Um conteúdo Bússola

Empresas se unem para impulsionar o mercado voluntário de carbono

A iniciativa vai trabalhar em diversas frentes com o objetivo de posicionar o Brasil na liderança de um mercado global de carbono de alta integridade
Brasil pode até 15% da oferta mundial de créditos voluntários de carbono (Luis Alvarez/Getty Images)
Brasil pode até 15% da oferta mundial de créditos voluntários de carbono (Luis Alvarez/Getty Images)
B
BússolaPublicado em 12/09/2022 às 14:30.

Empresas e instituições de diversos setores no Brasil — Amaggi, Auren, B3, Bayer, BNDES, CBA, Dow, Natura, Rabobank, Raízen, Vale, Votorantim e Votorantim Cimentos — se uniram com o objetivo de estruturar ações-chave para desenvolver o mercado voluntário de carbono no Brasil e contribuir com o mercado global de créditos de carbono de alta integridade.

A descarbonização da economia até 2050 é uma prioridade para diversos países, que representam mais de 90% do PIB global, e para mais de 2.500 empresas globais, e esses números continuam a crescer.

O mercado voluntário de carbono faz parte do conjunto de soluções para a descarbonização da economia global e tem duas principais funções: primeiramente, a mitigação das emissões de gases de efeito estufa durante a jornada para o carbono zero (“net zero”); a partir daí, os créditos de carbono assumirão o papel de captura de emissões difíceis de serem abatidas.

Segundo estudo da McKinsey & Company, o Brasil tem potencial de gerar até 15% da oferta mundial de créditos voluntários por meio de soluções naturais seja de sequestro de carbono como, por exemplo, reflorestamento e sistemas agroflorestais em áreas degradadas, seja por iniciativas para evitar a emissão de gases de efeito estufa (como a conservação de florestas ameaçadas de desmatamento e intensificação de práticas agrícolas de baixo carbono em grandes culturas como soja, milho e cana de açúcar).

O potencial do Brasil é um dos maiores do mundo, equivalente somente ao da Indonésia (15%), e muito acima de outros países, como Peru (4%), Estados Unidos (3%) e China (2%). Estas soluções naturais, além de menos custosas e com maior potencial de crescimento no curto prazo do que soluções puramente tecnológicas, trazem benefícios adicionais como recuperação da biodiversidade, segurança hídrica e desenvolvimento socioeconômico.

Além das soluções naturais, o Brasil tem também potencial relevante de gerar créditos por meio de diversas soluções tecnológicas como o desenvolvimento do hidrogênio verde e a captura de biometano.

A iniciativa irá trabalhar em diversas frentes com o objetivo de posicionar o país na liderança de um mercado global de carbono de alta integridade. Entre os objetivos do projeto estão ampliar a oferta por meio dos melhores processos de certificação/verificação; desenvolver os instrumentos financeiros necessários para alinhar a demanda com a oferta; definir requisitos para um mercado de alta integridade (técnica, ambiental e social); explorar as principais implicações fiscais; assim como projetar um órgão de governança independente para coordenar o mercado e elaborar a estratégia de engajamento com os stakeholders estratégicos.

Entre as entregas previstas pelo grupo está apresentar nos próximos meses uma proposta de ações práticas para mitigar as maiores barreiras a este mercado, incluindo mecanismos de ativação da oferta e demanda de alta integridade, ações de governança, entre outros.

Siga a Bússola nas redes: Instagram | Linkedin | Twitter | Facebook | Youtube

Veja também

O Brasil é destaque no cenário global de óleo e gás

ESG: o que é e quais os desafios do selo Agricultura Orgânica Regenerativa

Dia da Amazônia: Eneva anuncia mais um compromisso com a sustentabilidade