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Startup lança peito de frango mush-based, à base de fermentação de fungo

Com a novidade, a Typcal projeta quintuplicar seu faturamento até 2025

Eduardo Sydney, CTO (à esq.), e Paulo Ibri, CEO (Typcal/Divulgação)

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Publicado em 28 de junho de 2023 às 17h30.

Última atualização em 28 de junho de 2023 às 17h38.

Em ritmo acelerado de crescimento, a foodtech Typcal anuncia o desenvolvimento da primeira tecnologia de fermentação proprietária da América Latina. Com a novidade, a empresa entra no segmento de cortes inteiros com o primeiro peito de frango à base de micélio do Brasil, além de iniciar uma nova categoria de produtos do segmento: a mush-based. 

O produto possui apenas três ingredientes em sua composição: aromatizante natural, micélio e amido, com baixíssimo teor de gordura. Tais características que, até o momento, não existiam nos produtos plant-based, tornam o produto uma opção clean-label e saudável. A expectativa é que a novidade esteja disponível para venda até agosto deste ano, em restaurantes parceiros da marca.    

Como a Typcal criou seu mush-based?

Desenvolvida com capital próprio, a nova tecnologia é fruto de mais de dois anos de pesquisa de um time multidisciplinar de biotecnólogos, biólogos e engenheiros de alimentos. Para produzir o filé de frango foi utilizado o processo de fermentação de biomassa de micélio, ou seja, a base de um fungo – cogumelo – comestível. Ao ser fermentado em um biorreator, em ambiente controlado de alimentação, temperatura e umidade, ele assume a textura que se assemelha em 99% ao de um filé de frango de origem animal. 

O grande atrativo do produto, no entanto, vai além da aparência, textura e a alta qualidade nutricional. Esse tipo de tecnologia se apresenta hoje como a opção mais escalável entre os processos que estão sendo estudados pelos players do mercado, como a carne cultivada e a impressão 3D. “Ao apostar na biotecnologia, descobrimos uma opção mais acessível para criar alimentos mais nutritivos e saudáveis, sem deixar de lado quesitos como sabor, textura, cor e consistência, importantes demandas do nosso público-alvo”, diz Paulo Ibri, CEO da Typcal.

A Typcal projeta que, em cinco anos, os produtos à base de micélio (mush-based) custem o equivalente ou até 15% a menos que um produto de origem animal – consolidando a carne à base de proteínas alternativas como a opção mais barata, nutritiva e saudável para o consumidor.   

Com a nova frente de produto, a Typcal também espera quintuplicar seu faturamento até o ano de 2025 e avançar na disputa pela preferência do consumidor. “Queremos fazer parte da alimentação do dia a dia do brasileiro e, para isso, precisamos oferecer um produto que garanta sabor, nutrição, saudabilidade, custo acessível e que deixe de ser processado, assim como as alternativas plant-based no mercado. Estamos muito confiantes nesse projeto e certos de que os produtos mush-based serão o começo de uma nova fase da alimentação à base de proteínas alternativas no Brasil”, afirma Paulo. 

Ainda de acordo com o CTO da empresa, Eduardo Sydney, os cogumelos (também provenientes dos fungos) já são uma fonte muito interessante de proteínas e fibras. "Com essa nova tecnologia conseguimos unir o melhor do reino dos fungos com o nosso prazer de comer carne", diz Sydney. 

Mercado em expansão

De acordo com a ONU, em 2030, haverá 2 bilhões de pessoas a mais no planeta, resultando em uma demanda 60% maior por alimentos e um claro sinal de que não haverá proteína disponível para todos, ao menos da forma como se conhece atualmente. 

Somada a esse cenário, segundo pesquisa recente do GFI Brasil, quase um terço da população brasileira também já se define como flexitariana, ou seja, pessoas que escolheram reduzir o consumo de proteína animal ao longo de sua rotina. Tendo como principal motivador a saúde, esse grupo é hoje o principal público-alvo da indústria de alimentos à base de vegetais, cujo crescimento foi de 11% nos últimos cinco anos. 

A Typcal, como uma das empresas do setor, também manteve o ritmo de crescimento, alavancando investimentos e expandindo operações. Em 2022, a foodtech brasileira recebeu um aporte de R$ 4 milhões e registrou um crescimento de 50% em comparação com 2021. Além disso, o ex-treinador de voleibol Bernardinho integrou o corpo societário da empresa ao lado de seu filho, Bruninho. 

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