Influenciadores ou empreendedores? Celebridades usam a fama para alavancar negócios

Celebridades das redes sociais usam a fama para consolidar seus negócios e viram referência em seus segmentos
Bianca Andrade, uma das primeiras influenciadoras do país, hoje está à frente de uma holding que controla três marcas de beleza (Leandro Fonseca/Exame)
Bianca Andrade, uma das primeiras influenciadoras do país, hoje está à frente de uma holding que controla três marcas de beleza (Leandro Fonseca/Exame)
Por André LopesIvan Padilla, Julia Storch

Publicado em 13/09/2022 às 06:00.

Última atualização em 13/09/2022 às 18:53.

O jeito mais fácil para um influenciador capitalizar seu alcance é simplesmente vender sua imagem para uma empresa ou para uma marca. Na linguagem do segmento, é o famoso publi, quase sempre no Instagram. Algumas celebridades das redes sociais, no entanto, têm conseguido usar a fama para montar e alavancar negócios próprios.

As vantagens são evidentes: comunicação direta com uma comunidade fiel e engajada, baixo custo de aquisição de cliente, retorno sobre os produtos em tempo real. Para o sucesso do negócio, elas têm saído cada vez mais de seu closet de conforto e se aprofundado em temas espinhosos, como cadeia produtiva, gestão de estoque, teoria de marketing. Aqui, contamos alguns casos bem-sucedidos de influenciadores aptos hoje a dar lições de empreendedorismo. 


BIANCA ANDRADE (foto acima) ⟶ 18,1 milhões ­— Instagram

“Estou na internet desde quando tudo era mato”, diz Bianca Andrade, a Boca Rosa. “Fui uma das primeiras influenciadoras do país, antes de isso ser considerado profissão.” Ela começou a carreira gravando vídeos sobre maquiagem e foi uma das participantes do Big Brother Brasil em 2020.

Hoje, está à frente de uma holding que controla três marcas de beleza. Próximo passo: o Metaverso. Ela acaba de lançar sua versão digital, um avatar batizado de Pink, que já conta com 95.000 seguidores no Instagram.


Mica Rocha, empresária e influencer (Leandro Fonseca/Exame)

MICA ROCHA  1,3 milhão — Instagram 

Mica começou seu trabalho nas redes sociais em 2014, com vídeos sobre relacionamento e lifestyle, e passou a crescer com a produção de conteúdo para marcas. Até que decidiu empreender. Nos últimos três anos ela abriu três negócios nativos digitais. O primeiro foi a Margaux, marca de sapatos cruelty free, em 2019. “Nessa época eu trabalhava muito com outras marcas, mas queria arriscar e fazer algo meu”, conta.

Seis meses mais tarde ela inaugurou a Misha, de ­semijoias com foco no digital, atualmente com duas lojas em São Paulo e crescimento de 300% em um ano. e no início deste ano foi a vez da marca de roupas Open Era, voltada para o athleisure. Mesmo com a rotina focada nas marcas, Mica ainda atua como influenciadora. “Gosto do desafio do varejo, mas trabalho com marcas muito legais, desenvolvo conteúdos, escrevo roteiros. Adoro fazer isso”, diz.


Camila Coutinho, empresária, blogueira e modelo (Leandro Fonseca/Exame)

CAMILA COUTINHO ⟶ 3,2 milhões — Instagram

A ideia de empreender surgiu de uma ação de pirataria, quando Camila soube de uma marca de xampu chamada Garota Estúpida (seu blog de moda se chama Garotas Estúpidas). “Aquilo já era um negócio grande, minhas leitoras comentavam. Pensei: ‘Essa pessoa fez um trabalho para mim’”, conta.

Em 2020 ela lançou a Ge Beauty, com xampu, condicionador, leave-in e ativadores. As personas virtuais de Camila ficam separadas. Ela só aparece em sua conta pessoal. O @gebeauty é o canal de vendas da marca e o @garotasestupidas é voltado para conteúdo de moda e beleza.


NATI VOZZA, influenciadora, blogueira e dona da marca NV de roupas (Leandro Fonseca/Exame)

NATI VOZZA ⟶ 1,4 milhão — Instagram

Nati já era conhecida pelo blog de moda Glam for You até que, dez anos atrás, lançou sua marca, a NV. “Eu fazia muito publi, mas quis aproveitar a fama para realizar o meu sonho”, diz. Sempre com capital próprio. “Com o dinheiro do blog eu fazia roupa, com o dinheiro da roupa eu fazia mais roupa.”

Em 2020, quando tinha quatro lojas, a NV foi comprada pelo grupo Soma, por estimados 210 milhões de reais. Com 13 lojas, a marca faturou 175 milhões de reais no primeiro semestre de 2022.


Konrad Kondzila, diretor de criação, produtor e empresário brasileiro - fundador da produtora Kondzilla Filmes e Kondzilla Records (Leandro Fonseca/Exame)

KONDZILLA ⟶ 65 milhões — Youtube

Ele criou um império à medida que a internet se popularizou no brasil na última década. Herdeiro da audiência cativa dos videoclipes, que já foram a matéria-prima exclusiva de canais de TV como a MTV, sua marca no youtube possui 65 milhões de assinantes, o maior da américa latina e quarto maior do mundo. Com esses números, Kond é hoje o produtor musical mais bem-sucedido do país. Mas seus artistas e produções já se estendem muito além da música.

A série Sintonia, sua criação que ambienta jovens de uma favela brasileira fictícia, foi a mais vista do Brasil na Netflix, em 2019, ano de lançamento, e a terceira do mundo, atrás de sucessos criados em Hollywood. Com tamanha diversidade de projetos, a trajetória autodidata de Kond pode até ser reafirmada na frase que ele mesmo popularizou: “a favela venceu”. E venceu muito.


Natália Beauty, empresária e influencer (Leandro Fonseca/Exame)

NATÁLIA BEAUTY ⟶ 10,5 milhões — Instagram

Em 2017, após um divórcio, Natália Martins começou a fazer as sobrancelhas de clientes em domicílio. No Instagram, postava as dificuldades de empreender. “Mostrava minhas dores como inspiração. Esses conteúdos trouxeram engajamento, era uma comunicação diferente da vida perfeita”, diz.

Os produtos lançados por ela são sugestões dos seguidores. Sua marca hoje conta com cinco clínicas e 15 cursos em beleza e gestão de empresas. O faturamento em 2021 foi de 21 milhões de reais. Para este ano, ela espera crescer 40%.


Alexandre Borba Chiqueta, mais conhecido como Gaules, é um streamer, youtuber, filantropo e ex-jogador profissional de Counter-Strike brasileiro (Leandro Fonseca/Exame)

GAULES ⟶ 4 milhões — Twitch

Alexandre “gaules” Borba é o maior streamer de e-sports do Brasil. Sua legião de fãs aglomera 4 milhões de pessoas que, em 2021, contabilizaram em suas transmissões 165,39 milhões de horas vistas. Jogador e técnico egresso do game de tiro Counter-Strike, Gaules é uma promessa nos novos negócios que circulam no universo dos games.

Sua agência X5, especializada em transmitir campeonatos de jogos eletrônicos, tem clientes de peso como Riot, Red Bull, Kabum! e Banco do Brasil. “Hoje o canal Gaules virou uma emissora de conteúdo. Nossas parcerias conectam as marcas com os fãs de um jeito único. É o futuro do entretenimento na internet”, afirma.