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RepCast: segundo presidente do Google Brasil, reputação exige confiança

O algoritmo da confiança, a democratização da IA e o ecossistema que impacta bilhões de usuários

Fábio Coelho, presidente do Google Brasil (RepCast / YouTube/Reprodução)

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Publicado em 1 de agosto de 2026 às 13h00.

Por muito tempo, o avanço tecnológico foi visto por muitos apenas sob a ótica da infraestrutura e dos códigos. Para Fábio Coelho, presidente do Google Brasil há 15 anos, essa visão isolada ignora o fator central: a tecnologia serve a um gigantesco ecossistema de pessoas, comunidades e negócios. 

“Nós servimos a comunidades gigantescas, como mais de 150 mil criadores de conteúdo que permitiram o florescimento da economia criativa no YouTube, e mais de 600 mil desenvolvedores de aplicativos”, afirma Coelho durante sua participação no RepCast, videocast da FSB Holding.

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A quebra do mito: da complexidade à IA no bolso

Para Fábio, uma grande transformação ocorreu quando foi preciso romper uma visão limitante sobre a Inteligência Artificial: a de que ela é uma novidade distante ou inacessível. 

O executivo lembra que a IA já está embarcada nos produtos da empresa há pelo menos dez anos, mas que a grande revolução recente foi o acesso popular aos modelos de linguagem (LLMs).

Foi dessa mudança que surgiu uma verdadeira democratização tecnológica. A tecnologia deixou de ser apenas para especialistas e, como define o executivo, "o gênio saiu da garrafa"

Hoje, qualquer pessoa passou a ter nas mãos um assistente de bolso pleno, multimodal e conversacional, atuando como um agente potencializador de suas capacidades diárias.

Geração de valor como estratégia de transformação

De acordo com o presidente do Google Brasil, a tecnologia só cumpre seu papel social se for capaz de gerar autonomia e produtividade. Foi dessa lógica que surgiu, por exemplo, um grande treinamento realizado pela empresa no ginásio do Ibirapuera, reunindo quase 7.000 mulheres microempreendedoras. 

A IA foi apresentada para resolver dores reais dessas mulheres — que se dividem entre a casa, a família e os negócios —, ajudando a criar catálogos de vendas, gerenciar redes sociais e estruturar cartas padrão de atendimento a clientes.

Segundo ele, mudar e fortalecer a matriz tecnológica nacional é condição necessária para ampliar o desenvolvimento local de ponta. Essa estratégia aparece com força no recém-inaugurado escritório de engenharia no IPT Open, em São Paulo. 

O espaço abrigará 400 engenheiros que, somados aos 300 de Belo Horizonte, formam um polo com cerca de 750 profissionais dedicados a desenvolver soluções e inovações baseadas na realidade brasileira para o mundo.

Tecnologia, autonomia e o detox digital

Na visão do executivo, o uso da inovação e a liberdade caminham juntos. Para ele, a tecnologia deve atuar como um "habilitador de atividade", garantindo produtividade para que sobre tempo para o que realmente importa.

A reflexão aparece diretamente conectada à capacidade de estabelecer limites. Na contramão do esperado para o líder da maior empresa de buscas do mundo, Fábio destaca a necessidade de um "detox de tecnologia". 

Para preservar a convivência com a esposa e as três filhas, ele evita telefones durante as refeições, assumindo que a verdadeira autonomia passa por renunciar à hiperconexão o tempo todo.

Confiança e reputação como ativos estratégicos

Por trás da expansão do ecossistema do Google — que hoje conta com 13 plataformas globais com mais de 1 bilhão de usuários cada —, existe um elemento que Fábio considera inegociável: a confiança

Como os produtos da marca passam no que ele chama de "teste da escova de dente" (são funcionais e usados diversas vezes ao dia), as pessoas depositam neles informações altamente sensíveis.

As regras são objetivas: atuar com transparência, respeitar a privacidade dos dados (como preconiza a LGPD) e aplicar princípios éticos ao uso da IA. O Google, inclusive, se posiciona a favor de uma regulação digital colaborativa, que proteja a sociedade sem castrar a capacidade de empreender.

Para o executivo, reputação não se sustenta apenas na inovação, mas na construção de relações saudáveis, na descentralização das decisões e na humildade de não achar que se tem todas as respostas. 

Em um ambiente orientado pelo avanço tecnológico exponencial, a confiança — e o legado de ser lembrado como "uma boa pessoa" — consolida-se como a variável estratégica mais importante do negócio. 

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