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Live: Investir em formação técnica e profissionalizante é essencial

Webinar da Bússola discutiu o futuro do mercado de trabalho no Brasil
Investimento na profissionalização torna o Brasil mais competitivo (Weekend Images Inc./Getty Images)
Investimento na profissionalização torna o Brasil mais competitivo (Weekend Images Inc./Getty Images)
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BússolaPublicado em 11/08/2022 às 10:00.

Por Bússola 

  

A demanda por empregos de alta qualificação tem crescido exponencialmente e, cada vez mais, o Brasil precisará investir em aperfeiçoamento e requalificação para que os profissionais estejam atualizados. A educação profissional é o passaporte para um Brasil mais competitivo, com mão de obra qualificada e com a indústria produzindo cada vez mais e melhor.  

Essa foi a conclusão da live “Mapa do Trabalho: como se preparar para as vagas do futuro?” realizada ontem, 10 de agosto, que analisou as demandas de mão de obra da indústria para os próximos anos e debateu a importância da formação continuada. O webinar reuniu Márcio Guerra, gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria; Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional de Educação; e Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil e líder do Grupo de Trabalho de Educação Profissional e Tecnológica da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). A mediação foi do jornalista Rafael Lisbôa, diretor da Bússola. 

O Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025 é um estudo do Observatório Nacional da Indústria que identifica as principais demandas de mão de obra do setor para os próximos quatro anos e orienta qual é a formação necessária para conquistar essas vagas. 

Ensino técnico 

Para Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), é importante fazer a reformulação do novo ensino médio que acaba focando também nos itinerários normativos, pensando na preparação do jovem para o mercado de trabalho e dando destaque ao ensino técnico, que é sempre uma alternativa a universidade, mas sem ser excludente. 

“Todo ano o Brasil forma 2 milhões de jovens, em geral entre 18 e 20 anos, que estão concluindo o ensino médio. Desses jovens, 20% vão para o ensino superior, e os outros 80% para onde vão? É muito importante para esses jovens que a escola ofereça o itinerário técnico e profissional. A reforma do novo ensino médio oferece essa possibilidade”, afirmou Maria Helena. 

O gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, completou afirmando que o sonho do bacharelado ainda tem apelo, mas que é preciso olhar para qualificação técnica como forma de entrada no mercado de trabalho. “Por exemplo, o engenheiro que passou por uma formação técnica recebe um olhar diferenciado do mercado”, declara. 

Para Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil e líder do Grupo de Trabalho de Educação Profissional e Tecnológica da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), para conseguir uma melhor formação, tanto geral quanto profissionalizante no ensino médio, é preciso que o poder público faça melhor uso dos recursos destinados à educação. “Não sei se mais dinheiro é a solução. Temos que trabalhar com o que já está no orçamento, fazer melhor utilização dos recursos que já temos”. Ele citou que uma forma de fazer melhor uso é através de parcerias com instituições como o SENAI, que já oferecem cursos técnicos ao invés de se criar tudo do zero. 

Qualificar para a indústria 4.0 

Outro ponto tratado por Gilberto foi a necessidade de a indústria apontar as qualificações necessárias para o desenvolvimento tanto agora quanto no futuro. “A indústria tem que ser capaz de analisar o que é necessário agora e o que vem pela frente. Prever quais as capacitações serão necessárias no futuro para dar um rumo ao governo”. 

Segundo Márcio, é preciso sempre olhar adiante. “A gente tem que estar olhando sempre um pouco mais à frente no processo. É preciso atender urgentemente o que a indústria precisa agora, mas tem um pedaço dessa oferta que precisa viabilizar o avanço na inovação. É preciso começar a formar hoje o profissional que vai atender uma demanda que irá surgir daqui a cinco anos”. 

Por fim, os debatedores destacaram a importância não só de formar novos profissionais, mas também de requalificar aqueles que já estão no mercado. “É crucial que para esse processo de competitividade e inovação destravar esse componente. É importante que os profissionais que já se encontram no mercado também estejam atentos” afirmou Márcio Guerra. 

“Estamos em um momento que a indústria deu um salto, passamos 50 anos melhorando máquinas e equipamentos e hoje já estamos com novas tecnologias. O torneiro mecânico já acabou. Estamos na indústria 4.0, já chegando na 5.0. Temos que dar opções para os jovens que estão saindo do ensino médio, mas também temos que olhar para quem já está no mercado de trabalho e oferecer requalificação”, declara Gilberto Peralta. 

 

 

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