Iônata Smikadi
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Publicado em 9 de março de 2026 às 17h00.
A paridade de gênero em cargos de liderança no Brasil pode levar até 160 anos, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Talenses Group e o Núcleo de Estudos de Gênero do Insper. Perspectiva preocupante, mas neste mês do Dia Internacional da Mulher, exploramos o perfil de uma profissional que faz parte do ecossistema que acelera este movimento.
Iônata Smikadi é médica, professora da UERJ, mentora e empreendedora na área da saúde, com atuação voltada ao desenvolvimento estratégico de carreiras médicas. Inspirando-se na própria trajetória como mulher negra na medicina, ela criou o Rota Médica, programa de mentorias que forma médicos empreendedores com atenção especial a lideranças femininas.
“A faculdade de medicina ela te prepara para você sair e fazer residência. O cúrriculo dos cursos de medicina de hoje, para se ter uma ideia, ainda é o mesmo dos anos 1950! O médico, hoje, pode ser empreendedor e até mesmo influenciador. Criei o Rota para mostrar isso a recém formados”
O Rota Médica é uma iniciativa independente, criada e gerenciada exclusivamente pela médica empreendedora. Ele funciona por meio de mentorias em grupo, a cada 15 dias, e individuais. O contato acontece majoritariamente pelo Instagram e Iônata explica que o foco é permitir que médicos possam seguir mais de um caminho.
“Eu já cheguei a ganhar até R$ 60 mil por mês, mas isso foi a custo de apenas 5 horas livres semanais. A mentoria se dedica a mostrar aos médicos quanto antes eles escolherem o caminho para se desenvolver, mais rápido você vai chegar num ponto confortável e preenchedor — profissional e pessoalmente falando”, conta.
Iônata é não é filha de médicos, e deixa isso claro. Para ela, que nasceu em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, em um bairro periférico, o caminho foi mais difícil. E como mulher negra, ela reconhece a importância de oferecer suporte para o surgimento de novas lideranças femininas na sua área.
“Primeiro, você precisa saber muito para onde você está indo, porque provavelmente você não vai ter muitas oportunidades. As que tiver exigirão que você mostre seriedade. Mostre porque veio. E segundo saber que um ‘não’ é só um ‘não’. Ele provavelmente é sobre aquela pessoa, não sobre você”, afirma, ecoando os ensinamentos da sua mentoria.
Exemplo de empreendedorismo e liderança feminina, Iônata cita a origem de suas habilidades como o desejo de se superar. Durante sua carreira, ela também realizou um fellowship em liderança pela Columbia University, e cita o programa ProLíder, do Instituto Four, como passo importante para o entendimento de si como mulher e líder.
O programa de formação de lideranças está na sua 11ª edição, com inscrições que vão até o dia 30 de abril. Iônata conta que “ o ProLíder abriu várias portas, inclusive pro fellowship na Colúmbia, em que fui financiada pela Fundação Leman, que é uma das parceiras do programa. Hoje, por exemplo, eu posso pensar a sério sobre a internacionalização da minha carreira”.
Ionata está no processo de escrita do seu livro “Manual de Atendimento Antirracista”. A princípio, ela o lançaria apenas em portugues, mas o entendimento da importância do assunto a fez considerar o lançamento internacional.
“Será um livro muito importante. Conversando com uma amiga dos EUA, ouvi que precisava traduzi-lo para o inglês porque os problemas são os mesmos vividos por eles. É a mesma experiência que os médicos negros dos Estados Unidos vivem”, conclui.