Raro na Terra, o hélio-3 é visto como uma potencial fonte de energia limpa para reatores de fusão nuclear (Nasa/Divulgação)
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Publicado em 10 de abril de 2026 às 21h29.
A nova fase da exploração lunar, impulsionada pela missão Artemis II, recolocou a Lua no centro de uma disputa geopolítica e econômica. Além de ser um marco simbólico — o retorno de missões tripuladas ao entorno lunar após mais de cinco décadas —, o programa liderado pela NASA abre caminho para a exploração de recursos naturais considerados estratégicos para o futuro da economia global.
Entre esses recursos, o hélio-3 desponta como o mais cobiçado. Raro na Terra, o isótopo é visto como uma potencial fonte de energia limpa para reatores de fusão nuclear, com baixa geração de resíduos radioativos.
A superfície lunar, exposta diretamente ao vento solar, concentra esse material em níveis que despertam o interesse de governos e empresas privadas. Ainda que a tecnologia para sua exploração em larga escala não esteja disponível, o avanço das missões indica uma preparação para esse cenário. Ao testar sistemas de navegação, comunicação e operação em órbita lunar, a Artemis II estabelece as bases para futuras etapas, que incluem pousos tripulados e, no longo prazo, a construção de infraestrutura permanente na Lua.
Inserção limitada
Nesse contexto, cerca de 70 países já participam de acordos e iniciativas voltadas à exploração lunar. Potências como Estados Unidos, China e Índia ampliam investimentos, enquanto a Agência Espacial Europeia avalia o uso da Lua como base de apoio para missões mais distantes. Paralelamente, empresas privadas avançam no desenvolvimento de tecnologias para mineração espacial e produção de combustível fora da Terra.
O Brasil, por sua vez, busca inserção nesse novo ciclo, ainda que de forma limitada. O País participa do programa Artemis com três iniciativas: o projeto Space Farming, voltado ao cultivo de plantas em ambiente lunar; o satélite Selenita, para monitoramento climático; e o nanosatélite Garatéa, dedicado a experimentos biológicos e observação da superfície lunar.
Para Emerson Granemann, CEO da MundoGEO e idealizador da feira SpaceBR Show, o envolvimento brasileiro ainda é tímido diante do potencial do setor. “Apesar de o Brasil ser um dos participantes do programa, estamos longe de ser protagonistas no mercado espacial”, afirmou em artigo publicado.
Investimentos
Segundo ele, há capacidade técnica instalada, mas falta consistência nos investimentos públicos: “Se não há uma política de longo prazo, não há como sustentar e dar robustez para as empresas se mostrarem no mercado externo de forma competitiva.”
Granemann destaca que o Brasil ocupa a última posição no G20 em investimento espacial, atrás de países como Argentina e África do Sul. Ele também chama atenção para a fragmentação institucional, que dificulta a coordenação de projetos e a definição de uma estratégia nacional. “O investimento acaba se dispersando”, disse.
Como exemplo de política bem-sucedida, Granemann cita a Embraer, que se consolidou globalmente com apoio contínuo do Estado. Ele também menciona o modelo da SpaceX, cuja trajetória foi impulsionada por investimentos governamentais desde a origem. Diante da nova corrida espacial, o desafio brasileiro é transformar participação pontual em estratégia de longo prazo. “Podemos passar de fracos coadjuvantes para protagonistas, de fato, da nova conquista espacial”, ponderou.