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Opinião: IA e conectividade estão redesenhando o agronegócio

Como o uso de IA nas máquinas otimiza a produtividade e supera os gargalos estruturais no campo brasileiro

O avanço da inteligência artificial e conectividade impulsiona a produtividade no agro (Valtra/Divulgação)

O avanço da inteligência artificial e conectividade impulsiona a produtividade no agro (Valtra/Divulgação)

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Publicado em 9 de junho de 2026 às 15h00.

Por Elizeu dos Santos*

Imagine a rotina de Carlos, um produtor rural que tem uma janela de plantio apertada antes da chegada das chuvas.

Há alguns anos, ele terminaria o seu dia exausto: passaria horas segurando o volante com firmeza para tentar manter a linha reta, calculando de forma complexa a aplicação de fertilizantes e torcendo para não sobrepor sementes nas manobras de cabeceira.

O resultado do seu dia de trabalho só seria realmente conhecido semanas depois, quando a lavoura começasse a emergir.

Hoje, a história é bem diferente. As tecnologias presentes nas máquinas agrícolas possibilitam que o produtor tenha uma lavoura cada vez mais produtiva.

As máquinas atualmente conseguem até assumir o direcionamento, fazer as manobras no final da linha, ajustar a quantidade exata de insumos para cada metro quadrado e enviar, em tempo real, todos os dados da operação direto para o celular do produtor.

A redefinição do papel do produtor

A inteligência artificial (IA) e a conectividade deixaram de ser promessas distantes para se tornarem a realidade do dia a dia no campo.

Essa é uma revolução que está redefinindo o papel do agricultor, que passa a ser mais do que um executor, e se torna um verdadeiro gestor de inteligência.

No entanto, essa revolução esbarra em um gargalo estrutural que o Brasil precisa encarar de frente. Dados recentes da ConectarAGRO indicam que mais de 33% da área produtiva brasileira já conta com cobertura 4G ou 5G.

Apesar de ser um avanço importante para o setor, ainda se trata de uma área pequena comparada ao vasto território nacional dedicado ao agronegócio.

Inovação além do sinal de internet

A necessidade de investimentos para suprir essa lacuna da conectividade é indiscutível. No entanto, no cenário em que vivemos, vemos que a inovação precisa ser ainda mais resiliente.

A inteligência da máquina deve ser superior às limitações do sinal de internet. Tecnologias que permitem transformar o trator em um hub de dados capaz de armazenar informações offline e descarregá-las na nuvem ao primeiro sinal de rede, garantem que o planejamento não pare.

A aplicação da IA nos maquinários também pode elevar a rentabilidade ao aplicar os preceitos da agricultura regenerativa.

Na etapa de pulverização, por exemplo, já é utilizado o imageamento em tempo real, onde as máquinas identificam as plantas indesejadas e aplicam os defensivos de forma precisa e localizada, evitando desperdícios significativos e diminuindo o impacto ambiental.

Essa e diversas outras tecnologias do mercado fazem com que a máquina “converse” com o terreno, reduzindo o estresse do operador, a compactação do solo e proporcionando ganhos reais no rendimento de insumos e combustível.

O futuro da agricultura

A adoção de inteligência e conectividade não é mais uma opção de conveniência para grandes grupos econômicos, é o caminho para a sustentabilidade financeira.

Com eficiência e inovação caminhando juntas, podemos comprovar que o maquinário atual está preparado para os desafios da agricultura do futuro e novas soluções de conectividade estão sendo desenvolvidas tanto por empresas como por governos de forma global.

Agora, cabe a nós, como setor e como nação, garantir que a infraestrutura esteja à altura do talento e da tecnologia do nosso campo.

*Elizeu dos Santos é especialista em agronegócio e gerente de Marketing de Produto da Valtra e Fendt.

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