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Por que minha nota do Enem parece 'baixa' mesmo com muitos acertos?

Resultado do exame será divulgado na próxima sexta-feira, 16, com as notas das questões e da redação

Enem: corretores usam cálculo matemático e critérios rigorosos para avaliar a prova (Agência Brasil)

Enem: corretores usam cálculo matemático e critérios rigorosos para avaliar a prova (Agência Brasil)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 00h01.

O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será divulgado nesta sexta-feira, 16. Com a nota, estudantes e candidatos podem cursar universidades públicas e privadas.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) calcula a nota do exame com base nas 180 questões da prova entre as quatro áreas de conhecimento avaliadas: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; matemática; e ciências da natureza.

O Inep também avalia a redação, dando uma nota de zero a mil.

Com a nota, os candidatos podem concorrer a vagas no ensino superior público e privado, por meio de programas Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a nota é calculada com a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Confira, abaixo, o que isso significa. 

Como é calculada a nota do Enem?

O MEC explica que a nota do Enem é calculada com base na TRI, que é um conjunto de modelos matemáticos que unem, por exemplo, a probabilidade de o participante responder corretamente a uma questão e seu conhecimento na área.

Ou seja, as notas não dependem da quantidade de questões da prova, mas de cada item que a compõe.

"Sendo assim, duas pessoas com a mesma quantidade de acertos na prova são avaliadas de forma distintas, a depender de quais itens estão certos e errados e podem, assim, ter notas diferentes", explica o Inep no material de divulgação sobre o cálculo.

A TRI então tenta identificar o comportamento de um item por meio de uma curva que mostra a relação entre a probabilidade de acerto e a proficiência dos participantes, para calcular o seu conhecimento no assunto.

O método ajuda a identificar estudantes que dominam o assunto, pois errar uma questão fácil e acertar uma difícil não seria possível estatisticamente que o aluno entendesse o tema.

"Quando dizemos que o participante acertou uma questão ‘no chute’, não significa que sua nota irá diminuir, mas ela não tem tanto valor como se o participante tivesse acertado os itens com a coerência", explica o Inep.

A TRI é composta por parâmetros, que são:

  • Parâmetro de discriminação: é o poder de discriminação que cada questão possui para diferenciar os participantes que dominam dos participantes que não dominam a habilidade avaliada naquela questão;
  • Parâmetro de dificuldade: associado à dificuldade da habilidade avaliada na questão - quanto maior seu valor, mais difícil é a questão. Ele é expresso na mesma escala da proficiência. Em uma prova de qualidade, devemos ter questões de diferentes níveis de dificuldade para avaliar adequadamente os participantes em todos os níveis de conhecimento;
  • Parâmetro de acerto casual: em provas de múltipla escolha, um participante que não domina a habilidade avaliada em uma determinada questão da prova pode responder corretamente a um item devido ao acerto casual. Assim, esse parâmetro representa a probabilidade de um participante acertar a questão não dominando a habilidade exigida.

Redação também é calculada pelo TRI?

A nota da redação, no entanto, não é calculada pelo TRI. A nota, que pode ser entre zero e mil pontos, é calculada seguindo os critérios propostos do Inep.

A redação é corrigida por pelo menos dois corretores, de forma independente, e cada atribui uma nota entre 0 e 200 pontos para cada uma das cinco competências exigidas. A nota total de cada corretor corresponde à soma das notas atribuídas a cada uma das competências e, depois, é calculada a média entre as duas notas.

Confira os critérios para correção da redação:

  • Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
  • Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
  • Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
  • Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
  • Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Acompanhe tudo sobre:EnemMEC – Ministério da Educação

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