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Renan Santos supera Marçal em menções nas redes, mas avanço vem com desgaste, diz estudo

Candidato do Missão acumulou 339.427 publicações e 768,4 milhões de interações em agosto, mas crescimento digital veio acompanhado de piora no sentimento sobre sua imagem

Renan Santos: candidato do Missão cresce, mas vê menções negativas aumentar

Renan Santos: candidato do Missão cresce, mas vê menções negativas aumentar

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 15h50.

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Renan Santos ganhou espaço onde candidatos de terceira via costumam ter dificuldade: a disputa por atenção nas redes sociais. Em menos de duas semanas, o candidato do Missão ultrapassou Pablo Marçal em volume de menções e passou a aparecer em diferentes frentes de conflito político.

O desafio agora é transformar essa exposição em voto. Levantamento da Datrix, empresa de monitoramento e análise de dados digitais sobre a repercussão de políticos, influenciadores e temas públicos nas redes sociais, obtido em primeira mão pela EXAME, mostra que Renan acumulou 339.427 publicações, 9,36 bilhões de impressões e 768,4 milhões de interações entre 7 e 21 de agosto.

O levantamento mostra que o crescimento de Renan aconteceu junto com uma piora no sentimento das publicações: o saldo passou de -1,4 ponto em 17 de agosto para -20,2 pontos em 20 de agosto, justamente quando ele atingiu seu maior volume de interações.

O avanço de Renan nas redes não ocorreu por uma única pauta, mas por uma sequência de episódios que colocou o candidato no centro de diferentes disputas: o conflito com Flávio Bolsonaro, o embate com Pablo Marçal, a repercussão da vaquinha eleitoral e os desdobramentos da agenda de campanha.

O movimento ocorreu em uma faixa disputada por candidatos que tentam romper a polarização entre os principais nomes da corrida presidencial. No período analisado, Renan passou a superar concorrentes como Pablo Marçal, Ronaldo Caiado e Romeu Zema em volume de publicações, embora ainda permaneça distante dos patamares de atenção registrados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Para João Paulo Castro, CEO da Datrix, o principal destaque do levantamento é justamente a capacidade de Renan ampliar sua presença digital.

“É muito difícil que Renan, Caiado e Zema consigam atingir os mesmos patamares, dimensões que Lula e Flávio recebem, inclusive com a entrada do próprio Marçal, e está aí nesse estudo, é difícil pro próprio Marçal conseguir o número de dimensões que o Lula e o Flávio conseguem. E o Renan começou a se destacar, inclusive ultrapassou o Marçal. Isso foi o que mais me surpreendeu nesse momento”, afirmou.

O crescimento veio de três frentes de disputa

A expansão da presença de Renan ocorreu em três movimentos principais identificados pela análise da Datrix.

O primeiro foi a abertura de conflitos políticos capazes de gerar alto volume de conversa. A crise envolvendo a filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão gerou um dos primeiros picos de exposição do candidato. Em 13 de agosto, Renan registrou 41.516 publicações, maior volume de posts do período.

O segundo foi o confronto direto com Pablo Marçal. Entre 15 e 17 de agosto, os dois candidatos trocaram ataques públicos após o registro da candidatura de Marçal. A disputa aproximou os dois nomes em volume de menções: Marçal chegou a 31 mil publicações em 18 de agosto, enquanto Renan alcançou 33.101.

O terceiro fator foi a mobilização em torno da própria candidatura, incluindo a arrecadação da vaquinha eleitoral, a disputa pela participação em debates e a divulgação do plano de governo.

Outro episódio que ampliou a exposição de Renan ocorreu durante uma agenda de campanha na Paraíba, em 20 de agosto. O candidato publicou um vídeo em que aparece utilizando um trator para remover o que classificou como uma barricada do Comando Vermelho em uma área do estado.

A publicação gerou repercussão nas redes, mas também uma reação das autoridades locais. A Secretaria de Segurança da Paraíba e o comandante da Polícia Militar afirmaram posteriormente que o material removido não era uma barricada de uma facção criminosa, mas entulho e lixo.

“Ele abriu frentes de embate com o Flávio e com a entrada do Marçal, e ele foi um sucesso a vaquinha que ele fez na internet, enquanto ele arrecadou na internet. Então, esses três fatores impulsionaram muito um número de menções sobre ele”, disse Castro.

A soma desses episódios fez Renan aparecer em diferentes conversas simultaneamente. O resultado foi um ganho de centralidade digital, mas não necessariamente uma melhora na avaliação da candidatura.

Outro ponto destacado pela análise é que Renan conseguiu ampliar a conversa para além da própria base de apoiadores.

Segundo Castro, o movimento chama atenção porque o candidato conseguiu um nível de mobilização que, até então, era mais associado a nomes com maior alcance digital.

“É muito interessante notar que, aparentemente, o Renan tem tido mais sucesso do que o próprio Pablo Marçal em conseguir engajar a própria base e uma tentativa, uma tentativa até com certo êxito de furar a própria bolha e ter mais menções no mar aberto, ou seja, no que se fala sobre ele na rede.”

A concentração da repercussão, porém, revela também um limite. Das 339.427 publicações registradas no período, 292.181 ocorreram no X, equivalente a 85,9% do total.

Portais de notícia responderam por 11.900 publicações, ou 3,5% do volume analisado. O crescimento, portanto, ocorreu principalmente dentro do ambiente das redes sociais.

Mais conversa, mas uma imagem ainda em disputa

O principal ponto da análise é que volume de menções não representa aprovação. A Datrix acompanha a repercussão sobre o candidato a partir das citações feitas por imprensa, políticos, influenciadores e usuários das redes.

“O crescimento do Renan nesse período é acompanhado por um ponto importante, que é o crescimento da parte negativa, então o saldo negativo dele está aumentando também”, afirmou Castro.

No acumulado do período, a avaliação sobre Renan ficou próxima do equilíbrio: 23% das publicações foram positivas, 23,8% negativas e 53,2% neutras, com saldo líquido de -0,8 ponto.

A deterioração ocorreu justamente na fase em que o candidato ganhou mais espaço diante de Marçal e Caiado. Em 20 de agosto, Renan alcançou 39.709 publicações, superou Marçal, que teve 27 mil, e ficou muito acima de Caiado, com 11 mil, e Zema, com 10 mil.

Ao mesmo tempo, foi o dia de maior engajamento do período: 271,2 milhões de interações.

O desafio da campanha: converter repercussão em eleitor

A campanha de Renan chega a uma nova etapa com um ativo construído nas redes: a capacidade de gerar conversa. O desafio agora é transformar essa visibilidade em reconhecimento eleitoral fora dos ambientes digitais.

O estudo indica que a candidatura conseguiu ocupar espaço em disputas diferentes ao mesmo tempo, mas essa centralidade ainda está associada principalmente a conflitos, críticas e episódios de alta repercussão.

O principal ganho de Renan no período analisado foi sair de uma posição secundária entre candidatos de terceira via para disputar a atenção digital com nomes como Pablo Marçal. O próximo desafio é fazer com que essa atenção se converta em intenção de voto.

A próxima oportunidade de ampliar essa exposição será o debate Band/Estadão neste domingo, 23 de agosto, além dos desdobramentos da representação do PSOL no TSE e da ação do Ministério Público Federal envolvendo Renan e o MBL.

O levantamento da Datrix considera o período de 7 a 21 de agosto de 2026, com 21 de agosto em caráter parcial. Volume, impressões e interações são provenientes do monitoramento de redes sociais e portais de notícia.

A análise de sentimento considera publicações de perfis com 10 mil seguidores ou mais, incluindo imprensa, políticos e influenciadores. O resultado representa a repercussão entre formadores de opinião e não constitui amostra do público geral.

Sentimento líquido = percentual de publicações positivas – percentual de publicações negativas.

Impressões representam alcance potencial estimado. Interações correspondem a curtidas, comentários e compartilhamentos.

Os relatos de migração de voto identificados nas redes sociais são autodeclarações de usuários e não constituem pesquisa de intenção de voto.

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026Renan Santos

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