A calça capri virou uma das apostas mais fortes do guarda-roupa 2026, unindo alfaiataria e nostalgia (Divulgação/Rotate)
Jonalista colaborador
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 12h21.
As buscas por calça capri cresceram 225% nos últimos três meses em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a plataforma de moda Lyst. Levantamento da Heuritech mostra outro recorte do mesmo movimento: a versão legging da capri teve alta de 126% na visibilidade entre consumidoras europeias em abril, e de 70% nos Estados Unidos, também na comparação anual. A projeção da empresa é de que o crescimento continue nos próximos 12 meses, com alta de 41% na Europa e 30% nos Estados Unidos.
Os números ajudam a explicar por que a peça criada pela designer alemã Sonja de Lennart no fim dos anos 1940 voltou a dominar as ruas de Paris, Nova York e Milão neste verão, e por que tantos veículos de moda vêm dedicando matérias inteiras à pergunta de sempre: a calça capri funciona?
Ralph Lauren e Proenza Schouler trouxeram a capri para as passarelas com cortes limpos e tecidos estruturados (Divulgação)
A resposta das grifes veio nas passarelas da temporada primavera-verão 2026. A Ralph Lauren e a Proenza Schouler apresentaram versões de alfaiataria limpa e paleta contida. A Akris seguiu por um caminho parecido, com cortes retos e tecidos estruturados. A Sandy Liang preferiu explorar o lado mais lúdico da peça, com estampas florais e acabamentos em renda.
No street style das semanas de moda, a calça apareceu combinada a blazers com cinto, como no look usado por Alexa Chung, e a blusas de gola marcante, como a de Keri Russell. Fora dos desfiles, apareceu também em looks de Bella Hadid, Emily Ratajkowski e Hailey Bieber no verão passado, quando a peça começou a circular entre it girls antes de virar tendência de fato.
Bella Hadid e Jennifer Lopez apostam na capri em looks de rua, cada uma com sua leitura do modelo (Reprodução/Instagram)
A calça original, usada por Audrey Hepburn, Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, ficou associada a uma elegância descontraída que atravessou décadas. Mas a peça sempre gerou controvérsia. Nos anos 1960, a atriz Mary Tyler Moore usou o modelo como a personagem Laura Petrie na série "The Dick Van Dyke Show", e o figurino virou escândalo. Poucas atrizes usavam calças na televisão da época, e a produção considerou que o corte dava definição demais ao corpo de Moore. Ela só podia usar a peça em uma cena por episódio, para não incomodar os patrocinadores.
Nos anos 2000, a capri voltou em versão baixa, com barra na altura da panturrilha, geralmente em jeans, acompanhada de cinto largo e top curto. Rihanna e Jennifer Lopez usaram o modelo com frequência nessa época, e essa é a versão que ainda pesa contra a peça hoje, lembrada como um dos maiores exageros de estilo da década.
O que diferencia a onda atual é a forma como a peça está sendo vestida, pois agora, em vez da produção carregada dos anos 2000, a capri de 2026 aparece associada a peças de cima mais estruturadas, como blazers e camisas soltas, dentro de uma lógica próxima do vestir discreto que também domina outras tendências da temporada. A categoria de calças cropped até o joelho, que inclui a capri, deve crescer 57% na Europa e 34% nos Estados Unidos ao longo do verão, segundo a mesma pesquisa da Heuritech.
O corte na altura da panturrilha segue como o ponto mais delicado do modelo, e a recomendação mais comum entre quem trabalha com estilo é evitar a parte mais larga da perna, optando por um comprimento que termine logo abaixo dela ou mais próximo do joelho. A escolha do tecido também separa as versões mais bem recebidas das que lembram roupa de academia, com tailoring e denim aparecendo à frente das opções em malha elástica.