Inteligência Artificial

Nvidia agora tem um OpenClaw; entenda por que a tecnologia virou peça-chave no mundo da IA

Com o NemoClaw, empresa de Jensen Huang tenta transformar uma base de código aberto em infraestrutura corporativa; pode dar certo, pois a Nvidia garante a segurança que até então faltava na tecnologia

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 17 de março de 2026 às 12h35.

Última atualização em 17 de março de 2026 às 15h29.

*SAN JOSE - A Nvidia anunciou durante seu evento de novidades, GTC, o NemoClaw, plataforma empresarial construída sobre o OpenClaw, um sistema de código aberto voltado à criação e execução de agentes de inteligência artificial. Mais do que lançar um novo produto, a empresa tenta se posicionar no centro de uma disputa que pode definir quem controlará a próxima camada estratégica da IA: a infraestrutura usada para colocar agentes em operação dentro de companhias.

A aposta da Nvidia é tratar o OpenClaw como uma tecnologia de base, daquelas que deixam de ser apenas uma novidade para virar peça estrutural do mercado. Foi com esse raciocínio que o presidente-executivo Jensen Huang afirmou, durante o evento GTC, que toda empresa deveria ter uma 'estratégia OpenClaw', assim como em outros momentos precisou ter uma estratégia de Linux, HTML ou Kubernetes.

Na prática, o OpenClaw ganhou relevância por oferecer um caminho mais aberto para desenvolver e rodar agentes de IA localmente, dentro da própria infraestrutura de uma empresa. O que a Nvidia tenta fazer agora é adicionar a essa base recursos de segurança, privacidade e governança para transformar uma ferramenta promissora em produto corporativo de verdade.

Esse movimento ajuda a explicar por que a tecnologia passou a ser tratada como uma das mais importantes do momento. O mercado de IA já não discute apenas modelos capazes de responder perguntas ou gerar texto e imagem, mas sistemas que executem tarefas, acessem documentos, tomem decisões limitadas e operem fluxos de trabalho. Esses sistemas são chamados de agentes, softwares que não só respondem, mas agem dentro de regras e permissões definidas.

É aí que entra o OpenClaw. A tecnologia funciona como uma camada para organizar o uso desses agentes, permitindo que empresas montem ambientes próprios, escolham quais modelos usar e tenham mais controle sobre como os dados circulam. Num momento em que companhias querem automatizar tarefas internas sem abrir mão de segurança, plataformas como essa passaram a ser vistas como a infraestrutura necessária para levar a IA do teste ao uso cotidiano.

Segundo a Nvidia, o NemoClaw permitirá que usuários recorram a diferentes agentes de programação e modelos abertos, inclusive os NemoTron, família de modelos da empresa, para criar e implantar outros agentes. A companhia também afirma que a plataforma é agnóstica em hardware, isto é, não depende obrigatoriamente de chips da própria Nvidia, e que se integra ao NeMo, conjunto de softwares da empresa para aplicações com agentes de IA.

Por que a Nvidia quer transformar OpenClaw em padrão do mercado

O discurso de Huang mostra que a Nvidia quer participar de uma etapa mais ampla da cadeia de IA. Depois de dominar a conversa sobre chips e data centers, a empresa agora tenta ganhar espaço também nas ferramentas que organizam o uso dos agentes dentro das corporações. Não se trata só de processar modelos, mas de administrar como eles serão acionados, supervisionados e conectados aos sistemas internos.

Esse reposicionamento acompanha uma mudança no próprio setor. Nos últimos meses, empresas de tecnologia passaram a disputar o mercado de plataformas corporativas para agentes, com foco em governança, integração e controle. A tendência reflete a percepção de que as empresas até podem testar IA com facilidade, mas têm mais dificuldade para colocá-la em produção com segurança e previsibilidade.

Ao associar o OpenClaw a tecnologias como Linux e Kubernetes, Huang tenta dar ao projeto um peso histórico e simbólico. A mensagem é clara: quem controlar a camada em que os agentes são organizados e operados pode ganhar uma posição tão estratégica quanto a de quem dominou sistemas operacionais, navegadores ou nuvem em outros ciclos da tecnologia.

Por isso o OpenClaw passou a atrair tanta atenção. Ele aparece num momento em que a IA deixa de ser apenas uma vitrine de modelos e passa a exigir estrutura para funcionar dentro das empresas. Nesse cenário, o que está em jogo não é só qual modelo responde melhor, mas qual plataforma conseguirá transformar agentes em ferramenta real de trabalho.

O jornalista viajou a convite da Nvidia.

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