Lula: presidente brasileiro anunciou novo Programa Brasil Soberano, com orçamento de R$ 18,5 bilhões ( Ricardo Stuckert/Divulgação)
Publicado em 22 de julho de 2026 às 18h10.
Última atualização em 22 de julho de 2026 às 18h39.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 22, que o Brasil não encontrou reciprocidade nas negociações comerciais com os Estados Unidos sobre as tarifas adicionais de 25% a produtos brasileiros, que entram em vigor no mesmo dia. O petista disse que o país continuará negociando e que “ninguém vai ganhar do Brasil mentindo”.
As falas ocorreram durante o anúncio de uma nova edição do Programa Brasil Soberano, com orçamento de R$ 18,5 bilhões, destinado a mitigar os efeitos negativos do tarifaço de 25% imposto pelo governo dos Estados Unidos a exportações brasileiras. O pacote oferece linhas de crédito com taxas de juro subsidiada, de 6,5% a 9,8% ao ano.
Desse montante, R$ 13,5 bilhões serão recursos do Tesouro e R$ 5 bilhões virão do BNDES, de acordo com o Ministério do Planejamento.
As taxas de juros do novo programa são menores do que as praticadas na primeira versão do Brasil Soberano, que variavam de 15% a 17% ao ano. A redução das taxas era um dos pedidos feitos por empresários e entidades setoriais ao governo federal nos últimos dias.
Os recursos serão destinados aos setores afetados negativamente pelo tarifaço, mas também a empresas que exportavam para o Golfo Pérsico e que tiveram receita reduzida em razão da guerra naquela região.
Um terceiro grupo de segmentos, considerado estratégico pelo governo, também será beneficiado pelo programa. Fazem parte dele setores como o de fertilizantes, minerais críticos e terras raras, além dos segmentos automotivo, têxtil e farmacêutico.
As taxas de juros do novo Brasil Soberano vão variar de 6,5% ao ano na linha de crédito de apoio a investimentos, a 9,8% ao ano para a linha de capital de giro voltada a grandes empresas.
"Temos na base exportadora, 2.400 empresas que exportam para os Estados Unidos e um número aproximado de 1.000 empresas são capazes de se sujeitar (aderir ao novo Brasil Soberano). Mas nem todas as empresas que estão sujeitas à Seção 301 vão solicitar (o benefício)", afirmou o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O programa não prevê, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o diferimento de impostos nem benefícios fiscais, medidas também pleiteadas pelas entidades setoriais.
Durante o anúncio do programa, Durigan afirmou que os recursos mobilizados pelo Tesouro agora são montantes já previstos na primeira edição do Brasil Soberano e na repactuação das dívidas do agronegócio, mas que não foram utilizados ainda. Por isso, não haveria impacto fiscal adicional com o programa.
No evento, realizado no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que o tarifaço não tem razão e está baseado em mentiras, mas reafirmou que o Brasil continuará em negociações com os americanos.
"Estamos na mesa de negociação, mandamos vários documentos e propostas. (...) E a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos Estados Unidos? Não, porque a gente não vai sair da mesa de negociação", afirmou Lula.
O presidente também ressaltou que o Brasil tem buscado novos mercados a produtos brasileiros.
"Estamos discutindo com vários países para que a gente epossa suprir ou até ganhar mais do que estava ganhando (com as exportações aos EUA). O Brasil tem credibilidade conquistada no mercado internacional", disse o presidente.
O ministro Márcio Elias Rosa também afirmou que o governo espera para esta sexta-feira, 23, o anúncio de uma tarifa adicional, de 12,5% para o caso do Brasil, também no âmbito da Seção 301, mas em outra investigação que afeta um grupo de 60 economias (incluindo a União Europeia).
O ministro afirmou que espera retomar as conversas com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer após a provável aplicação da nova tarifa e depois do dia 29 de julho, quando termina o prazo dado aos EUA para isenção de tarifas para bens que estavam em trânsito quando do anúncio do tarifaço.