Apesar do frio, as chances de neve na Serra Gaúcha são poucas
Colaboradora
Publicado em 7 de julho de 2026 às 17h33.
O inverno de 2026 já emplacou mais de uma onda de frio intenso no Rio Grande do Sul, e a pergunta que domina as buscas volta a se repetir a cada nova massa de ar polar: vai nevar na Serra Gaúcha?
Nesta terça-feira (07), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém aviso de geada para praticamente todo o estado, com mínimas próximas de -3°C nas áreas mais altas, mas isso sozinho, não garante flocos de neve.
Entenda por que o frio recorde nem sempre vem acompanhado de neve e o que os modelos meteorológicos indicam para os próximos dias.
A neve é um fenômeno raro e localizado no território brasileiro, que costuma se formar apenas quando três condições aparecem ao mesmo tempo: temperaturas negativas, umidade suficiente na atmosfera e uma frente de instabilidade que force esse ar frio e úmido para cima.
Por isso, frio intenso com céu limpo e seco, como o que tem marcado boa parte de julho no Sul, normalmente produz geada, e não neve.
As regiões com maior probabilidade de registrar o fenômeno são as áreas de maior altitude do Sul do país, como os Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul (Cambará do Sul, São José dos Ausentes, Bom Jesus e São Francisco de Paula), e a Serra Catarinense (São Joaquim e Urubici).
Excepcionalmente, episódios de neve ou chuva congelada já foram registrados também em pontos altos de Santa Catarina, do Paraná e até de São Paulo, mas com muito menos frequência.
No calendário do Rio Grande do Sul, julho costuma ser o mês mais frio do ano e, historicamente, o de maior chance de neve, já que concentra as passagens mais fortes de massas de ar polar de origem antártica.
A primeira semana de julho já trouxe um episódio de atenção: entre a noite de quinta-feira (2) e a madrugada de sexta (3), a Climatempo apontou possibilidade de precipitação invernal nos Campos de Cima da Serra, entre Cambará do Sul e São José dos Ausentes.
No fim de semana seguinte (4 e 5 de julho), o cenário mudou de figura: o ar polar atingiu seu ápice, mas trouxe céu limpo e sol forte durante o dia, um padrão que favorece geadas generalizadas, com marcas entre -1°C e -3°C em cidades do Sul e da Serra.
Segundo o boletim mais recente do Inmet, válido para esta terça (07) e quarta-feira (08), o padrão de tempo estável e seco deve continuar predominando na Região Sul:
Nos dois dias, o tempo predominantemente firme e seco, com possibilidade de chuva isolada restrita ao leste do Paraná e ao litoral norte de Santa Catarina, indica baixa probabilidade de neve no curto prazo, já que falta o ingrediente da umidade.
Ou seja: o frio recorde está confirmado, mas, pelo menos até quarta-feira, as condições atmosféricas favorecem geada intensa, não neve.
Qualquer mudança depende da chegada de uma nova frente de umidade combinada com o ar gelado.
Olhando para o restante da temporada, o cenário é de cautela.
O inverno de 2026 tem sido influenciado pelo fortalecimento do El Niño no Pacífico, fenômeno que tende a deixar o ar mais úmido e a reduzir a permanência de massas de ar frio por períodos longos.
Meteorologistas consultados por veículos especializados já vinham alertando, desde o início da estação, que a chance de neve em 2026 seria menor do que em 2025, ano em que o Sul do país registrou três episódios do fenômeno.
Na prática, isso não significa que a neve esteja descartada: os Campos de Cima da Serra seguem sendo, historicamente, o ponto mais provável do país para o fenômeno, e novas ondas de frio ainda devem chegar ao Rio Grande do Sul ao longo de julho e agosto, tradicionalmente os meses mais gelados do ano.
Mas a tendência, segundo os modelos atuais, é de episódios mais raros, rápidos e pontuais, sem grande acúmulo, do que de nevascas generalizadas.