Elton John: segundo o músico, roupas e acessórios passaram a ser elementos que ajudaram a ampliar o personagem para o público (Jonathan Bachman/Reuters)
Repórter de Marketing
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 12h04.
Quando Elton John subir ao palco do Rock in Rio nesta segunda-feira, 7, o público estará diante de um artista cuja influência ultrapassa as playlists musicais. Aos 79 anos, o cantor volta ao país para uma espécie de adeus ao público brasileiro, que ficou de fora de sua turnê de despedida, encerrada em 2023.
Para o show, o público pode esperar uma característica que acompanha o cantor desde o início da carreira: a capacidade de transformar uma apresentação musical em um espetáculo visual. Óculos gigantes, plataformas, cristais, plumas e figurinos assinados por estilistas famosos fizeram parte de uma construção estética que, décadas depois, ainda aparece no trabalho de artistas como Lady Gaga e Harry Styles, além de coleções de grifes como Gucci.
Elton John também é referência na construção de uma identidade artística ímpar. Nos anos 1970, levou ao palco uma combinação de virtuosismo ao piano, teatralidade e excessos visuais que ajudaram a ampliar a ideia de "estrela do pop".
Transformação musical e estética podem ser acompanhadas ao longo de seus discos. De um pianista e compositor em ascensão a um artista reconhecido pelo glamour, Elton John foi construindo sua assinatura ao longo de diferentes fases da carreira.
Antes dos figurinos brilhantes, havia apenas um piano. Lançado em 1970, o disco Elton John apresenta um músico ainda em processo de construção de sua identidade. O álbum combina pop, rock, gospel e arranjos orquestrais, além de mostrar uma característica que permaneceria central na carreira de Elton John: transformar o piano em protagonista.
Também é nesse momento que se consolida sua parceria com Bernie Taupin. Enquanto Taupin escrevia as letras, Elton criava as melodias. A divisão de funções se tornaria uma das marcas de sua carreira, e daria ao músico uma base autoral sobre a qual ele poderia construir, nos anos seguintes, uma persona cada vez mais elaborada.
Dois anos depois, a transformação no estilo de Elton John começa a aparecer, no visual e na própria estrutura musical. Honky Château foi o primeiro álbum gravado com a formação que se tornaria sua banda clássica. Com isso, o piano passa a funcionar dentro de uma banda com identidade própria, e Elton John começa a ocupar um espaço diferente: o de líder do palco.
O disco chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos, feito inédito para ele até então, e inclui o hit Rocket Man, uma das músicas que ajudariam a consolidar seu repertório.
É também o período em que Elton John começa a afastar sua imagem da figura convencional do pianista. Com inspirações do glam rock, o cantor passa a adotar figurinos mais divertidos. Posteriormente, ele contou em diferentes entrevistas que, por estar sentado ao piano, sentia que precisava encontrar uma forma de criar impacto visual. Com isso, roupas e acessórios passaram a ser elementos que ajudaram a ampliar o personagem para o público.
Goodbye Yellow Brick Road é a explosão do universo Elton John. Lançado em 1973, o álbum acabou se transformando em um disco duplo, com 17 faixas e cerca de 76 minutos. A quantidade de material é um reflexo do momento criativo de Elton e Taupin, que transitavam entre rock, pop, baladas e canções "com cara de hit instantâneo".
A dimensão do álbum encontra um equivalente no visual que o artista começava a construir. A partir de 1974, o estilista americano Bob Mackie, conhecido por criar figurinos extravagantes para artistas como Cher, Tina Turner e Diana Ross, passou a desenvolver alguns dos looks mais emblemáticos de Elton John. Entre eles está o famoso uniforme dos Los Angeles Dodgers coberto de cristais, usado pelo cantor em 1975.
É nessa época que peças com lantejoulas, plumas, botas de plataforma e outros elementos são deliberadamente utilizados em excesso. O figurino passa a cumprir uma função que vai além de vestir o artista, ajudando a construir uma aura de "diva pop".
A "era extravagante" de Elton John é referência na moda até hoje. Em 2017, a Gucci lançou uma coleção-cápsula inspirada em figurinos do cantor. Cinco anos depois, muitos dos looks utilizados por Harry Styles durante a Love On Tour foram comparados aos de Elton John.Os anos 1980 trouxeram uma nova linguagem visual para o consumo de música. Os videoclipes começavam a ganhar espaço, a MTV mudava a relação entre artistas e público e a estética oitentista substituía boa parte do imaginário da década anterior.
Elton John, no entanto, havia acumulado elementos suficientes para transformar sua imagem em uma espécie de código: piano, óculos, humor, exagero, teatralidade e a maneira particular de ocupar o palco. Essa combinação foi mantida pelo músico, o que ajuda a explicar a longevidade de sua influência.
O álbum também marcou a retomada da parceria com Bernie Taupin e trouxe sucessos como I’m Still Standing e I Guess That’s Why They Call It the Blues.
Em The One, a moda passa a fazer parte do conceito do álbum e marca uma nova fase visual para Elton John. O responsável por boa parte dessa transformação foi Gianni Versace, que desenhou a capa do disco, os figurinos do cantor e sua banda, além de todo o cenário da turnê. A imagem que aparece na capa foi feita pelo fotógrafo francês Patrick Demarchelier, famoso por seus trabalhos no mundo fashion.
Entre os figurinos marcantes da época, o terno roxo de seda da Versace, acompanhado de um boné da Nike, é sempre lembrado.