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Opinião: Com o tarifaço, importar da China virou questão de sobrevivência

Efeito das tarifas americanas fortalece a presença chinesa no Brasil e exige visão estratégica de pequenas e médias empresas na importação

Avanço do comércio com a China exige planejamento e curadoria de pequenas e médias empresas (Jonne Roriz/Bloomberg/Getty Images)

Avanço do comércio com a China exige planejamento e curadoria de pequenas e médias empresas (Jonne Roriz/Bloomberg/Getty Images)

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Publicado em 3 de agosto de 2026 às 10h00.

Por Bruno Homero, CEO da DNVB Brands*

Faz um ano que os Estados Unidos impuseram tarifas contra produtos brasileiros, em 9 de julho de 2025.

O resultado, doze meses depois, foi o oposto do que se esperava do lado americano: a participação da China no comércio exterior do Brasil saltou de 28,9% para 31,5%, o maior percentual desde 2021, enquanto a fatia dos Estados Unidos caiu ao nível mais baixo da série histórica, iniciada em 1997.

As importações brasileiras vindas da China cresceram 27,1% em junho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e a balança comercial iniciou julho com as importações crescendo 10,4% na primeira semana do mês.

A cobertura sobre esse deslocamento tem se concentrado no lado macro: exportação, agronegócio e geopolítica.

Falta discutir o que essa mudança significa para quem vive esse mercado na ponta oposta: o pequeno e médio empresário que importa da China, não o que exporta a ela.

O novo cenário da importação para empresários

Quem ainda trata a importação direta da China como alternativa arriscada, restrita a grandes empresários ou fora do alcance de operações menores, está diante de um diagnóstico defasado.

O tarifaço não criou essa tendência, apenas acelerou um movimento que já era estrutural.

Com a China ocupando cada vez mais espaço no comércio brasileiro, negociar diretamente com o fabricante deixou de ser tática de nicho e passou a ser condição de competitividade.

Quem permanece dependente de intermediários carrega um custo que seus concorrentes já eliminaram.

Os riscos da operação sem curadoria especializada

Essa transição, no entanto, não é trivial, sobretudo para quem a inicia sem apoio especializado.

É frequente que operações conduzidas de forma isolada, sem curadoria de fornecedor ou validação prévia de produto, resultem em prejuízo evitável: um lote adquirido sem checagem de amostra, um fornecedor mal avaliado, cujo problema só se revela quando o produto já chegou ao Brasil, sem margem de negociação.

O prejuízo, nesses casos, costuma ser expressivo, equivalente ao valor de um contêiner inteiro ou ao capital de giro de um trimestre, e resulta quase sempre da ausência de um processo estruturado de validação antes do embarque.

O peso da China nas pequenas e médias empresas

Esse movimento já deixou de ser tendência e passou a ser realidade consolidada.

Com a China ampliando sua presença no comércio global, o país fechou o primeiro semestre de 2026 com recorde histórico de trocas comerciais, superando pela primeira vez a marca de 25 trilhões de yuans.

No Brasil, esse protagonismo já é estrutural: segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, aproximadamente um quarto de todas as importações brasileiras têm origem na China.

Entre pequenas e médias empresas, esse peso é ainda maior.

Levantamento da Remessa Online mostra que a Ásia já concentra mais de 60% das importações realizadas por PMEs brasileiras, com destaque para máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos e insumos industriais.

Negociar diretamente com fábrica deixou de ser exceção e passou a ser expectativa mínima para quem pretende competir de forma consistente, desde que feito com processo e curadoria adequados.

Preparo e visão estratégica de longo prazo

A pergunta relevante para o empresário brasileiro não é mais se vale a pena importar diretamente da China. O mercado já respondeu a essa questão.

A pergunta que resta é com que preparo, método e visão de longo prazo essa operação será conduzida.

O tarifaço passou. A relação comercial com a China, ao contrário, tende a se aprofundar.

Quem tratar a importação direta como oportunidade pontual dificilmente sustentará vantagem além do curto prazo.

Quem a tratar como construção estratégica de negócio, com processo e visão de médio prazo, estará competindo em um patamar que a maior parte do mercado ainda não percebeu.

*Bruno Homero é especialista em importação internacional, CEO da DNVB Brands e fundador da Missão Importação China, programa que já levou mais de 420 empresários brasileiros a polos industriais e feiras internacionais no país.

Acompanhe tudo sobre:TarifasChinaPMEs

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