Brasil

TRE-SP cassa mandato de Carla Zambelli

Parlamentar afirmou nas redes sociais que vai 'continuar representando os eleitores até o encerramento dos recursos cabíveis'

TRE-SP: decisão cassa mandato de Carla Zambelli e a torna inelegível (Najara Araújo/Agência Câmara)

TRE-SP: decisão cassa mandato de Carla Zambelli e a torna inelegível (Najara Araújo/Agência Câmara)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 30 de janeiro de 2025 às 19h36.

Última atualização em 30 de janeiro de 2025 às 19h47.

Tudo sobrePolítica
Saiba mais

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou, na tarde desta quinta-feira, 30, o mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político. A decisão, que também a torna inelegível por oito anos a partir do pleito de 2022, teve cinco votos a favor e dois contra. A parlamentar afirmou nas redes sociais que vai "continuar representando os eleitores até o encerramento dos recursos cabíveis".

A ação foi proposta pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que citou a existência de um “ecossistema de desinformação” envolvendo Zambelli. Segundo a acusação, esse mecanismo teria sido criado para conquistar apoio político por meio da disseminação de notícias falsas que colocavam em dúvida a lisura das eleições.

"Fica claro que a perseguição política em nosso país, contra os conservadores, é visível como o Sol do meio-dia. Continuarei a lutar todos os dias de minha vida ao lado de vocês, para que tenhamos a esperança de um Brasil próspero e digno para o povo brasileiro", declarou Zambelli, que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a decisão.

O julgamento começou em 13 de dezembro de 2023. O relator do caso, juiz Encinas Manfré, elencou uma série de publicações feitas pela deputada e considerou que Zambelli “conscientemente atuou para difundir informações fraudulentas”, promovendo “incitação de animosidade e hostilidade contra o sistema eleitoral e membros do Poder Judiciário”.

Decisão gera divergências no TRE-SP

O magistrado destacou que as declarações da deputada não estavam protegidas pela liberdade de expressão. Segundo ele, “esse direito fundamental não se compatibiliza à propagação de informações falsas e discursos que incitem ódio ao Estado Democrático de Direito” . Acompanharam o voto do relator o presidente da Corte, Silmar Fernandes, o desembargador Cotrim Guimarães e os juízes Claudio Langroiva Pereira e Rogério Cury.

O julgamento havia sido suspenso anteriormente devido a um pedido de vistas da juíza Maria Cláudia Bedotti. Ao retomar a análise, a magistrada votou contra a cassação, argumentando que não estavam caracterizados o abuso de poder político e o uso indevido dos meios de comunicação. Seu entendimento foi seguido pelo juiz Régis de Castilho.

Defesa e Ministério Público se manifestam

O advogado de Sâmia Bomfim, Luiz Paulo Viveiros de Castro, afirmou que Zambelli usou suas redes sociais para promover ataques ao processo eleitoral, colocando em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas e dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por outro lado, a advogada da deputada, Flavia Cardoso Campos Guth, argumentou que Zambelli exerceu seu direito à liberdade de expressão e que o processo não apresentou provas concretas dos supostos crimes. Segundo a defesa, "não há evidências de que as publicações da parlamentar tiveram impacto real no resultado das eleições" .

A advogada também mencionou que Zambelli tem imunidade parlamentar e denunciou uma suposta “articulação consciente de parlamentares de esquerda” para cassar mandatos de opositores, citando ações contra os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO).

Pelo Ministério Público, o procurador eleitoral Paulo Taubemblatt defendeu a condenação da deputada, afirmando que ela colaborou com “tramas assustadoras no pós-eleição” . Segundo ele, Zambelli ajudou a criar um ambiente de insegurança sobre os resultados das urnas e violou o princípio da igualdade entre candidatos.

"Ela fez um juramento de defender, cumprir e manter a Constituição. Quando publica vídeos sabidamente falsos nas redes sociais para gerar incerteza sobre o resultado das eleições, ela fere o equilíbrio do processo eleitoral", disse Taubemblatt, que também mencionou a relação da deputada com o hacker Walter Delgatti Neto.

Leia a íntegra do posicionamento de Carla Zambelli:

"Hoje, o TRE-SP entendeu por anular os votos de 946.244 cidadãos paulistas e cassar meu mandato de deputada federal.

Essa decisão não tem efeitos imediatos, e irei continuar representando São Paulo e meus eleitores até o encerramento dos recursos cabíveis.

Fica claro que a perseguição política em nosso país, contra os conservadores, é visível como o Sol do meio-dia.

Continuarei a lutar todos os dias de minha vida ao lado de vocês, para que tenhamos a esperança de um Brasil próspero e digno para o povo brasileiro."

Acompanhe tudo sobre:Política

Mais de Brasil

Moraes dá 48h para Jair Bolsonaro explicar se deu aval a vídeo de IA na convenção de Flávio

Cleitinho diz ao PL que será candidato ao governo de Minas

Governo Lula vai ampliar prazo para aderir ao Desenrola 2.0

Lula provoca Trump por corte de verbas à OMS: 'tratamento de saúde não é para rico'