Atentado deixa 11 feridos na Colômbia a seis dias da posse de Espriella (Schneyder Mendoza/AFP)
Redação Exame
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 12h47.
A menos de uma semana da posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella, a Colômbia foi alvo de um novo atentado: pelo menos 11 pessoas ficaram feridas na explosão de um caminhão-bomba neste sábado, 1º, no nordeste do país, perto da fronteira com a Venezuela.
A explosão aconteceu na madrugada de sábado ao lado de uma delegacia de polícia na cidade de Cúcuta, a quase 400 quilômetros de Bogotá. Jornalistas da AFP observaram o veículo em chamas, fachadas destruídas e policiais, militares e moradores reunidos na área do atentado.
Segundo balanço preliminar divulgado pelo governo do departamento de Norte de Santander, onde ocorreu o ataque, oito policiais e três civis ficaram feridos, em meio à pior onda de violência da última década na Colômbia.
"É um fato atroz, violento (...) e é lamentável o que aconteceu", declarou George Quintero, secretário de Segurança do departamento. As autoridades oferecem uma recompensa equivalente a 32 mil dólares (162 mil reais) por informações que levem à captura dos responsáveis.
O advogado milionário, líder da extrema direita, assumirá o poder em 7 de agosto, sucedendo Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país.
Em publicação na rede social X, De la Espriella condenou "com absoluta firmeza o covarde atentado terrorista perpetrado em Cúcuta contra a nossa Polícia Nacional" e afirmou que "o terrorismo não intimidará a Colômbia nem dobrará a vontade dos colombianos de viver em paz e com segurança".
Condeno con absoluta firmeza el cobarde atentado terrorista perpetrado en Cúcuta contra nuestra Policía Nacional. Mi solidaridad con los uniformados heridos, sus familias y con todos los ciudadanos que hoy viven momentos de angustia.
El terrorismo no intimidará a Colombia ni… https://t.co/awvUm1WaLf
— Abelardo De La Espriella (@ABDELAESPRIELLA) August 1, 2026
De la Espriella tomará posse em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia e alvo frequente de atentados das guerrilhas. Com o apoio do governo do presidente americano Donald Trump, ele prometeu intensificar a luta contra os insurgentes e grupos do narcotráfico no país, maior produtor de cocaína do mundo, e planeja forjar uma aliança militar com os Estados Unidos e também com Israel.
A posse terá um dos maiores esquemas de segurança já previstos para este tipo de cerimônia, com um dispositivo de quase 11 mil soldados e policiais que devem efetuar operações terrestres, aéreas e marítimas.
A posse do presidente acontece tradicionalmente na sede do Congresso em Bogotá, mas o mandatário eleito pediu a transferência da cerimônia para Cali, no sudoeste do país, uma região afetada pelos confrontos entre grupos de narcotraficantes e guerrilheiros.
As guerrilhas fizeram advertências ao presidente eleito, que pretende romper com as negociações de paz que Petro mantinha com diferentes organizações armadas. De la Espriella denunciou em diversas ocasiões a existência de um plano para matá-lo. O presidente eleito buscava inicialmente assumir a presidência em uma unidade militar no conturbado departamento de Cauca, mas Petro não autorizou a iniciativa.
Petro, em visita a Cuba, não se manifestou sobre o atentado até o momento. O presidente colombiano viajou à capital cubana para conversar com seu homólogo Miguel Díaz-Canel sobre a "política de asfixia" dos Estados Unidos contra a ilha, assim como sobre os ataques do governo Trump contra embarcações no Caribe supostamente dedicadas ao tráfico de drogas.
'Golpe' e Forças Armadas: entenda a crise entre Petro e Espriella na ColômbiaEm publicação na sexta-feira, ele escreveu no X: "Quero, de Cuba, me opor a uma guerra no Caribe, os mísseis contra o mar do Caribe direcionados contra narcotraficantes mataram pessoas humildes".
As eleições colombianas foram marcadas pela violência política e pela intensificação do conflito armado, com bombas, drones explosivos e vários atentados contra as forças de segurança. Em junho de 2025, o pré-candidato à presidência e senador de direita Miguel Uribe Turbay foi baleado em um comício em Bogotá. Ele morreu dois meses depois.
*Com informações da AFP