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Sócio de empresa ligada à produtora de Dark Horse é apontado como integrante do PCC

Alex Leandro Bispo dos Santos, tido como 'escorpião do PCC' e responde atualmente por feminicídio

Alex Leandro Bispo dos Santos (Reprodução/TV Globo)

Alex Leandro Bispo dos Santos (Reprodução/TV Globo)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 10h05.

Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 10h06.

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Na investigação sobre a utilização de emendas parlamentares por empresas ligadas a Karina da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia de Jair Bolsonaro, a Polícia Civil de São Paulo encontrou uma ligação da ONG com Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado como membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e que responde por feminicídio.

A empresa de Alex Leandro foi contratada para prestar serviços de instalação de pontos de wi-fi no âmbito de um contrato do ICB de Karina Gama com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Civil também investiga  contrato com a prefeitura. De acordo com um relatório da polícia encaminhado ao Ministério Público, há "expressiva discrepância econômica entre os valores anteriormente praticados pelo município e aqueles pactuados com o Instituto Conhecer Brasil". Em contratos anteriores da prefeitura com a empresa pública municipal Prodam, o custo era de R$ 230 para a implantação e R$ 306 mensais para a manutenção de cada ponto de internet. No contrato com a ONG de Jarina Gama, foi estipulado pagamento de R$ 1.800 por mês por ponto instalado.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo dos documentos neste domingo, 13.

Alex era sócio único de uma empresa, a Favela Conectada Serviço e Tecnologia, que foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil de Karina Gama por R$ 12 milhões no âmbito do contrato da ONG com a Prefeitura de São Paulo, alvo de investigação por sobrepreço. Alex era o controlador da companhia quando o contrato foi celebrado com o ICB e, até dezembro de 2025, quando foi preso, teria recebido R$ 2 milhões.

Alex Leandro Bispo dos Santos é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como membro do PCC e já foi preso outras vezes nos últimos 20 anos. Ele já foi condenado por crimes como estelionato, roubo e receptação e atualmente responde por feminicídio, sob a acusação de ter assassinado a então companheira.

Segundo a representação da Polícia Civil de São Paulo, o contrato original entre o ICB de Karina Gama e a empresa Favela Conectada tinha "ausência de dados essenciais de qualificação do representante da empresa, identificado apenas como 'Alex', posteriormente apontado como Alex Leandro Bispo dos Santos, preso preventivamente por feminicídio".

Quando Alex foi detido, em dezembro de 2025, sua empresa "teria sido formalmente transferida a Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, residente no mesmo endereço do antigo sócio, sem alteração substancial na execução das atividades empresariais, havendo suspeita de blindagem patrimonial e ocultação de pessoas", afirma a Polícia Civil. A empresa então mudou de nome para Urban Connect.

O possível elo do caso Dark Horse com a facção PCC foi evidenciado pelo ministro Flávio Dino em sua decisão. Depois de analisar o material remetido pela Justiça paulista ao STF, Dino escreveu que a suposta organização investigada "alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC", conforme uma linha de apuração mencionada nos autos. A decisão de Dino, porém, não identifica nominalmente Alex como a origem dessa conexão.

Em outra manifestação, os investigadores classificaram a Urban Connect como empresa suspeita de participação em possível "desvio de finalidade de verbas públicas e simulação contratual".

Documentos da prestação de contas indicam que a Favela Conectada teria sido responsável pela instalação de mais de 900 pontos de internet e teria recebido mais de R$ 3,8 milhões, segundo notas apresentadas pelo ICB à Prefeitura até dezembro de 2025.

Foi o ICB, e não a Go Up, que contratou a Favela Conectada para atuar no programa municipal de internet gratuita. Os documentos analisados não demonstram que Alex tenha participado diretamente da produção de Dark Horse, nem que tenha mantido relação pessoal com os responsáveis pelo filme, fora do contrato do Wi-Fi Livre.

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