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Três perguntas sobre 5G para Igor Calvet, presidente da ABDI

Executivo participa na próxima quinta do seminário 5G.br São Paulo, que marca a chegada da tecnologia no Brasil, promovido pelo Ministério das Comunicações
Igor Calvet: evento será no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (Divulgação/Divulgação)
Igor Calvet: evento será no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (Divulgação/Divulgação)
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Bússola

Publicado em 09/08/2022 às 19:14.

Última atualização em 10/08/2022 às 09:12.

A quinta geração de telefonia móvel, o 5G, vai permitir que as empresas entrem com mais efetividade na era digital, com base no conceito de indústria 4.0. E justamente os setores onde a indústria 4.0 está mais evoluída, como o automotivo e o agronegócio, é onde o 5G terá maior impacto inicial, segundo Igor Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Em entrevista à Bússola, ele fala sobre como a tecnologia muda o jogo para o setor produtivo brasileiro e traz benefícios para todas as verticais da economia.

Na próxima quinta-feira, 11 de agosto, Calvet será um dos palestrantes do seminário 5G.br São Paulo, promovido pelo Ministério das Comunicações (MCom). Ele participa do painel "5G no Brasil: Avanços na conectividade em um país continental", juntamente com executivos da Claro, da Vivo e da Ericsson, com moderação do conselheiro da Anatel, Artur Coimbra.

O evento, que acontece no hotel Grand Hyatt, em São Paulo, discute o alcance da transformação na economia e nos setores produtivos da chegada do 5G no Brasil. Para se inscrever, basta preencher um formulário no site do evento.

Bússola: As maiores revoluções trazidas pelo 5G estão notadamente relacionadas à indústria. Quais são os impactos que podemos esperar na produtividade industrial com a chegada da tecnologia?

Igor Calvet: O 5G é o principal acelerador para a transformação digital dos negócios porque habilita e impulsiona as tecnologias inovadoras, como a internet das coisas (IoT), a realidade aumentada, a computação em nuvem e a inteligência artificial.

Isso contribui para que a robotização industrial ocorra de forma segura e eficiente. A quinta geração móvel, portanto, permite que as empresas entrem com mais efetividade na era digital, baseada no conceito de indústria 4.0. O que a gente espera de uma aplicação de 5G é maior flexibilidade na planta industrial, versatilidade, redução de custos e, consequentemente, aumento de produtividade. O 5G, sem dúvida nenhuma, é um game change, vai mudar muito as regras do jogo no aspecto da produção e da eficiência.

Um estudo feito pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, em parceria com PNUD Brasil e Deloitte, com um mapeamento do ecossistema de soluções digitais e aplicações do 5G no país, mostrou que a utilização de soluções 5G pode proporcionar um benefício de R$ 590 bilhões por ano para todas as verticais da economia.

Considerando somente a demanda potencial de software, a expectativa de valor total até 2031 é de R$ 101 bilhões, sendo que R$ 10 bilhões seriam para software de rede – incluindo oportunidade do Open RAN para desenvolvimento de ecossistema e parcerias internacionais – e R$ 91 bilhões para software de aplicações.

Uma das principais características do 5G é sua baixa latência, que tem altíssimo impacto para a indústria. Como podemos sentir na prática os efeitos positivos desse aspecto da tecnologia na indústria brasileira?

O 5G foi concebido, principalmente, para conexão entre máquinas e equipamentos. Tem características muito especiais de confiabilidade da rede, de capacidade de transmissão de dados e latência muito baixa. Por isso, é uma tecnologia muito atraente para aplicações industriais.

Na prática, é a capacidade de ligar uma gama variada de equipamentos à rede e, por conta da baixa latência, ter respostas a um comando em tempo real, o que permite, por exemplo, a operação de guindastes de forma remota ou a realização de manutenção preditiva de máquinas, com dispositivos de IoT (Internet das Coisas) e machine learning, que possibilita prever a necessidade de reparos antes que os equipamentos quebrem e a produção tenha que parar.

A ABDI, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), tem realizado testes-pilotos de aplicação do 5G na indústria, nas cidades e na agricultura. Com o Grupo WEG, iniciamos testes de uso de 5G em redes privativas em uma das fábricas mais automatizadas do grupo. O objetivo é testar a conectividade de diversos dispositivos IoT à rede 5G e contribuir para o desenvolvimento de soluções economicamente viáveis para a indústria.

Os primeiros resultados dos testes já mostram que a rede 5G proporciona níveis de segurança, qualidade de tráfego, estabilidade e alta velocidade, superiores aos oferecidos anteriormente pelo 3G e o 4G. Testamos vários casos de uso e para todos eles os resultados obtidos demonstraram que os níveis alcançados são condizentes com a expectativa da rede 5G, permitindo os ganhos esperados com a nova tecnologia.

A ABDI já vem trabalhando em uma série de parcerias para viabilizar o uso da tecnologia em vários setores. Em que setores, o uso do 5G nos meios produtivos está mais avançado?

Onde a indústria 4.0 está mais evoluída é onde o 5G terá maior impacto inicial. É o caso do setor automotivo, por exemplo, que possui um nível de automação muito alto, ou as petroleiras e grandes indústrias da área de logística. Nos setores onde as cadeias de produção estão mais digitalizadas, a demanda por maior conectividade é muito alta.

O agronegócio que adota tecnologias 4.0 também tem maior possibilidade de ter benefícios mais imediatos das aplicações com a quinta geração móvel. É por isso que a ABDI estimula e atua na realização de testes-piloto, para disseminar o conhecimento das aplicações e minimizar os riscos da adoção de tecnologias. Desses projetos, podemos ter informações acuradas que serão difundidas para todos os setores.

Assim, conseguimos demonstrar os benefícios e os custos da adoção tecnológica, oferecendo ao setor produtivo mais segurança para os investimentos feitos em tecnologia. E buscamos trabalhar nisso de forma coordenada com instituições promotoras de inovação, governos e iniciativa privada, com o objetivo de potencializar todos os benefícios da tecnologia.

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