Carreira

‘Esse erro no LinkedIn pode travar suas chances de emprego’, diz executivo da plataforma

Milton Beck, diretor geral do LinkedIn, explica como uma prática muito comum pode reduzir visibilidade para recrutadores na maior rede social de empregos

Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África: “As empresas não querem ficar restritas só a quem está aplicando para vaga. Elas querem acessar o universo inteiro de profissionais” (Leandro Fonseca /Exame)

Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África: “As empresas não querem ficar restritas só a quem está aplicando para vaga. Elas querem acessar o universo inteiro de profissionais” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 15h06.

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O erro parece pequeno e justamente por isso passa batido. Você monta o perfil, preenche o básico, deixa tudo “bonitinho”, mas some. Para Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África, essa é uma das armadilhas mais comuns (e silenciosas) para quem quer ser visto por recrutadores: tratar o LinkedIn como um currículo parado, que um dia, por sorte, vai render a vaga dos sonhos.

O erro mais comum é você fazer o perfil e deixar lá”, afirma Beck.

Na lógica da plataforma, não basta existir: é preciso sinalizar movimento, interesse e coerência. E isso vale tanto para quem está desempregado quanto para quem só quer destravar a próxima oportunidade, porque, hoje, a vitrine profissional funciona o tempo todo, mesmo quando você não está “procurando emprego”.

Esse comportamento ganha ainda mais peso num cenário em que o recrutamento deixou de ser apenas reativo. Se antes empresas publicavam vagas e aguardavam candidatos, hoje boa parte das contratações começa com a busca ativa, e isso significa que perfis pouco atualizados ou sem atividade tendem a simplesmente desaparecer do radar.

Segundo Beck, apenas cerca de 30% dos usuários estão buscando emprego ativamente. A maioria usa a plataforma para networking, aprendizado e posicionamento profissional.

“As empresas não querem ficar restritas só a quem está aplicando para vaga. Elas querem acessar o universo inteiro de profissionais”, afirma. Ou seja: quem mantém presença consistente amplia as chances de ser lembrado mesmo sem estar em busca explícita.

O que diferencia um perfil “parado” de um perfil competitivo

Para o executivo, não se trata necessariamente de postar todos os dias ou virar influenciador corporativo. O ponto central é demonstrar evolução profissional e coerência com seus objetivos. Atualizar conquistas, comentar conteúdos relevantes, seguir empresas estratégicas e manter conexões ativas já fazem diferença.

Outro equívoco comum é enxergar o LinkedIn apenas como um banco de vagas.

“O perfil não é uma coisa estática. É uma ferramenta ativa”, diz Beck.

Isso inclui mostrar resultados concretos das experiências profissionais, não apenas listar cargos, e deixar claras as habilidades que você quer desenvolver.

A mudança no que as empresas buscam

Essa necessidade de presença contínua se conecta a outra transformação do mercado: a crescente valorização das habilidades. Diplomas seguem importantes, mas já não são o único filtro. Empresas procuram profissionais capazes de resolver problemas reais, e isso envolve tanto competências técnicas quanto habilidades comportamentais.

Comunicação, empatia, capacidade de adaptação e colaboração ganharam protagonismo, especialmente após a pandemia. Beck destaca que muitas demissões ou trocas de emprego não acontecem apenas por salário, mas pela relação com a liderança direta e pelo ambiente de trabalho.

“Se a relação com o chefe não é boa, a pessoa acaba saindo, mesmo que a empresa seja ótima”, afirma.

Veja também: Mais de 50% dos brasileiros querem mudar de emprego em 2026, aponta pesquisa do LinkedIn

O básico que ainda faz diferença

Apesar de toda a sofisticação tecnológica, alguns fundamentos continuam decisivos. Foto profissional, resumo claro sobre quem você é, descrição objetiva das conquistas e rede ativa ainda pesam na visibilidade. E, para quem mira carreira internacional, Beck recomenda ter o perfil em mais de um idioma.

No fim das contas, o LinkedIn deixou de ser apenas um lugar para procurar emprego e virou uma espécie de identidade profissional dinâmica. Quem entende isso tende a aparecer mais, e antes, quando surgem as melhores oportunidades.

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