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Inflação e alta do cacau pressionam margens de PMEs na Páscoa

Empresária da Afrocentrados analisa o impacto da alta dos insumos sobre margem, fluxo de caixa e consumo, e aponta caminhos para manter competitividade no varejo sazonal

Owner selling easter egg in a store (FG Trade/Getty Images)

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Publicado em 3 de abril de 2026 às 07h00.

Às vésperas da Páscoa, a inflação projetada em 4,17% pelo Banco Central do Brasil, somada à oscilação no preço de insumos, já pressiona o humor do mercado. Tradicionalmente marcado pelo aquecimento das vendas no comércio formal e informal, o período acende um alerta entre empresários, que projetam margens mais incertas para o mês de abril.

Reajustar a rota para não sair no vermelho, no entanto, não é fácil. O aumento no preço do cacau, principal matéria-prima da temporada para o varejo local, soma-se às preocupações dos comerciantes. 

Utilizado em barras, ovos da páscoa e variadas receitas de época, o insumo acumulou alta de 24% nos últimos doze meses, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para aliviar esse cenário de tensão, o ‘ticket médio’ do consumidor também cresceu em 2026. 

Com a balança comercial mais salgada, os brasileiros devem gastar em torno de R$ 253 na cesta de produtos, o que representa uma variação de 2,43% no comparativo com o ticket do ano passado. 

E não foram apenas os gastos que aumentaram. Apesar dos preços mais altos, aumentou o número de brasileiros que devem ir às compras, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil. 

Apesar dos ventos contrários, o apego pela data comemorativa continua sendo uma aposta dos comércios. A avaliação é da CEO e fundadora da startup ‘Afrocentrados Conceito’, Cynthia Paixão, que observa a preparação dos microempreendedores e autônomos a todo vapor, mesmo com o risco dos lucros abaixo do esperado. 

Para a especialista, o olhar atento ao comportamento do consumidor é o que vai diferenciar as estratégias de venda e o consequente aumento no faturamento. 

“Mesmo com o cenário de pressão nos custos e margens mais apertadas, a Páscoa continua sendo uma oportunidade estratégica para microempreendedores elevarem as vendas. 

No entanto, é preciso saber se posicionar. Dentro da Afrocentrados, em nosso hub e conversando com as marcas parceiras, eu sempre digo que a chave da boa venda é a diferenciação. 

Mesmo com insumos mais caros, o público ainda quer comprar, portanto, tudo aquilo que se diferencia do mercado tradicional, mas possui valor agregado, é estrategicamente bem-vindo”, comenta Cynthia. 

Para microempreendedores, foco no consumidor é essencial

As estratégias para uma receita pascal mais ‘recheada’, segundo Cynthia, está em colocar o consumidor como foco. A especialista explica que produtos com identidade, timing antecipado das vendas, personalização de cestas e produtos – desde o portfólio de vendas até a comunicação, podem criar oportunidades e ofertas mais assertivas. 

“Fisgar o consumidor em uma temporada incerta é o que vai garantir a projeção das vendas. Facilitar a vida do consumidor e garantir que ele tenha uma experiência acessível, rápida e personalizada é o desejo dos brasileiros, já que diminuir o valor médio do seu produto representa um baque nos custos com estoque, tornando-se uma estratégia inacessível. O cuidado com as armadilhas nas finanças dessa época é essencial”, explica a empresária. 

À frente da Afrocentrados Conceito, Cynthia integra marcas afro-brasileiras em um canal duplo de vendas, estratégia que considera crucial nesta época. 

Posicionando os comerciantes negros dentro do circuito tradicional de vendas, no Shopping Bela Vista, em Salvador, a empresária também utiliza a Afrocentrados Hub, plataforma de negócios de impacto e inovação afro, para alcançar o público que não abre mão do conforto do próprio lar; mas que deseja participar das festividades.

O consumidor quer mais valor

As mudanças no comportamento do consumidor, segundo Cynthia, mostram que o público está mais criterioso e orientado por ‘valores’ e não apenas por preço. 

Há uma diferença gritante entre acumular valor para um produto (narrativas, identidade, personalização) para o ‘preço’, que nada mais é que o custo das operações”, alerta.

Os insights da especialista casam com as projeções da CNDL para a Páscoa deste ano. Segundo a Confederação, a ‘qualidade’ já é o principal critério de decisão de compra, avaliado por 45% dos compradores, enquanto o preço vem logo a seguir, estimado por 44% do público.

“Os empreendedores e autônomos que souberem alinhar propósito, qualidade e boa experiência de compra terão chances de se destacar, mesmo em um ambiente de custos elevados e maior competitividade do mercado nacional”, conclui.

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