Radamés Casseb, CEO da Aegea, e Leandro Conti, da FSB Holding (Repcast / YouTube/Reprodução)
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Publicado em 18 de março de 2026 às 13h59.
A trajetória da Aegea — hoje presente em quase 900 cidades, distribuídas por 15 estados — se entrelaça aos desafios estruturais e climáticos de um país de dimensões continentais. Atendendo mais de 39 milhões de brasileiros e registrando receita superior a R$ 16 bilhões, a companhia consolidou-se como uma das principais operadoras privadas de saneamento no Brasil.
À frente dessa operação está Radamés Casseb, que, em conversa com Leandro Conti, da FSB Holding, compartilhou estratégias de negócio, desafios do setor e a centralidade da gestão de reputação para a sustentabilidade da companhia.
Logo no início, o executivo abordou a resistência histórica à participação da iniciativa privada na gestão de água e esgoto. Segundo ele, o entendimento do caráter transitório das concessões contribui para qualificar esse debate.
“Uma concessão é uma permissão de exploração transitória. O privado está entrando nesse serviço para melhorar a qualidade, fazer o investimento para a universalização dos serviços e poder remunerar esse capital”, explicou. Ao final de ciclos que variam entre 35 e 50 anos, toda a infraestrutura retorna ao Estado.
Esse modelo, segundo Casseb, produz impactos diretos no bem-estar da população. Ele compara os investimentos em saneamento a um “plano de saúde em massa”, destacando a transformação que ocorre quando comunidades saem de índices de 10% para 90% de cobertura de esgoto. “É saúde na veia para aquela comunidade. O que está acontecendo no Brasil é único no mundo”, afirmou.
Fundada em 2010, com foco inicial em concessões fora dos grandes centros urbanos, a Aegea desenvolveu sua atuação a partir de uma proximidade direta com a população. Essa presença no cotidiano das comunidades, distante dos grandes centros financeiros, reforçou a importância da escuta ativa.
“Estar conectado com o cliente faz toda a diferença”, destacou o CEO.
Esse vínculo sustenta o que ele define como “licença social para operar”, a aprovação da população atendida, que garante estabilidade mesmo diante das frequentes mudanças de governos municipais e federais.
“Ser percebido pela população como um agente de serviço que gera resultado, que gera legado social, te deixa, por um lado, imune a críticas nesse processo de transição”, afirmou. Nesse contexto, a percepção do cliente sobre o serviço prestado torna-se um fator determinante para a continuidade dos negócios.
A estratégia de expansão da companhia está estruturada em três pilares: responsabilidade financeira, geração de legado e engajamento da equipe. No campo do legado, a diretriz é priorizar as populações mais vulneráveis desde o início das operações.
Ao assumir novas concessões, a empresa direciona seus investimentos para áreas como palafitas em Manaus e regiões como a Vila da Barca, em Belém. “O alvo prioritário é resolver os mais vulneráveis primeiro. Faz parte da dinâmica de comunicação com o nosso cliente entrar dizendo: ‘Eu vou te deixar legado’”, afirmou Casseb.
Esse compromisso se estende além da infraestrutura, alcançando dimensões de educação e geração de renda. No Rio de Janeiro, por exemplo, metade dos 9.000 funcionários diretos da companhia — cerca de 4.500 pessoas — foi recrutada nas próprias comunidades atendidas, muitas delas em sua primeira experiência formal de trabalho após capacitação em programas internos.
Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, o planejamento de longo prazo tornou-se central para a operação. O CEO relatou experiências recentes que evidenciam esse cenário, como a necessidade de buscar água a 400 quilômetros de distância, no Mato Grosso do Sul, em razão de estiagens severas, e os impactos das enchentes históricas no Rio Grande do Sul.
Para responder a esses desafios, a Aegea estruturou uma equipe de engenharia dedicada exclusivamente à adaptação climática. “Estamos falando de um processo de transição até o momento em que a nova infraestrutura será implantada. Planejamos como adaptar a infraestrutura existente para atender o cliente da melhor maneira, antecipando problemas e mitigando-os”, explicou, ressaltando o uso intensivo de dados e parcerias com institutos de pesquisa.
Na esfera pessoal, Casseb destacou a família — a esposa e os dois filhos — como seu principal ponto de equilíbrio diante das exigências da posição que ocupa.
Ao ser provocado a definir, em uma palavra, o que melhor representa a reputação, foi direto: confiança.
Para o executivo, a base desse valor está na consistência entre compromisso e entrega. “Uma coisa relevante é você cumprir o que você promete. Isso faz parte da cultura da empresa. A empresa se compromete, ela entrega”, afirmou. “São 15 anos de promessas cumpridas que vão se perpetuar por mais décadas à frente.”