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Para influencer com mais de 1 mi de seguidores, fazer caixa é fácil. O 'hate' que é desafiador

Olivia ‘Sensata’ Carneiro conta como construiu sua carreira como influencer e empreendedora 

Olivia Carneiro fala sobre empreendedorismo como influencer

Olivia Carneiro fala sobre empreendedorismo como influencer

Aquiles Rodrigues
Aquiles Rodrigues

Repórter Bússola

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 13h00.

Com até 10 mil seguidores, um influencer já pode ganhar cerca de R$ 7 mil pelo combo post+stories. Para quem não nasceu para trabalhar como CLT a soma, que chega a R$ 24 mil no pico do um milhão de seguidores,  é atrativa, mas o aspirante a criador de conteúdo precisa se perguntar se nasceu para ser empreendedor.

“Não é difícil fazer caixa; o problema é o fluxo dele”, diz Olívia Carneiro sobre o dia a dia como dona de perfis nas redes que somam juntos mais de um milhão seguidores. A influenciadora economista começou com posts em texto, testou uma mentoria, precisou acumular antes de investir no seu produto atual e aprendeu com a experiência que influenciar, hoje, é empreender

Saber onde investir, como desenhar uma estratégia, se é melhor apostar em publi ou vender seu próprio produto, tudo isso é gestão de negócios. Mas, como Olivia, é possível começar do zero. Para ela, o essencial é saber que:

Você precisa ter o que falar

Atualmente, apenas 12,1% dos influenciadores brasileiros conseguem fazer mais de R$ 5 mil por mês. “Muitos tentam, mas voltam a ser assalariados pensando ‘não valeu a pena porque não dá tanto dinheiro assim quanto parece’”, ela conta. 

Mas o mercado de influência brasileiro é o segundo maior do mundo e estima-se que as marcas já gastam até R$ 50 mil por mês com criadores de conteúdo. Existe aqui uma oportunidade real, mas Olivia alerta:

“Eu sinto, por vezes, que as pessoas querem ser influenciadores, mas não tem nada para falar. A menos que você tenha uma extremamente interessante, é impossível dar certo. É preciso, primeiro de tudo, ter conteúdo e propósito forte”.

Formada em economia pela USP e mestre pela University of Chicago – com 5 ganhadores de Nobel na lista de instrutores –, a influenciadora usou seu currículo e especialização para construir a carreira na internet ao redor de um objetivo concreto: traduzir a economia.

"Hoje o produto é o que eu queria desde o começo, que é a venda de análise econômica para qualquer um, com tom popular. Faço mais acessível, com entrega de WhatsApp, pensei tudo em um formato que eu consumiria”.

Olivia já tinha o que falar, e a formação para isso. Ela escolheu a rota do produto em comunicação e o construiu aos poucos. Hoje, seu faturamento deriva majoritariamente de uma newsletter, um podcast com boletim econômico.

E lidar com o hate é inegociável

Como Olívia explica, é possível aprender os vai e vens do empreendedorismo na prática. Hoje ela possui 4 membros em sua operação, mas já teve até 15 e, apesar de não gostar tanto de ser chefe, diz que foi bom começar sem apoio nenhum.

“Me deixou mais objetiva. Me deu uma noção do quanto eu posso gastar, de qual é o meu piso, como faço minha estratégia. Difícil para caramba, mas você aprende”. O que é inegociável mesmo, para ela, é aprender a lidar com o hate, a conhecida hostilidade do velho oeste que conhecemos por “internet”.

“Com milhares de pessoas te odiando é difícil não pensar ‘Cara, o que eu fiz de errado?’, mas é preciso lidar. Todo influencer precisa ler os comentários, porque é um diálogo, né? A pessoa que vê sua publicação está te dando o ativo mais valioso que ela tem, que é o tempo de consumir o seu conteúdo. Não dá para ignorar”

Olivia indica terapia, principalmente, como forma de entender como lidar com a exposição.  

Opinião é chave e impacto é a recompensa 

Depois de se formar, Olívia trabalhou como consultora econômica do Google no Brasil. A influência apareceu durante o período de isolamento social de 2020. Ela começou com postagens em texto, mas entendeu que precisava abrir a câmera e foi aí que encontrou seu diferencial.

“Eu percebi que as pessoas estão muito carentes de referência. Por isso acho que, ao compartilhar conhecimento, o tom impessoal não faz mais sentido. Como influenciadora eu falo com muita clareza ‘essa é minha opinião’, e acho que isso que me torna referência para meu público”

Após o fim da pandemia, Olivia poderia ter voltado a um emprego em consultoria, mas a carreira de influencer se consolidou. Para ela, vale a pena tanto pelos fatores financeiros quanto pelo propósito.

“Não vou mentir. Em primeiro lugar, pensei no faturamento, mas o fator que me fez ficar foi o impacto. Eu poderia ter seguido em cargo dentro da política, mas o impacto é baixo. Como influenciadora, o que eu recebo de retorno social é incrível. Vou na padaria e escuto o padeiro falar ‘te sigo, adoro seu conteúdo’. Eu entrego um conhecimento que é muito nobre, útil para a população. Esse impacto é apaixonante”.

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