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Fim à lâmpada branca? Geração Z quer levar luz baixa até aos escritórios

Funcionários mais jovens reclamam de luzes fortes em escritórios, enquanto empresas tentam equilibrar conforto, produtividade e preferências individuais

Trabalhadores mais jovens passaram a compartilhar soluções para escapar das tradicionais lâmpadas fluorescentes de escritórios, (Fernando Camino/Getty Images)

Trabalhadores mais jovens passaram a compartilhar soluções para escapar das tradicionais lâmpadas fluorescentes de escritórios, (Fernando Camino/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 19h06.

Uma disputa aparentemente simples passou a dividir escritórios nos Estados Unidos: a intensidade da iluminação. Para alguns funcionários, as luzes fortes no teto ajudam na concentração e mantêm o ritmo de trabalho. Para outros, causam desconforto, cansaço visual e tornam o ambiente menos agradável.

O tema ganhou força nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde trabalhadores mais jovens passaram a compartilhar soluções para escapar das tradicionais lâmpadas fluorescentes de escritórios, como usar luminárias próprias, cobrir luzes ou ajustar a iluminação das mesas.

Segundo reportagem do Business Insider, o debate virou mais um exemplo de diferença de preferências entre gerações no ambiente de trabalho.

Na Atlas Financial Solutions, empresa de Bakersfield, na Califórnia, a divisão ficou evidente. Funcionários mais jovens relataram incômodo com a iluminação intensa, enquanto colegas mais velhos disseram preferir ambientes mais claros.

Para Reyna Arredondo, especialista em folha de pagamento da empresa e integrante da Geração Z, a luz forte aumenta a sensação de pressão e ansiedade. Já a proprietária da companhia, Amanda DiGiacomo, afirmou que prefere a iluminação intensa porque sente que enxerga melhor a tela do computador e consegue manter o foco.

Iluminação vira novo conflito no ambiente corporativo

O Business Insider ouviu 11 funcionários de escritórios de seis empresas e dois designers de interiores para entender como a iluminação afeta a rotina profissional.

Para parte dos trabalhadores, as luzes fluorescentes ajudam na produtividade e facilitam a leitura. Para outros, o excesso de claridade provoca ofuscamento, dores de cabeça, fadiga ocular e distração.

A dificuldade para as empresas está em encontrar uma solução que funcione para todos. Assim como ocorre com a temperatura do escritório, a iluminação é uma preferência individual difícil de adaptar em ambientes compartilhados.

Na Atlas, funcionários chegaram a um acordo informal: a luz sobre a mesa de uma funcionária permanece ligada, enquanto a luminária sobre a estação de trabalho de uma colega da Geração Z fica desligada.

Outros trabalhadores buscaram alternativas próprias. Alguns passaram a usar softwares que deixam as telas em tons mais quentes, enquanto outros levaram abajures para suas mesas.

Em um caso relatado pelo Business Insider, uma consultora de marketing de 25 anos levou uma luminária para o escritório e acabou influenciando colegas da mesma geração. Depois disso, a empresa criou um orçamento para que funcionários da Geração Z comprassem suas próprias lâmpadas.

Designers defendem mais opções de iluminação

A discussão também chegou aos profissionais responsáveis por projetar ambientes corporativos.

A designer de interiores Lucia Fuentes, ouvida pelo Business Insider, afirma que a iluminação intensa de teto pode prejudicar a percepção de um espaço e defende ambientes com diferentes fontes de luz.

Segundo ela, o problema não é necessariamente ter iluminação forte, mas depender de uma única fonte uniforme para todo o escritório.

Para Fuentes, ambientes de trabalho deveriam combinar luz natural, iluminação mais aconchegante e luminárias individuais, permitindo que cada funcionário ajuste o espaço às próprias necessidades.

A designer também alertou para soluções improvisadas compartilhadas nas redes sociais, como cobrir lâmpadas fluorescentes com materiais inflamáveis.

A discussão sobre iluminação, segundo especialistas ouvidos pelo jornal, revela uma mudança maior na relação dos trabalhadores com o escritório: depois de anos de ambientes padronizados, empresas começam a lidar com uma demanda crescente por espaços mais personalizados.

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