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Retrospectiva: 10 fatos que marcaram a política brasileira em 2025

Condenação de Bolsonaro, tarifas comerciais de Trump, fuga de deputados e outros acontecimentos movimentaram o tabuleiro político do Brasil em 2025

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Andrew Reynolds/AFP/AFP)

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Andrew Reynolds/AFP/AFP)

Publicado em 31 de dezembro de 2025 às 08h01.

Condenação de ex-presidente, reunião de líderes mundiais, fuga de deputados federais, tarifas comerciais inesperadas e operação policial de grande repercussão.

Os fatos políticos que marcaram o Brasil em 2025 mexeram no tabuleiro eleitoral de 2026 e reforçaram a polarização no país. Veja um resumo dos 10 acontecimentos que centralizaram o debate político neste ano:

Condenação e prisão de Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tramar um golpe de Estado no país a fim de evitar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a vitória eleitoral em 2022.

Menos de três meses depois, em 22 de novembro, o ex-mandatário foi preso preventivamente pelo ministro Alexandre de Moraes por tentar violar a tornozeleira eletrônica que era obrigado a usar por estar em prisão domiciliar.

O ex-presidente Jair Bolsonaro durante julgamento no STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro durante julgamento no STF (Antonio Augusto/STF)

Em 25 de novembro, o magistrado rejeitou o último recurso apresentado por Bolsonaro e decretou o trânsito em julgado do processo, o que significa o início do cumprimento da pena por atentar contra a democracia.

Operação policial no Rio de Janeiro

Após a condenação de Bolsonaro e depois de ver Lula melhorar de popularidade pela reação ao tarifaço dos Estados Unidos, a direita conseguiu se fortalecer perante a opinião pública devido ao debate acerca da megaoperação policial no Rio de Janeiro que matou 122 pessoas.

A ação policial foi articulada pelo governador Cláudio Castro (PL), que enfrentava dificuldade inclusive para se lançar a senador em 2026 e passou a ser visto como um ativo eleitoral da oposição sob o discurso de endurecimento no enfrentamento ao crime organizado.

Mototáxis passar por carro-forte da Polícia Militar do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 28, durante Operação Contenção (Antonio Lacerda/EFE)

A esquerda criticou a operação por entender se tratar de uma matança sem resultado efetivo, uma vez que as facções seguiram no comando das comunidades cariocas. A direita, porém, saiu em defesa de Castro e afirmou que ações desta natureza são necessárias para desarticular grandes grupos criminosos.

Poucos dias depois, pesquisa AtlasIntel apontou que 80% dos moradores das favelas apoiaram a ação policial, o que deu ainda mais força ao discurso da oposição.

COP30

O Brasil recebeu delegações de mais de 190 países entre 10 e 22 de novembro para realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

O evento teve problemas na organização, mas o fato de ter sido realizado em Belém tornou-se um ativo por conectar o debate sobre as mudanças climáticas a uma cidade que é porta de entrada da floresta amazônica.

André Corrêa do Lago e Ana Toni no comando da COP30: Brasil sediou evento global em novembro de 2025 (Ediago Quincó/Exame)

A COP30 era uma das principais apostas de Lula em 2025 ano por se tratar de uma demonstração de força na diplomacia internacional.

Ao final, a participação de um grande número de nações comprovou o sucesso do evento, mas o fato de Lula não ter conseguido emplacar na carta final o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis enfraqueceu o discurso do petista.

Isenção do Imposto de Renda

Em 2025, Lula conseguiu tirar do papel uma de suas principais promessas de campanha: a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Em novembro, o Senado aprovou a proposta que já havia passado pela Câmara e encaminhou para sanção presidencial a lei que pode beneficiar até 15 milhões de pessoas.

Lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Após mais de um ano de negociação e da pressão de partidos de centro pela candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) resolveu lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa ao Palácio do Planalto em 2026.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, o projeto de lei que determina a transferência preferencial para presídios federais de acusados ou condenados por homicídio de policiais e outras autoridades (PL 5.391/2020). Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em discuro à tribuna. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro será candidato à presidência em 2026 (Carlos Moura/Agência Senado/Divulgação)

O primogênito do ex-mandatário enfrenta resistência de siglas de centro, mas não dá sinais de que abrirá mão da candidatura.

O movimento se fortaleceu devido ao registro de que cresceu nas pesquisas após ter o nome lançado para presidente.

Fuga de Zambelli, Ramagem e Eduardo Bolsonaro

O discurso de Flávio Bolsonaro é de que precisa vencer as eleições para restabelecer a democracia no país, que estaria prejudicado devido à perseguição do STF a aliados do bolsonarismo.

Três ex-deputados representam a sanha persecutória emulada por Bolsonaro: Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.

Os dois primeiros fugiram do país após serem condenados pelo STF e o terceiro foi para os Estados Unidos antes mesmo de ser denunciado para evitar eventual prisão.

Até o momento, o Brasil não conseguiu extraditar nenhum dos três. Todos perderam o mandato na Câmara dos Deputados.

Novo discurso do governo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o terceiro ano de mandato com os menores índices de aprovação e sem um discurso afinado sobre as realizações do Executivo.

A derrota em junho na votação sobre a elevação do IOF, porém, marcou uma virada na defesa da gestão petista.

O Palácio do Planalto partiu para o enfrentamento contra o Congresso e conseguiu reunificar o campo da esquerda com o discurso de que o Legislativo protege os ricos enquanto Lula tenta fazer as classes mais favorecidas pagar mais impostos para reduzir a carga tributária da população na linha da pobreza.

A oposição conseguiu derrotar a medida sob o argumento de que não cabe aumentar impostos em um país em que as taxações já são elevadas, mas o governo ganhou um mote que foi amplamente explorado nas redes sociais.

PEC da Blindagem

A Câmara aprovou em setembro o que ficou conhecido como PEC da Blindagem. Os apoiadores da proposta chamam de PEC das Prerrogativas e afirmam que se tratar de uma proteção ao parlamento contra o avanço do Judiciário em assuntos da seara política.

No entanto, prevaleceu o discurso de que a PEC, na verdade, serve para dificultar a prisão de deputados investigados em casos de corrupção.

O Senado arquivou a matéria e o assunto perdeu importância após dominar, por diversas semanas, o noticiário político.

PL da Dosimetria

Desde que o Supremo começou a condenar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, a oposição acusou o Judiciário de desproporcionalidade nas penas impostas e passou a brigar pela aprovação de uma anistia ampla e irrestrita no Congresso.

A falta de apoio da cúpula das duas Casas Legislativas impediu o avanço da matéria, mas uma reviravolta no fim de 2025 garantiu a aprovação de um projeto que não extingue as condenações, mas reduz as penas dos condenados.

O relator do projeto na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), prevê que a prisão em regime fechado de Bolsonaro, por exemplo, pode ser reduzida de 6 anos e 7 meses para 2 anos e 4 meses.

Tarifaço de Trump

Em 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre parte significativa dos produtos brasileiros como retaliação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em curso no STF e sob o argumento de que havia um desequilíbrio na balança comercial entre os dois países, o que não condizia com os dados reais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exibe quadro de tarifas em 2 de abril (Brendan Smialowski/AFP)

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi um dos responsáveis pela articulação junto ao governo americano e comemorou as sanções comerciais, embora os efeitos recaíssem sobre todos os empresários brasileiros, inclusive os apoiadores do bolsonarismo.

Na sequência, os EUA incluiu o ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, que restringe os enquadrados na legislação de operações financeiras. Ao final, o governo brasileiro não cedeu à pressão nem o Supremo, que pouco depois finalizou o processo e condenou Bolsonaro.

Trump, então, recuou, aproximou-se de Lula e retirou Moraes da Magnitsky, além de revogar as tarifas sobre diversos produtos brasileiros, embora uma lista significativa siga sobretaxada.

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