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EXAME Agro

Inteligência artificial e autonomia: a revolução das máquinas agrícolas

Tratores e implementos agrícolas incorporam alta tecnologia, incluindo IA e geração de dados, mudando a dinâmica do trabalho na lavoura

Por Mariana Grilli

Publicado em 19/08/2023, às 12:00.

Última atualização em 20/08/2023, às 18:38.

Tecnologia inteligente

Há dois anos, a fabricante de máquinas agrícolas CNH Industrial adquiriu a empresa Raven Industries, voltada à agricultura de precisão -- o que inclui a inteligencia artificial. O valor da companhia, à época, era de US$ 2,1 bilhões.

Em entrevista à EXAME, Rafael Miotto, presidente da multinacional para América Latina, diz que o futuro de tratores e implementos está diretamente ligada à geração de trabalhores no campo. Enquanto no exterior a população rural está envelhecendo e não há sucessores -- o que abre espaço para a autonomia das máquinas --, no Brasil os jovens são atraídos pela adoção de tecnologia.

"[A aquisição] já mostra um pouco para onde vão as coisas, uma empresa de máquinas adquirindo uma empresa de tecnologia", diz Miotto.

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Conectividade para as máquinas

"A conectividade no campo está crescendo a passos largos", segundo Rafael Miotto, o que influencia diretamente no desempenho das máquinas agrícolas enquanto operam na lavoura. Isso porque, o acesso à internet possibilita uma tomada de decisão mais rápida em meio a uma operação de plantio ou colheita.

O presidente da CNH Industrial exemplifica que, a partir da conetividade, é possível  identificar uma falha e corrigi-la em tempo real, economizando tempo e trazendo mais eficiência na atividade agrícola.

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Influência do clima nas máquinas

A época de plantio, pulverização de defensivos e colheita está diretamente ligada às condições climáticas, inclusive no que diz respeito ao financiamento da safra, pois a incerteza das condições climáticas pode resultar em perda de investimentos.

Neste sentido, Rafael Miotto, presidente da CNH Industrial para América Latina, afirma que a dinâmica entre chuva e estiagem influencia no desempenho dos tratores.

"Você só pode colher com determinado nível de umidade [na planta]. A partir de uma determinaa quantidade de água, você demora para entrar com a máquina para colher", diz. Além disso, investir em maquinários maiores e mais eficientes permite agilizar a execução das tarefas e reduz a exposição a riscos climáticos.

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O conceito de inovação aberta no campo

A inovação aberta no setor agrícola abrange o setor de máquinas, que cada vez mais se relaciona com outras empresas do segmento para pensar soluções integradas ao produtor rural.

O presidente da CNH Industrial destaca a aptidão do Brasil para a inovação aberta, pois o setor agrícola no país é altamente moderno e, aliado à inclinação da sociedade para a inovação, contribui para o sucesso no segmento rural.

"A única forma que acredito de o Brasil ter sucesso é parar com a ideia de sistema fechado. Só vamos conseguir evoluir se fizermos algo como o ConectarAgro", afirma. Ele se refere à associação que fomenta a expansão da conectividade rural, da qual a CNH faz parte junto a outras empresas como TIM, Vivo, Bayer, Solinftec, Yara, além da concorrente de máquinas agrícolas AGCO. 

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Biocombustíveis para máquinas agrícolas

Dentro do universo de máquinas agrícolas, outro ponto de discussão é a utilização de biocombustíveis. Rafael Miotto afirma que as fazendas pelo Brasil já possuem alta disponibilidade de biogás, por se tratar de um produto proveniente de dejetos. "O que falta é tecnologia para caputar o gás de forma eficiente, filtrado, com segurança", diz.

Assim, o segmento de tratores e implementos vê no biocombustível uma solução para reduzir um passivo ambiental nas propriedades ruais, além de reduzir o custo dos produtores. "Aumenta a rentabilidade, é sustentabilidade econômica", afirma.

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Entrevista completa

Para assistir a entrevista completa com Rafael Miotto, presidente da CNH Industrial, confira o vídeo a seguir:

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Créditos

Mariana Grilli

Mariana Grilli

Repórter de Agro

Graduada em Jornalismo com especialização em Agronegócios pela FGV. Trabalhou como repórter na Rádio Jovem Pan e na Revista Globo Rural. É vencedora do 2° Prêmio GTPS de Jornalismo e do Prêmio Rede ILPF de Jornalismo.

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