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Para o presidente do Google Brasil, IA deve reduzir tarefas 100% humanas a um terço em 4 anos

Para presidente do Google Brasil, avanço das ferramentas baseadas em IA representa uma mudança estrutural na economia digital

Fábio Coelho: presidente do Google Brasil participou do AI Summit da EXAME (Google/Reprodução)

Fábio Coelho: presidente do Google Brasil participou do AI Summit da EXAME (Google/Reprodução)

Publicado em 2 de junho de 2026 às 14h12.

Última atualização em 3 de junho de 2026 às 11h22.

"Para discutir o futuro do trabalho até 2030, prefiro falar em complementaridade, e não em substituição. O debate atual está concentrado em como a tecnologia pode ampliar a atuação humana. As projeções indicam que, em quatro anos, apenas um terço das tarefas será executado 100% por pessoas", afirmou Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, durante painel no AI Summit, evento de tecnologia realizado pela EXAME nesta terça-feira, 2. 

Segundo Coelho, o avanço da IA não "elimina a necessidade de competências humanas". O executivo aponta que, na verdade, "habilidades como pensamento criativo, liderança, resiliência e aprendizado contínuo aparecem ao lado de competências técnicas ligadas à tecnologia".

Para o executivo, a democratização da inteligência artificial é, na verdade, "a democratização da inteligência" como um todo.

Coelho também disse acreditar que "o avanço das ferramentas baseadas em IA representa uma mudança estrutural na economia digital e segue uma trajetória semelhante à de outras transformações tecnológicas" que mudaram a forma como empresas e consumidores interagem com a informação.

"A tecnologia evolui. Não adianta a gente se esconder atrás dela", disse.

'O próximo capítulo da IA'

Para Coelho, os agentes são o próximo capítulo da IA. "É a IA com currículo", afirmou. "Em um primeiro momento, que estamos vivendo, a IA complementa as pessoas, ela dá superpoderes para que as pessoas façam seu trabalho melhor."

Segundo o executivo, em algum momento, as pessoas irão trabalhar menos porque "as máquinas terão mais poder". "Agora, com a agentificação da economia, vamos ter que ver quais empregos irão aparecer, quais empresas, o que vai acontecer com a sociedade", disse.

A economia dos tokens

O Google atingiu 2,5 bilhões de usuários mensais ativos (MAUs, na sigla em inglês) no AI Overview, recurso que utiliza inteligência artificial generativa para produzir respostas resumidas diretamente nos resultados de busca, reduzindo a necessidade do usuário acessar múltiplos links para encontrar informações.

"Acabamos com a agregação de links com o modelo do Gemini. E essa nova economia de tokens exige processamento muito maior de informação", disse.

Para ele, a inteligência artificial inaugura uma nova dinâmica de consumo e distribuição de conteúdo, baseada na capacidade dos modelos de compreender, processar e entregar respostas de forma direta aos usuários.

Segundo Coelho, esse cenário não surgiu de forma repentina.

O momento atual, afirmou, chegou "porque foi um acúmulo natural de tecnologia". Na avaliação do executivo, os avanços recentes são resultado de décadas de desenvolvimento em infraestrutura computacional, armazenamento de dados e capacidade de processamento.

'Trabalha e confia': como a bandeira do Espírito Santo guiou o presidente do Google Brasil

As mudanças já começam a gerar impactos concretos em diferentes setores da economia, segundo Coelho. "Empresas já perceberam que algumas categorias têm preços diferentes", afirmou, ao comentar os efeitos da inteligência artificial sobre modelos de negócio e estratégias de monetização.

Segundo ele, a tecnologia tende a criar novas formas de segmentação de produtos e serviços à medida que empresas passam a entender melhor o comportamento e as necessidades dos consumidores.

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