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Para 93% das mulheres, homens precisam contribuir mais com equidade no trabalho

Levantamento com lideranças femininas mostra que apenas 45% das entrevistadas acham que eles já ajudam o suficiente no combate ao preconceito de gênero

Mulheres acreditam que homens podem contribuir mais com ambiente de trabalho igualitário (10'000 Hours/Getty Images)

Mulheres acreditam que homens podem contribuir mais com ambiente de trabalho igualitário (10'000 Hours/Getty Images)

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Publicado em 10 de março de 2026 às 07h00.

Nove em cada 10 mulheres sentem que os homens podem contribuir mais para a construção de ambientes de trabalho menos desiguais. Entre os 93% das mulheres que pensam assim:

  • 73% acham que eles poderiam contribuir muito mais
  • 20%, um pouco mais. 

Os dados são da pesquisa inédita “Alianças masculinas e a liderança das mulheres: além do discurso”, feita pela Todas Group e pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com mulheres em cargos de liderança. 

  • Apenas 4% sentem que os homens já fazem o suficiente,
  • 2% não souberam ou não opinaram.

A percepção de que os homens poderiam investir mais na aliança com mulheres pelo fim da desigualdade de gênero é quase unanimidade entre as que se identificam como indígenas/amarelas (98%), profissionais da área do Marketing (97%) e diretoras ou heads de área (96%).

Por que homens não estão contribuindo o suficiente? 

O motivo da falta de contribuição é, para a maioria das entrevistadas, a ausência de percepção do problema: 

  • 51% das mulheres acreditam que os homens pensam que já existe igualdade no ambiente corporativo,
  • Outras 45% acham que eles encaram como exagero a questão. 

Em seguida, aparecem medo de perder privilégios (35%), falta de interesse real (21%), medo de serem julgados por outros homens (19%), falta de conhecimento sobre como agir (15%) e falta de incentivo na cultura empresarial sobre a mudança (10%). As entrevistadas podiam escolher mais de uma opção.

“Os dados revelam uma realidade que precisa ser repensada. Quase a totalidade de mulheres em cargos de liderança até de grupos minorizados pedem maior colaboração, e a percepção de metade delas é de que os homens acreditam em uma paridade que, na prática, não existe, ou enxergam o tema como exagero.

É importante reforçar que liderança feminina não é um assunto só para mulheres, é um tema estratégico, já que inúmeros estudos mostram como equilíbrio de gênero em cargos de decisão melhora níveis de bem estar organizacional, inclusive para homens”, explica Dhafyni Mendes, cofundadora da Todas Group.

Menos da metade das mulheres acredita que homens já contribuem para a causa

Mesmo com a percepção massiva da maior necessidade de apoio por parte dos homens no combate à desigualdade de gênero, 69% das entrevistadas disseram já terem recebido da parte deles oportunidades que mudaram sua carreira para melhor. 

O dado pode ser parcialmente explicado pelo perfil das empresas analisadas na entrevista: 7 em cada 10 mulheres (69%) relataram existir muito (46%) ou um pouco (23%) mais de homens em cargos de liderança onde trabalham.

Apesar disso, menos da metade (45%) das entrevistadas pensa que os homens contribuem, que seja muito (14%) ou um pouco (31%), para um ambiente de trabalho sem preconceitos.

“Nós ainda temos um ambiente de trabalho no país e no mundo em que mais homens do que mulheres ocupam posições de liderança, então é esperado que as mulheres entrevistadas tenham cruzado com chefes que deram a elas possibilidades de aprendizado e crescimento dentro das empresas. 

Cada vez mais temos homens que entendem sua responsabilidade como liderança e os benefícios para a organização, com o crescimento de mulheres no ambiente de trabalho”, conclui Dhafyni.

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