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3 perguntas sobre 5G para Guilherme Spina, CEO da V2COM

Executivo participa na próxima quinta do seminário 5G.br São Paulo, que marca a chegada da tecnologia no Brasil, promovido pelo Ministério das Comunicações
Evento será no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (Gutierrez-Juarez/Getty Images)
Evento será no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (Gutierrez-Juarez/Getty Images)
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Bússola

Publicado em 08/08/2022 às 20:45.

Última atualização em 09/08/2022 às 10:58.

A chegada do 5G pode não ser tão visível para o usuário como foi a revolução trazida pela chegada da internet. Mas pode transformar a indústria como conhecemos hoje, ao promover redução de custos e desperdícios e um boom de geração de valor.

Quem diz isso tem experimentado a tecnologia na prática. Em entrevista à Bússola, Guilherme Spina, CEO da V2COM, provedora de Iot, ou Internet das Coisas, fala da experiência da empresa com o 5G nos últimos dois anos e de sua expectativa com a chegada da tecnologia ao mercado no Brasil. A empresa firmou parceria com a ABDI para teste da tecnologia em ambiente industrial.

Na próxima quinta-feira, 11 de agosto, ele será um dos palestrantes do seminário 5G.br São Paulo, promovido pelo Ministério das Comunicações (MCom). Ele participa do painel “Revolução na indústria e na economia: como o 5G deve alavancar o setor produtivo brasileiro”, juntamente com executivos da Nokia, da Bosch e da Intelbras, com moderação do presidente da ABDI, Igor Calvet.

O evento, que acontece no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (SP), discute o alcance da transformação na economia e nos setores produtivos da chegada do 5G no Brasil. Para se inscrever, basta preencher um formulário no site do evento.

Bússola: O grupo WEG já vem há algum tempo conduzindo testes do uso de tecnologia 5G em redes privativas. Como o 5G pode modificar as estruturas de produção e impactar a rotina das empresas?

Guilherme Spina: Começamos o Open Lab 5G WEG-V2COM há pouco mais de dois anos com o intuito de, em primeira pessoa, conhecermos as vantagens e as dificuldades do 5G. É essencial ir além das apresentações e projeções dos “vendors” tecnológicos e das empresas de consultoria e formar opinião sobre o real valor gerado, sobre os melhores modelos de negócio e de um roadmap possível para a adoção dessa tecnologia, focando nos casos de uso que realmente podem gerar impacto positivo.

Para isso testamos alguns formatos de arquitetura de rede, diferentes frequências de operação, diferentes formas de operação da rede e alguns casos de uso, tudo isso dentro da oferta tecnológica disponível no momento: o release 15 do 3GPP. Pudemos constatar que o 5G, mesmo que ainda em sua infância, tem grande potencial como tecnologia habilitadora para que, no futuro, tenhamos convergência para uma única rede de dados no ambiente industrial.

Quando chegarmos a esse ponto prevemos que os ganhos ocorrerão devido a ganhos nos processos de suporte ao negócio (segurança, saúde ocupacional, flexibilidade operacional etc.), apoiando melhores decisões gerenciais, com menos riscos e menos desperdício. A indústria nasceu na mecanização do trabalho, posteriormente houve a eletrificação dessas máquinas e, no final do século passado, vimos amadurecer a automação dos processos produtivos. Como próximo passo 5G será o alavancador da digitalização do ambiente produtivo.

Bússola: Mas os benefícios do 5G não se limitam aos casos testados. A partir dos resultados obtidos, que tipos de aplicações podemos imaginar para a indústria?

Guilherme Spina: Como nesta primeira onda do Open Lab 5G WEG-V2COM utilizamos o release 15 do 3GPP focamos nos casos de uso centrados no uso da banda larga estendida (eMBb - Enhanced Mobile Broadband) e CoMP (Coordinated Multipoint). Na onda 2 que executaremos neste segundo semestre de 2022, usando o release 16, poderemos testar casos de uso centrados em uRLLC (Ultra-Reliable Low Latency Communications).

O que pudemos observar é que o real valor do 5G é capturado quando se multiplicam os pontos conectados a uma mesma antena, potencializando o uso de uma única rede de comunicação.

Dessa forma, voz, dados, imagens, protocolos de controle industrial do chão de fábrica e tudo que precisa de comunicação compartilham a mesma infraestrutura. Podemos antecipar uma série de casos de uso que utilizam câmeras e visão artificial, mobilidade autônoma (robôs) e virtualização de controladores fisicos.

Bússola: Pensando em todas essas aplicações, como a tecnologia vai impactar a vida do cidadão?

Guilherme Spina: Novas tecnologias trazem novas oportunidades e alguns novos problemas, que geram novas oportunidades. Aparentemente o 5G vai impactar menos o cidadão ou o usuário diretamente do que a grande revolução das telecomunicações que vimos nos últimos 20 anos: a internet e o celular.

Vivemos uma grande mudança na forma de termos acesso à informação, de nos comunicarmos, de consumirmos entretenimento, bem como produtos através do comércio eletrônico. O impacto do 5G nesses setores é o de uma rede mais rápida.

Contudo, se o 5G efetivamente impactar diretamente a produtividade da indústria e efetivamente possibilitar a digitalização dos ativos reais veremos um boom de geração de valor, redução de custos (devido a redução de riscos, desperdícios) além de novas empresas com novos modelos de negócios possibilitados por essa tecnologia.

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