Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn: “Eu não sou o meu cargo. Eu sou minhas habilidades, minha capacidade de construir e me relacionar” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 18h48.
Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 19h52.
Salário continua sendo o principal motivo que leva brasileiros a trocar de emprego — mas está longe de ser o único. Segundo Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África, a decisão de mudança hoje passa também por mais 3 motivos: qualidade de vida, perspectivas de crescimento e, principalmente, a relação com a liderança direta.
“Remuneração e benefícios é o número um”, afirma Beck. Ainda assim, ele diz que o mercado vive uma transformação mais profunda. Depois da pandemia, muitos profissionais passaram a questionar não apenas quanto ganham, mas como trabalham e o impacto da rotina na vida pessoal.
Nesse novo cenário, a busca por flexibilidade, modelos híbridos e equilíbrio entre carreira e bem-estar ganhou peso nas decisões. Soma-se a isso a expectativa de evolução mais rápida na carreira — e a frustração quando esse crescimento não acontece.
“A empresa pode ser a melhor do mundo. Se a sua relação direta com o seu chefe não é boa, você tem que sair”, diz o executivo em entrevista exclusiva ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.
Mais do que salário competitivo, Beck afirma que hoje profissionais procuram ambientes onde possam se desenvolver, ser reconhecidos e manter uma rotina sustentável. Para as empresas, isso significa que atrair e reter talentos passa cada vez menos por benefícios isolados e mais por cultura, gestão e propósito.
“Se você não sabe lidar com pessoas, a chance de ter uma equipe de sucesso é pequena”, diz.
A própria trajetória de Beck ajuda a explicar essa mudança. Formado em engenharia mecânica, ele começou na indústria de autopeças, trabalhou com computação gráfica, empreendeu importando carrinhos de bebê da China nos anos 1990, passou 13 anos na Microsoft e, desde 2012, está no LinkedIn — onde acompanhou a expansão da plataforma no Brasil de cerca de 5 milhões para mais de 90 milhões de usuários.
Para ele, a ideia de carreira linear é cada vez menos realista.
“A gente pensa que a carreira é toda planejada, mas, na prática, ela é uma série de decisões e oportunidades”, afirma o diretor-geral do LinkedIn.
Para ele, curiosidade intelectual, capacidade de adaptação e visão sistêmica dos negócios foram habilidades decisivas nessa trajetória.
Uma das transformações mais visíveis no mercado de trabalho, segundo Beck, é a migração do recrutamento baseado apenas em formação acadêmica para a contratação por habilidades.
Isso não significa que diploma perdeu relevância, mas que ele deixou de ser o único critério. Hoje, empresas buscam profissionais capazes de resolver problemas específicos, com competências técnicas e comportamentais alinhadas às demandas reais do trabalho.
“As empresas estão buscando pessoas para resolver problemas e, muitas vezes, o mais importante é a habilidade que elas têm, não só onde estudaram”, diz.
Essa mudança também reforçou o peso das chamadas soft skills, como comunicação, empatia, resiliência e capacidade de adaptação — habilidades que ganharam destaque especialmente durante a pandemia, quando equipes precisaram se reorganizar rapidamente.
Outro vetor dessa transformação é a inteligência artificial. Segundo Beck, o LinkedIn já utiliza IA há anos para recomendar vagas, conexões e conteúdos, mas o avanço recente ampliou o impacto dessas ferramentas.
Hoje, a tecnologia ajuda desde a construção de perfis profissionais até processos de recrutamento e treinamento. A expectativa não é substituir o trabalho humano, mas liberar tempo para tarefas estratégicas.
“As tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto o humano fica com o que exige análise, criatividade e relacionamento”, afirma.
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Para quem quer aumentar visibilidade profissional por meio do LinkedIn, Beck recomenda alguns passos básicos:
Ele alerta para um erro comum: tratar plataformas profissionais apenas como banco de currículos.
“Perfil parado dificilmente gera oportunidade”, afirma.Ao refletir sobre carreira, Beck diz carregar um conselho que recebeu no início da trajetória: não confundir identidade profissional com cargo.
“Eu não sou o meu cargo. Eu sou minhas habilidades, minha capacidade de construir e me relacionar”, afirma.
Para ele, essa visão ajuda a lidar melhor com mudanças e transições inevitáveis ao longo da vida profissional.
No fim, sua definição de sucesso vai além de remuneração ou posição hierárquica: envolve impacto positivo, evolução pessoal e desenvolvimento das pessoas ao redor.
“Meu sucesso é quando a empresa cresce, os usuários têm resultado e meu time evolui junto”, diz executivo do LinkedIn.
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