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Crédito do Trabalhador: um balanço do primeiro ano da modalidade

Com 25 milhões de contratos, modalidade de crédito consignado privado se consolida como alternativa ao rotativo do cartão e cheque especial para trabalhadores do setor privado

Trabalhadores buscam crédito consignado privado para reorganizar finanças e evitar juros altos (Freepik/Freepik)

Trabalhadores buscam crédito consignado privado para reorganizar finanças e evitar juros altos (Freepik/Freepik)

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Publicado em 21 de abril de 2026 às 15h00.

Por Wagner Trindade*

Ao completar um ano de expansão no Brasil, o crédito consignado privado, conhecido também como Crédito do Trabalhador ou “consignado do CLT”, deixa de ser promessa e passa a se consolidar como realidade mensurável.

Em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, a modalidade ganhou tração relevante e revelou o potencial de uma agenda que combina regulação, tecnologia e demanda reprimida.

Ao todo, foram 25 milhões de contratos realizados no período nesse primeiro ano, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

O balanço financeiro da modalidade

Desde o lançamento, o programa já superou a marca de R$ 117,1 bilhões em empréstimos até 17 de março de 2026.

Desse montante, R$ 94,2 bilhões foram registrados entre 21 de março e 31 de dezembro de 2025, considerando também operações por tombamento.

Já no período entre janeiro e 17 de março deste ano, a plataforma do Crédito do Trabalhador contabilizou R$ 26,3 bilhões em crédito liberado.

O movimento ocorreu mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador, o que sinaliza apetite do mercado e forte interesse por parte dos trabalhadores.

Perfil do tomador e reorganização financeira

Esse interesse é confirmado por uma pesquisa da Creditas com a Opinion Box, que mostra que mais da metade de quem trabalha no regime CLT e estão endividados considerariam utilizar o consignado privado.

O objetivo principal é substituir dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial.

O dado revela que o crédito consignado privado está sendo percebido como instrumento de reorganização financeira, e não apenas como expansão de endividamento.

Tecnologia e o impacto do Open Finance

Parte dessa evolução se explica pela própria arquitetura do produto. O desconto em folha traz previsibilidade à operação e reduz o risco estrutural, criando um ambiente mais favorável à concessão responsável.

Ao mesmo tempo, o avanço do Open Finance e o uso crescente de Inteligência Artificial tornaram a análise de crédito mais sofisticada, rápida e baseada em dados reais de comportamento financeiro.

Hoje, a jornada é majoritariamente digital. Simulações, validações, assinaturas e liberações ocorrem em poucos minutos, com monitoramento automatizado e mecanismos adicionais de segurança.

Essa infraestrutura tecnológica não apenas viabilizou escala, como ampliou a capacidade de alcançar trabalhadores que historicamente enfrentavam barreiras de acesso.

Desafios para a competitividade no setor

O próprio crescimento da modalidade, no entanto, convida a uma reflexão natural sobre sua evolução.

A taxa média do consignado CLT, que se aproximou de 60% em 2025, mostra que ainda há espaço para amadurecimento na dinâmica competitiva e na captura integral dos ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia e pela redução de risco.

Quanto mais empresas integram seus sistemas de folha às plataformas financeiras, mais instituições utilizam dados estruturados para precificação e o Open Finance avança, a tendência é termos um ecossistema mais fluido e competitivo.

Esse processo não acontece de forma instantânea, pois depende de escala, integração e aprendizado de mercado.

O futuro do Crédito do Trabalhador

O primeiro ano do consignado privado mostra que o Brasil conseguiu estruturar uma nova frente de crédito com base digital robusta e aderência do público.

O próximo passo será aprofundar essa trajetória, consolidando práticas, ampliando concorrência e transformando eficiência operacional em condições cada vez mais sustentáveis para o trabalhador.

O crédito consignado privado já ocupa um espaço considerável na agenda de inclusão financeira. Sua evolução daqui para frente dependerá menos da novidade e mais da capacidade do sistema financeiro de transformar escala em maturidade e maturidade em acesso qualificado.

*Wagner Trindade é diretor de Digital da Evertec Brasil.

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