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Como a tokenização pode redefinir o valuation de empresas

Em artigo, CEO de venture builder analisa como a combinação entre nuvem e blockchain cria empresas mais eficientes e reduz descontos por incerteza no mercado

A tokenização transforma ativos estáticos em unidades dinâmicas de valor para o mercado financeiro (blackdovfx/Getty Images)

A tokenização transforma ativos estáticos em unidades dinâmicas de valor para o mercado financeiro (blackdovfx/Getty Images)

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Publicado em 20 de abril de 2026 às 17h00.

Por Renan Georges*

Historicamente, ativos empresariais estavam ancorados em elementos relativamente tangíveis ou, no mínimo, estáveis: infraestrutura, contratos, fluxo de caixa previsível, posição de mercado.

Mesmo quando intangíveis, como marca ou base de clientes, esses ativos eram avaliados a partir de proxies consolidados e com baixa variabilidade estrutural.

A computação em nuvem altera a forma como ativos são construídos. Empresas deixam de depender de estruturas fixas e passam a operar sobre arquiteturas modulares, onde capacidade, processamento e armazenamento são ajustáveis em tempo real.

A mudança na arquitetura operacional e de valor

Isso reduz o peso do ativo físico, mas aumenta a relevância da arquitetura operacional. Como os sistemas são organizados, como os dados são estruturados e como os processos se conectam.

Blockchain introduz uma segunda camada nessa transformação: a capacidade de representar, registrar e transferir ativos de forma nativa, programável e verificável.

A tokenização não é apenas a digitalização de um ativo existente, mas a possibilidade de fracionar, recombinar e transferir direitos econômicos com uma granularidade que não existia anteriormente.

Dinamismo e redução de atrito no mercado

Isso altera a natureza do ativo. Ele deixa de ser apenas um elemento estático e passa a ser uma unidade dinâmica de valor, que pode ser reorganizada, precificada e transferida com maior frequência e menor fricção.

Em mercados mais líquidos, isso tende a reduzir assimetria de informação e a aproximar preço de valor.

Em processos de investimento e M&A, o que está sendo analisado deixa de ser apenas a capacidade de geração de caixa no tempo e passa a incluir a qualidade da estrutura que suporta esse fluxo.

A qualidade da estrutura como diferencial de preço

Empresas com ativos mais bem organizados, como dados estruturados, processos automatizados, contratos claros e, potencialmente, ativos tokenizáveis, tendem a apresentar maior previsibilidade e maior facilidade de transferência.

Quanto menor o atrito para que um ativo seja compreendido, validado e incorporado por um terceiro, menor o desconto aplicado pelo mercado.

Nesse sentido, a combinação entre nuvem e blockchain atua diretamente na redução desse atrito: a primeira organiza a operação, a segunda organiza o registro.

O novo modelo de valuation empresarial

Isso cria um novo tipo de empresa. Menos dependente de estruturas rígidas e mais dependente da qualidade da sua arquitetura.

Menos baseada em ativos isolados e mais na capacidade de organizar e transferir esses ativos de forma eficiente.

Construir valor deixa de ser apenas uma questão de crescimento e passa a ser uma questão de como esse crescimento é estruturado.

Conclusão: Arquitetura versus Crescimento

A forma como dados são organizados, contratos são desenhados e ativos são registrados passa a influenciar diretamente o valuation percebido pelo mercado.

Essa transformação altera como o mercado interpreta risco e precifica valor. À medida que ativos passam a ser mais estruturados, rastreáveis e transferíveis, o desconto aplicado à incerteza tende a diminuir.

O que se observa, portanto, é um deslocamento nos critérios de avaliação, em que arquitetura passa a ter peso equivalente, ou superior, ao próprio crescimento.

*Renan Georges é fundador e CEO da Zavii Venture Builder.

 

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