tentou o modelo peer-to-peer no país, chegando em 2021 e encerrando as operações locais em outubro de 2023, junto com as saídas da Austrália e do Reino Unido, para concentrar investimentos na América do Norte.

Casamentos sem manual

O designer Ateev Anand fundou a Re-Ceremonial a partir de tecidos reciclados e artesanato têxtil, criando peças cerimoniais que já vestiram nomes como Ananya Panday e Sonam Kapoor. A proposta nasceu de uma encomenda de vestido de noiva com material reaproveitado e hoje ocupa espaço próprio dentro do consumo nupcial indiano, tradicionalmente ligado a grandes investimentos em roupas novas.

A abertura para propostas menos convencionais também trouxe o luxo internacional para o circuito de casamentos do país. Em agosto de 2025, a Elie Saab estreou no Vogue Wedding Atelier, em Nova Délhi, com um vestido inédito em rosa rani, cor ligada à tradição indiana, juntando-se a nomes como Sabyasachi Mukherjee e Manish Malhotra num evento que reúne o que há de mais relevante na moda de noivas do país.

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