SP-Arte Rotas: feira abre ao público nesta quinta-feira, 27 (Divulgação/SP-Arte Rotas)
Repórter de Casual
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h03.
Abriu ao público nesta quinta-feira, 27, a edição de 2026 da SP-Arte Rotas, a "irmã mais nova" — e mais intimista — da tradicional SP-Arte. Até o dia 30 de agosto, o evento reúne 66 galerias e espaços institucionais na Arca, galpão no bairro da Vila Leopoldina, em São Paulo.
Criada para dar visibilidade a projetos curados, artistas em início de carreira e produções fora do eixo Rio-São Paulo, a edição de 2026 reforça a força da capital paulista como um polo artístico para a América Latina. Segundo o relatório mais recente da Art Basel sobre o mercado global de artes plásticas, feito em parceria com o UBS, o mercado brasileiro movimenta cerca de R$ 3,12 bilhões (US$ 560,3 milhões) ao ano, sustentado sobretudo pela vitalidade de eventos como a SP-Arte Rotas.
Para as galerias, cujo faturamento vem, sobretudo, da exposição em feiras (35%, mostra o relatório), o cenário é animador. Boa parte das obras expostas na feira está à venda — algumas já foram vendidas, outras estão ali apenas para exposição.
"A SP-Arte Rotas foi criada a partir desse convite de olhar para fora da cidade de São Paulo, de olhar para a produção brasileira como um todo. Nessa edição, no entanto, há uma novidade muito importante: convidamos essa mirada a chegar para além da fronteira do Brasil, também para os outros territórios da América Latina", conta Bernardo Mosqueira, diretor artístico da feira em entrevista à Casual EXAME.
Mirante, o coração da SP-Arte Rotas (Divulgação/SP-Arte Rotas)
Com quase 70 galerias, a Rotas é menor que a irmã mais velha, mas ainda tem uma variedade extensa e interessante de artes expostas. Um dos maiores destaques desse ano é o painel de cerâmica de Carybé, de quase oito metros de comprimento, produzido em 1957. A obra é inédita no Brasil e foi trazida especialmente pela galeria uruguaia SUR.
No coração da feira está o Mirante, com a exposição "Primeiro Estudo sobre a Paisagem", com cerca de 70 obras de 50 artistas. Além de diretor artístico da feira, Mosqueira também assina a curadoria desse espaço em específico, um dos maiores no galpão.
"Vindos de quase 10 países da América Latina, reunimos trabalhos feitos do começo do século XX até agora, numa grande investigação crítica sobre a ideia da paisagem. A ideia é refletir sobre a relação com ecologia, com história, com modernidade, com tecnologia, com espiritualidade, com erotismo, intimidade, com a nossa relação com a Terra, com a nossa relação com a água", complementa o curador.
Atlantes, 1988, de Adriana Varejão (Edouard Fraipon)
A seleção de mestres não para por aí. Pelos estandes, o público encontra diálogos que colocam lado a lado a força ambiental das esculturas de Frans Krajcberg, vindas da estreante Casa Seva, e a investigação cromática de ícones como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Tomie Ohtake, Alfredo Volpi e Iberê Camargo, trazidos à feira pela Flexa.
"O estande é todo dedicado a pensar como a cor se comporta nas obras de arte, como pode ativar diversos estados de espírito e ter diversos sentidos, dependendo do ambiente cultural em que ela se encontre", explica Luisa Duarte, sócia-fundadora e diretora artística da galeria à Casual EXAME.
Obra de Anish Kapoor em alumínio policromado (Mario Grisolli)
A galeria carioca apresenta ainda obras de Andy Warhol, Alexander Calder e Anish Kapoor, em seu longo estudo sobre a cor amarela. "Essa cor teve um significado muito importante para o Kapoor. Ele a encontra pela primeira vez nos mercados indianos de especiarias e, desde então, começou a trabalhar tipos de amarelos ao longo de toda a sua trajetória", completa Duarte.
Em 2026, o evento conecta mestres históricos da arte moderna e nomes globais a uma nova geração de criadores. Para quem busca novos nomes da arte dita popular, o estande do projeto Novos para Nós, liderado por Renan Quevedo, exibe obras como as telas sobre chapas metálicas de Ju Cabeleireiro, que retratam o interior mineiro.
Obra de Rafael Kamada, óleo sobre tela (Julia Thompson)
Para além dos artistas globais, a SP-Arte Rotas desse ano se destaca pela força da arte latino-americana. O número de galerias da América do Sul, por exemplo, dobrou em relação ao ano passado.
Além da galeria SUR, destacam-se também a galeria argentina Barro, que traz uma individual de La Chola Poblete, e a portenha Isla Flotante, que apresenta telas de Tobias Dirty. Entre as brasileiras que expõem latino-americanos, a Casa Triângulo exibe obras do argentino Matías Duville, e a Leme mostra esculturas do paraguaio Jorge Enciso e tapeçarias da peruana Olinda Silvano Inuma.
Para a arte nacional, há muitos representantes novos e antigos. Entre os destaques, a Claraboia exibe uma coleção de Ana Sant’Anna, Bernardo Liu, Emer Freire, Hugo Sá, Jane Batista, Rafael Kamada e Samara Paiva, que aparecem em diálogo com Gabriel Ribeiro, Gabriel Roemer, Isabel Cordovil, Loren Minzú, Mandú, Paula Juchem e Vicente Balter. São artistas com os quais, em sua maioria, a galeria já vem construindo relações por meio de exposições, participações em feiras e outros projetos.
Vista aérea da SP-Arte Rotas de 2026 (Divulgação/SP-Arte Rotas)
A presença de projetos especiais é outro dos pontos fortes da feira. A Galeria Jaider Esbell, de Roraima, leva trabalhos dos artistas indígenas Bartô Macuxi e Isais Miliano Patamona. A Casa do Povo expõe telas do povo Maxakali, inspiradas em narrativas mitológicas, cujas vendas serão 100% revertidas para o fundo de bem-estar da aldeia.
A feira abriu as portas na quarta-feira, 26, para convidados. A partir dessa quinta-feira, 27, está aberta ao público geral, com ingressos a partir de R$ 60 (meia entrada). O endereço é Av. Manuel Bandeira, 360, no bairro Vila Leopoldina em São Paulo (SP).