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Dino levanta sigilo de caso Dark Horse e diz haver conexões com PCC

Ministro do STF menciona o deputado Mário Frias (PL-SP) como suposto líder de esquema

Flávio Dino: ministro do STF determinou a retirada do sigilo das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares à produção de Dark Horse.  (Supremo Tribunal Federal/Flickr)

Flávio Dino: ministro do STF determinou a retirada do sigilo das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares à produção de Dark Horse. (Supremo Tribunal Federal/Flickr)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 11h00.

Última atualização em 13 de setembro de 2026 às 12h52.

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo, 13, a retirada do sigilo das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares à produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em sua decisão, Dino cita a existência de uma organização com "vínculos" com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que poderia ser liderada pelo deputado Mário Frias (PL-SP).

Os documentos que agora serão tornados públicos foram enviados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e se referem a uma investigação da Polícia Civil paulista sobre o destino de emendas parlamentares de autoria de Frias.

O despacho deste domingo ajuda a esclarecer a ligação entre duas frentes de investigação que começaram separadamente. Uma delas, conduzida pela Polícia Federal e supervisionada por Dino no STF, apura se recursos de emendas parlamentares destinados formalmente a projetos sociais foram desviados e, por meio de empresas e entidades interligadas, chegaram à estrutura financeira relacionada ao filme Dark Horse. A outra foi aberta pela Polícia Civil de São Paulo para investigar suspeitas de fraude e desvio de dinheiro em um contrato milionário do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com a Prefeitura de São Paulo para o fornecimento de pontos de wi-fi.

Dino determinou que o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves "entregue à Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares das pessoas físicas e jurídicas investigadas nos presentes autos (a investigação sobre Dark Horse), apreendidos pela Polícia Civil no mês de junho, cuja perícia foi ou está sendo realizada nos órgãos competentes do Estado". Também determinou que "todos os aparelhos celulares, computadores e demais documentos" envolvidos nas investigações passem a ser custodiados pela Polícia Federal.

Dino afirma que, depois de receber neste sábado, 12, o material produzido pela investigação paulista, ganhou força a hipótese de que não se trataria de dois esquemas independentes, e sim da mesma engrenagem. O ministro diz na decisão que os documentos fortalecem "a hipótese de imbricação indissociável" entre os fatos apurados, dentro de um esquema que envolveria recursos de emendas federais e dinheiro da Prefeitura de São Paulo.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informa que "a assinatura e execução do termo de colaboração firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) não têm qualquer irregularidade identificada. O Programa Wifi Livre segue em pleno funcionamento na cidade com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados." (leia íntegra no final da reportagem)

O ministro acrescenta que a suposta organização "alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC" e ressalva que Frias aparece como possível líder apenas "no terreno hipotético da investigação".

Em seu despacho, Dino diz que a empresa de tecnologia Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), cuja presidente é Karina Gama, também proprietária da produtora GoUP, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, teria recebido transferências do deputado federal.

A investigação sob relatoria de Dino nasceu de apurações sobre transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares federais destinadas a entidades e empresas em São Paulo.

Um dos principais pontos sob investigação é o destino de R$ 2 milhões em emendas individuais indicadas por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, que também preside a GoUp, produtora de Dark Horse. Auditorias da Controladoria-Geral da União e a investigação da PF apontaram problemas na comprovação da execução de projetos que deveriam ter sido financiados com os recursos das emendas.

O que a PF apura é se parte desse dinheiro, depois de chegar ao ICB e a empresas subcontratadas, percorreu uma cadeia de transferências que terminou em empresas relacionadas à produção cinematográfica.

Leia a nota da Prefeitura de São Paulo na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo informa que a assinatura e execução do termo de colaboração firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) não têm qualquer irregularidade identificada. O Programa Wifi Livre segue em pleno funcionamento na cidade com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados, conforme pode ser verificado no link. A Controladoria Geral do Município acompanha o caso desde as primeiras denúncias e instaurou, em maio de 2026, procedimento de apuração, em andamento.

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