Tecnologia, biometria e inteligência artificial são apontadas como caminhos para ampliar a aviação sem depender apenas de mais infraestrutura (Teacher Photo/Bússola)
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Publicado em 22 de setembro de 2026 às 07h00.
A aviação civil se prepara para o que pode ser o maior salto de demanda da história. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA):
O setor deve transportar 8 bilhões de passageiros por ano dentro de 25 anos
O resultado será de 10 bilhões até 2050.
O setor passou a se perguntar, a partir destes dados, como ele poderia dobrar o transporte aéreo desta maneira sem dobrar aeroportos, frotas e postos de fronteira.
Dois relatórios recentes da SITA, fornecedora global de tecnologia para aéreas e aeroportos, ajudam a responder essa pergunta.
As evidências fornecidas pela empresa apontam para a tecnologia como motor do desenvolvimento do setor nas próximas décadas.
No Brasil, esse debate ganhou um capítulo concreto: o Ministério de Portos e Aeroportos, com apoio do Serpro, e a ANAC conduzem a construção da Política Nacional de Identificação Biométrica para aeroportos.
Para falar sobre essas mudanças, conversamos com Pedro Alves, Vice-Presidente Sênior da SITA. Confira a entrevista:
A indústria não vai conseguir chegar a 10 bilhões de passageiros só construindo mais infraestrutura. Ela precisa antecipar a demanda e se adaptar em tempo real. Uma analogia que gosto é a da Netflix, Spotify ou Amazon.
Essas empresas não só coletam dados. Elas usam dados para antecipar o que você precisa e fazer a experiência parecer simples. A área de viagens está chegando a um momento parecido.
Aéreas, aeroportos e órgãos de fronteira já têm uma quantidade enorme de informação. A oportunidade agora é usar esses dados para enxergar o que vem pela frente.
Sim, o Brasil tem a oportunidade de traçar o próprio caminho. O que me deixa animado é que o Brasil pode construir conexões mais fortes dentro da aviação enquanto cresce.
Em mercados maduros, companhias, aeroportos e governos estão agora tentando integrar processos que foram criados ao longo de décadas. O Brasil tem a chance de tornar essa integração parte do seu crescimento desde o início.
A maior vantagem do Brasil também é o seu maior desafio: a escala. O país tem uma população grande, forte apelo turístico e centros econômicos espalhados. Isso faz da aviação algo essencial para conectar pessoas e regiões. Mas ela também cria complexidade.
As distâncias são enormes, a conectividade regional ainda é desigual e os aeroportos precisam crescer em mercados diferentes. O Brasil precisa ampliar o acesso, garantindo, ao mesmo tempo, que a jornada continue simples e confiável.
A boa notícia é que o Brasil não precisa copiar outros mercados. Ele pode incorporar tecnologias já desde agora.
Vivemos numa economia da experiência. Os passageiros agora comparam a viagem aérea com as experiências mais fáceis da vida deles.
Aruba mostra o que se torna possível quando a indústria redesenha a jornada pensando no usuário. O retorno vai muito além de uma fila mais curta.
Agentes de fronteira conseguem concentrar a atenção onde ela é mais necessária. Aeroportos conseguem lidar com as chegadas de forma mais tranquila. E passageiros começam a viagem mais cedo.
Companhias e aeroportos estão cada vez melhores em identificar e resolver problemas. Para a América do Sul, operar com um custo por bagagem extraviada abaixo da média global é mais um sinal animador. O próximo passo é ajudar aéreas, aeroportos e equipes de bagagem a prever e prevenir problemas.
Saber onde uma mala está continua sendo essencial. Mas o próximo ganho vai ser identificar quando uma mala está em risco e agir antes que ela perca a conexão.
Ao comparar as operações atuais com padrões do passado, a IA consegue sinalizar uma mala que pode estar em risco e ajudar as equipes a escolher a melhor resposta. Um rastreamento confiável é a base de tudo.
Sem dúvida. Os países estão usando biometria de formas diferentes. Alguns nas fronteiras para ajudar viajantes elegíveis a passar pela imigração mais rápido. Outros usam credenciais digitais de viagem para que a verificação de identidade comece antes do passageiro chegar ao aeroporto.
A ideia comum é simples: confirmar quem é o viajante uma única vez e deixar que essa identidade confiável sustente o restante da jornada. E o Brasil tem a oportunidade de construir essa experiência desde o início.
A parte mais difícil raramente é reconhecer um rosto. É conquistar confiança. Os passageiros precisam de respostas claras. As organizações envolvidas também precisam ter responsabilidades bem definidas.
E a experiência precisa se manter consistente conforme o viajante passa de um para outro. E o mais importante: a biometria precisa tornar a jornada realmente mais fácil.
A privacidade não pode ser uma verificação de última hora. Ela precisa moldar a jornada desde o início. Os passageiros precisam entender que informação está sendo usada e por quê.
Eles também precisam ter confiança de que o acesso é controlado. Privacidade, segurança e praticidade não precisam competir entre si. Uma identidade digital confiável pode dificultar o uso de uma identidade falsa e, ao mesmo tempo, permitir que viajantes se movimentem com menos interrupções.
Todo mundo precisa concordar com as regras e a jornada precisa funcionar como um todo único. Primeiro, passageiros e organizações envolvidas precisam ter clareza sobre as responsabilidades e sobre como a informação será usada.
Segundo, a verificação de identidade precisa funcionar de forma integrada. Terceiro, a implementação precisa acontecer em conjunto. A tecnologia está pronta. O sucesso vai depender de fazê-la funcionar ao longo de toda a jornada.